segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Seminário de Formação Politica.




Caros Leitores deste Blog,

No próximo dia 13/9 acontece, em Sorocaba, um grande Seminário do mandato do deputado estadual Hamilton Pereira (PT). O evento servirá para reconstituir o Conselho do Mandato, debater temas importantes que estarão na pauta nos próximos meses e disponibilizar formação política para os participantes através de oficinas temáticas no período da tarde.

A participação de todos é fundamental, já que se trata de uma excelente oportunidade para que a sociedade avalie o trabalho feito até agora e debata as ações futuras do mandato, que tem se empenhado em representar, no Legislativo Paulista, as necessidade de toda a população.

Clique aqui para saber um pouco mais sobre o conteúdo e os propósitos do Seminário.
Faça sua inscrição e ajude-nos a divulgar o evento.
Já estão confirmadas as presenças de José Genoino, Arlindo Chinaglia, João Paulo Cunha, Iara Bernardi e Emídio de Souza, além de prefeitos, vice-prefeitos, vereadores, presidentes de partidos e entidades representantes da sociedade civil organizada.

Não fique de fora dessa!

www.hamiltonpereira.org.br

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Congresso da FENAPSI - Sorocaba conta com 3 Delegados!



Começa nesta sexta (28) o IV Congresso da FENAPSI. Confira a programação

Começa nesta sexta-feira (28) o IV Congresso da FENAPSI (Federação Nacional dos Psicólogos). O evento terminará no domingo (30) com a eleição da nova direção para o triênio 2009/2012 e quando será deliberado o novo estatuto e plano de lutas da entidade.

A FENAPSI, na sua fundação em 1985, teve como proposta o fortalecimento e o crescimento das entidades sindicais já existentes e o incentivo da criação de novos sindicatos nos Estados aonde estes não existiam. Todavia, sua atuação foi pouco significativa na discussão das políticas essenciais para valorização da categoria. Segundo Rogério Giannini, presidente do SINPSI-SP, é preciso mudar para fortalecer a Federação. “Três gestões atrás saímos por divergências políticas na época insuperáveis. Iniciamos no ano passado um processo de discussão que acabou propiciando o nosso retorno e com isso nós assumimos um papel de vanguarda no processo de reestruturação da entidade”.

Todo esse processo de renovação da Federação será discutido durante o Congresso. A secretária geral do SINPSI-SP, Fernanda Lou Sans Magano, representará o Sindicato na composição da nova direção. “Há o entendimento que a FENAPSI é um instrumento muito útil de luta no Congresso Nacional, propondo e acompanhando projetos de interesse da psicologia e também, em espaços de representação institucional em áreas como a saúde, assistência social, educação e outras”, ressalta Fernanda, que participará ativamente pelo fortalecimento da entidade.

Confira abaixo a Programação do IX Congresso da FENAPSI:

Mesa Abertura- 28/08/2009 noite 19:00 – 20:00.

Articulador Nacional FENAPSI- Mauro Schmidt.
Presidente do CFP - Humberto Cota Verona.
Presidenta do CRP-SP- Marilene Proença Rebello de Souza.

Palestra Inaugural- noite 20:00 -21:30

RELAÇÕES DE TRABALHO DOS PSICOLOGOS E O MUNDO DO TRABALHO

COORDENAÇÃO -Articulador Nacional FENAPSI- Mauro Schmidt.
Odair Furtado -Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Setor de Pós-Graduação.
Rogério de Oliveira Silva – CRP 04- Formação e Trabalho: interfaces da inclusão do(a) psicólogo(a) na sociedade brasileira.


Mesa II- 29/08/2009 manhã 8:30 – 9:30

Aprovação de Regimento e Escolha da Comissão Eleitoral

Secretário de Comunicação da FENAPSI- Paulo Bretãs Vilarinho Jr.
Tesoureiro FENAPSI- Frederico Jorge de Souza Leite.


Mesa III- 29/08/2009 manhã 10:00 – 11:30.

(1) Conjuntura Nacional: A Crise Econômica Mundial e Suas Conseqüências Sobre os Trabalhadores e Trabalhadoras.

COORDENAÇÃO- Secretária de Políticas Públicas da FENAPSI- Keyllaff Maria Alves Miranda.
Secretaria Nacional de Formação- Denise Motta Dau.
Presidente da FETSS e Secretario do SindSaude/SP – Hélcio Aparecido Marcelino.


Mesa IV- 29/08/2009 manhã 11:30 – 13:00

(2) Estrutura e Organização: Ramo de Atividade.

COORDENAÇÃO- Secretário de Políticas Intersindicais da FENAPSI- Cláudio José Novaes.
Presidenta da CNTSS- CUT- Maria Aparecida do Amaral Godói Faria.
Presidente da FENAS-CUT-Margareth Dallaruvera.


ALMOÇO DAS 13:00-14:00


Mesa V- 29/08/2009 tarde 14:00 – 15:10

APRESENTAÇÃO DO BALANÇO DA GESTÃO COM 10 MINUTOS PARA CADA DIRIGENTE DA FENAPSI

ABERTURA DE INSCRIÇÃO DE CHAPA


Mesa VI- 29/08/2009 tarde 15:10 – 17:30

(3) Plano de Lutas

Representante do SINPSI-SP - Fernanda Lou Sans Magano.
Representante do SIPERGS- Roger Leal.
APRESENTAÇÃO E DEBATE SOBRE AS TESES E MOÇÕES NAS SEGUINTES AREAS TEMATICAS.
1. Mercado de trabalho e psicologia.
2. Redução da jornada para 30 horas semanais.
3. Participação em mesas de negociação no setor público e privado.
4. Defesa dos concursos públicos.
5. Combate às formas de precarização nas contratações e nas condições de trabalho.
6. Organização dos Trabalhadores.
7. Luta pelas políticas públicas essenciais, como saúde, assistência social, educação, segurança.
8. Direitos da Cidadania
9. Participação nas diversas esferas do controle social.
10. Luta pelos Direitos Humanos e contra todas as formas de violência e discriminação.


Mesa VI- 29/08/2009 tarde 17:30 – 19:00.

(4) Filiações e Modificação Estatutária.

Secretária de Mercado de Trabalho da FENAPSI- Guadalupe Lascano Moraes.
Secretária de Políticas Públicas da FENAPSI- Keyllaff Maria Alves Miranda.


Mesa VII- 30/08/2009 manhã 9:00 – 13:00.

(5) Plenária Final.

Articulador Nacional FENAPSI- Mauro Schmidt.
Representante do SINPSI-SP - Fernanda Lou Sans Magano.

1. Contribuição ao debate dos projetos políticos e sociais em disputa na sociedade,
2. Estabelecer parcerias com demais entidades PSI, divulgando e fortalecendo a psicologia em seus aspectos científicos e sociais;
3. Aproximar-se do Sistema Conselhos de Psicologia para ações conjuntas;
4. Realizar estudos e pesquisas relativas ao compromisso social da psicologia.

ENCERRAMENTO DE INSCRIÇÃO DE CHAPA


ALMOÇO DAS 13:00-14:00


Mesa VIII- 30/08/2009 tarde 14:00 – 16:00.

(6) Plenária Final (continuação) e Eleição e Posse da Nova Direção.

Articulador Nacional FENAPSI- Mauro Schmidt.
Tesoureiro FENAPSI- Frederico Jorge de Souza Leite.
Representante do SINPSI-SP - Fernanda Lou Sans Magano.

Sorocaba conta com três Delegados para o crongresso: Rosana Cathia Ragazzonni Mangini, Leandro Fonseca e Lucio Costa.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Nietzsche e a Política Brasileira


Por Sandro Kobol Fornazari,

É muito comum que pessoas inteligentes e engajadas se refiram às elites brasileiras como as grandes responsáveis pelos problemas do subdesenvolvimento e os níveis de miséria e desigualdade social. Normalmente esta conclusão faz-se inferir das parcas qualidades morais dos ricaços: eles são mesquinhos, egoístas, sem responsabilidade social, insensíveis, etc.
Embora concordemos com o fato de que as elites são as principais responsáveis pela pobreza em que vivem dois terços dos brasileiros, consideramos um absurdo fazer essa responsabilidade derivar de uma deficiência moral coletiva por parte da elite brasileira. É uma ingenuidade pensar o poder a partir da moralidade, já dizia Maquiavel, e é realmente impossível não se render à evidência de que a característica básica da vida é a disputa, e esta talvez seja a contribuição que Nietzsche pode trazer para o pensamento político. Não se trata de uma disputa pela preservação, mas sim por algo mais, melhor, a luta de cada ser vivo por expandir sua potência cada vez mais e melhor. Numa disputa, mesmo os que são dominados, ao resistirem à dominação estão lutando, mesmo enquanto obedecem estão lutando até serem capazes de reunir forças suficientes para inverter a situação e se tornarem então dominantes.
Nesse sentido, as elites brasileiras levam a exploração a um patamar tão alto porque são extremamente eficientes em suas estratégias de dominação. São capazes, por exemplo, de inventar realidades de modo a que os dominados passem a acreditar não no que vêem de fato, mas naquilo em que assistem nos telejornais. São muito eficazes também em manter o sistema público de ensino a porcaria que é, emasculando cotidianamente alunos e professores através de sua estrutura burocrática e dos baixos salários e péssimas condições de trabalho.
Assim, é forçoso reconhecer que aqueles que se opõem às estruturas de poder são, em comparação com as elites, muito pouco eficientes. Quando um partido de oposição recorre às manchetes da Folha de São Paulo, por exemplo, o que está fazendo senão o jogo das elites, legitimando um dos mais fortes elos da dominação que é a imprensa conservadora? No entanto, a luta contra a exploração existe e vem ganhando força. As contradições estão cada vez mais presentes na vida das pessoas, tornando cada vez mais difícil a tarefa dos ideólogos do neoliberalismo.
É preciso, portanto, reconhecer que a sociedade brasileira é caracterizada pela disputa pelo poder, pelo jogo de forças ininterrupto entre os que participam das riquezas produzidas e os que estão excluídos dela. Não se trata de tentar educar os ricos ou convencê-los a explorarem em menor proporção ou desqualificá-los como moralmente abjetos. Trata-se sim de conquistar o direito de participar coletivamente e em igualdade dos frutos do trabalho humano.


*Sandro Kobol Fornazari é Mestre em Filosofia pela Universidade de São Paulo (USP), membro da comissão editorial dos Cadernos Nietzsche e professor de Filosofia na Universidade Estadual de Santa Catarina (skf@usp.br)

terça-feira, 25 de agosto de 2009

A Educação não é mercadoria.




Pelas ruas e bares de Recife, Pernambuco, estão fixados vários cartazes da Faculdade Unidas de Pernambuco (FAUPE) com os seguintes dizeres: “Diplomas progressivos. Um curso igual a três diplomas. A FAUPE revoluciona o formato do ensino superior e aproxima você do mercado de trabalho. Mensalidade a partir de R$ 250,00 reais”. A propaganda também por ser observada no site www.faupe.com.br. A proposta “revolucionária” da Faculdade é que no 3° período o estudante receba um diploma de técnico; no 4° período o estudante tenha direito ao segundo diploma, de graduação; e que, ao término do curso, no 8° período, o mesmo receba um diploma de bacharel. Você pode fazer o vestibular em qualquer dia, somente com as seguintes matérias: português, redação, história e geografia.

Assim como a FAUPE, inúmeras Instituições Superiores brasileiras fazem a comercialização de diplomas e lucram muito com esse mercado clandestino. O ensino superior nas particulares se tornou mera mercadoria sujeita às ofertas do mercado e à elevação e diminuição dos preços de acordo com a lei da oferta e da procura, não seguindo nenhuma lógica de retorno em investimentos no ensino, na pesquisa e na extensão. A atual lei de mensalidades, aprovada em 1999, no governo de Fernando Henrique Cardoso, colabora com a exploração e evasão dos estudantes, bem como na punição aos estudantes inadimplentes. Também não há um critério acadêmico nem social para a criação dos cursos nestas Instituições.

Isso é um problema sério para a educação superior brasileira. Entendemos a educação como um processo de emancipação dos seres humanos, sejam estes enquanto indivíduo ou enquanto classe. Como afirmava o companheiro Paulo Freire, a educação sozinha não pode transformar a sociedade, tampouco sem ela a sociedade se transforma. Nesse sentido, defendemos a educação como um direito de todas as pessoas e condição primordial para a sociedade que tanto almejamos. Somos da opinião de que a Universidade é estratégica para o desenvolvimento sustentável do país e de que o fortalecimento do seu caráter público, a democratização do seu acesso e permanência e a regulamentação e controle por parte do poder público das instituições particulares são eixos fundamentais para que a educação superior brasileira possa (re)produzir conhecimento e fazer pesquisa e extensão favoráveis ao nosso povo.

Portanto, a defesa de uma educação popular, democrática e pública deve estar na pauta do dia do movimento estudantil brasileiro e da União Nacional dos Estudantes. Popular no conhecimento, no foco. Democrática em seu acesso, permanência, na sua relação e organização interna e envolvimento com a sociedade. E pública na sua oferta, no seu acesso, nos seus fins. E o caráter público e popular também deve se fazer presente nas instituições pagas, juntamente com a qualidade e a democracia. Para isso, faz-se mister a regulamentação dessa modalidade de ensino, havendo assim um controle do poder público nos reajustes das mensalidades, evitando seus preços abusivos e exigindo maior qualidade do ensino, pesquisa e extensão e dos programas de assistência estudantil. Sobre o tema, está em tramitação um projeto de lei da UNE, assinado pelo então Deputado e ex-presidente da entidade, Renildo Calheiros, que visa implementar medidas voltadas a assegurar um maior controle das mensalidade (PL 6489/06). E, ao defendermos a qualidade de educação, é preciso defender a nacionalização da mesma, barrando o capital estrangeiro nela aplicado.

Em períodos de crise, como o atual, é necessário o congelamento das mensalidades em cada IES privada. Os estudantes brasileiros não podem pagar por uma crise que não é sua! Para além disso, notamos que o perfil da maioria dos estudantes que estão nas faculdades privadas são trabalhadores, portanto, as Instituições devem criar mecanismos de assistência estudantil, como bolsas totais ou parciais, para aqueles e aquelas estudantes que porventura ficaram desempregados, seja ou não em decorrência da crise, no decorrer do curso não largarem o seu sonho.

Ao mesmo tempo, os Governos Estaduais e Federal devem aumentar gradativamente as vagas disponibilizadas nas Universidades Públicas, democratizando também o seu acesso, principalmente no período noturno. Grande parte dos estudantes presentes nas Instituições particulares está lá por não terem acesso ao ensino público.

Mas não há neutralidade no processo educativo. A educação na sociedade capitalista é construída para manter o status social e econômico vigente, refletindo a sociedade que a produz. No entanto, por vivermos permeados de contradições, de lutas e antagonismos de classe, a educação pode mudar de acordo com o movimento da sociedade, possibilitando uma educação diferente, que traga transformações populares e sustentáveis para o povo brasileiro. Para que tudo isso se concretize, a UNE precisa cumprir seu papel de mobilização e organização do movimento estudantil nas Instituições de Ensino Superior particulares. Também é imprescindível que haja uma unidade da juventude que combata os tubarões de ensino presentes no parlamento brasileiro, que fazem da educação objeto de seus interesses financeiros. A educação não é mercadoria e sim um direito!


Thalita Martins é diretora de Assistência Estudantil da UNE

http://twitter.com/thalitamartins

thalita@mudanca.org.br.
fonte:União Nacional dos Estudantes

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Gripe Suina e o golpe mídiatico.



2000 pessoas contraem a gripe suína e todo mundo já quer usar máscara.

25 milhões de pessoas têm AIDS e ninguém quer usar preservativo...

PANDEMIA DE LUCRO

Que interesses econômicos se movem por detrás da gripe suína???

No mundo, a cada ano morrem milhões de pessoas vitimas da Malária, que se podia prevenir com um simples mosquiteiro.

Os noticiários, disto nada falam!

No mundo, por ano morrem 2 milhões de crianças com diarréia que se poderia evitar com um simples soro que custa 25
centavos.

Os noticiários disto nada falam!

Sarampo, pneumonia e enfermidades curáveis com vacinas baratas, provocam a morte de 10 milhões de pessoas a cada ano.

Os noticiários disto nada falam!

Mas há cerca de 10 anos, quando apareceu a famosa gripe das aves...

...os noticiários mundiais inundaram-se de noticias...

Uma epidemia, a mais perigosa de todas...Uma Pandemia!

Só se falava da terrífica enfermidade das aves.

Não obstante, a gripe das aves apenas causou a morte de 250 pessoas, em 10 anos...25 mortos por ano.

A gripe comum, mata por ano meio milhão de pessoas no mundo. Meio milhão contra 25.

Um momento, um momento. Então, por que se armou tanto escândalo com a gripe das aves?

Porque atrás desses frangos havia um "galo", um galo de crista grande.

A farmacêutica transnacional Roche com o seu famoso Tamiflu vendeu milhões de doses aos países asiáticos.

Ainda que o Tamiflu seja de duvidosa eficácia, o governo britânico comprou 14 milhões de doses para prevenir a sua
população.

Com a gripe das aves, a Roche e a Relenza, as duas maiores empresas farmacêuticas que vendem os antivirais, obtiveram
milhões de dólares de lucro.

- Antes com os frangos e agora com os porcos.

- Sim, agora começou a psicose da gripe suína. E todos os noticiários do mundo só falam disso...

- Já não se fala da crise económica nem dos torturados em Guantánamo...

- Só a gripe suína, a gripe dos porcos...

- E eu me pergunto-: se atrás dos frangos havia um "galo"... atrás dos porcos... não haverá um "grande porco"?

A empresa norte-americana Gilead Sciences tem a patente do Tamiflu. O principal acionista desta empresa é nada menos
que um personagem sinistro, Donald Rumsfeld, secretário da defesa de George Bush, artífice da guerra contra Iraque...

Os acionistas das farmacêuticas Roche e Relenza estão esfregando as mãos, estão felizes pelas suas vendas novamente
milionárias com o duvidoso Tamiflu.

A verdadeira pandemia é de lucro, os enormes lucros destes mercenários da saúde.

Não nego as necessárias medidas de precaução que estão a ser tomadas pelos países.

Mas se a gripe suína é uma pandemia tão terrível como anunciam os meios de comunicação.

Se a Organização Mundial de Saúde (conduzida pela chinesa Margaret Chan) se preocupa tanto com esta enfermidade, por
que não a declara como um problema de saúde pública mundial e autoriza o fabrico de medicamentos genéricos para
combatê-la?

Prescindir das patentes da Roche e Relenza e distribuir medicamentos genéricos gratuitos a todos os países,
especialmente os pobres. Essa seria a melhor solução.


Os meios de comunicação naturalmente divulgam o que interessa aos patrocinadores, não aos ouvintes e leitores.

Dr. Carlos Alberto Morales Paitán, Peru

Burguesia Paulistana.



Por Marilene Felinto



Exemplar típico da burguesia paulistana, a dona caminhava pelo parque, as artérias provavelmente entupidas da banha da carne farta que comeu a vida toda, as pelancas balançando com deselegância nas pernas envelhecidas, nos braços roliços. Era uma mulher de mais de sessenta anos, com certeza – só que tinha a arrogância de uma adolescente.

Claro que eu conhecia bem a prepotência das classes dominantes, mas essa me pegou de surpresa porque foi bem na minha cara que a mulher falou (e eu nem respondi, eu que normalmente teria passado nela um esbregue daqueles, como se diz na minha terra, eu que normalmente respondia, responderia, mandando-a engolir o que tinha dito: sua isso, sua aquilo, sua filha disso, sua filha daquilo...). Não tive ânimo. O dia estava também nublado, um sábado de manhã, a pessoa tendo que praticar a ridícula atividade de caminhar para perder peso, a tireóide endoidecida já desde os quarenta e poucos anos, desandada, sem funcionar direito, o metabolismo teimoso, a pessoa caminhando feito uma idiota, produto da civilização idiotizada também pelo sedentarismo.

A mulher das banhas e do cabelo tingido caminhava com duas outras. Estávamos em Perdizes, bairro de classe alta da zona oeste da cidade de São Paulo, num parque acanhado, cedido de favor pela companhia de águas do Estado para as pessoas caminharem, um parque sempre em obras, meio parque, meio depósito de canos, tubos e uma caixa d’água gigante.

Ia passando pelas três mulheres, peguei a conversa já começada, fundada no mais odioso preconceito de classe. A mulher das carnes moles disse, voz alta e insolente: “Só falta agora ele (presidente Lula) eleger aquela mulher (Dilma Rousseff). A gente vai sair do analfabeto ignorante para uma mulher! Eu prefiro morrer a ter que ver isso. Nosso presidente agora tem que ser o Serra, gente, pelo amor de Deus!” Então, uma das amigas dela retrucou, passando a mão no pescoço como quem mostra uma medida: “Ah, pra mim esse Serra também está engasgado até aqui!” A balofa respondeu imediatamente, com ares de dona do mundo: “Mas não tem outro, Fulana, não tem outro!”

Tratava-se do odioso preconceito de classe expresso na idéia de que a suposta “ignorância” do povo serve para justificar a necessidade de dirigi-lo do alto, ou seja, do lugar do discurso sábio e culto, que seria o das classes dominantes, como aponta Marilena Chauí: “O discurso sábio e culto, enquanto discurso do universal, pretende unificar e homogeneizar o social e o político, apagando a existência efetiva das contradições e das divisões que se exprimem como luta de classes. (...) A suposta universalidade do saber dá-lhe neutralidade e disfarça seu caráter opressor; de outro lado, a ‘ignorância’ do povo serve para justificar a necessidade de dirigi-lo do alto e, sobretudo, para identificar a possível consciência da dominação com o irracional, visto que lutar contra ela seria lutar contra a verdade (o racional) fornecida pelo conhecimento. (...) Dando ao povo o lugar da incultura, o dominante pode afirmar que a ‘plebe é temível’ porque movida por impulsos passionais (...).” (1981)

A mulher do parque de Perdizes era, além de tudo, uma sexista falocrata, uma reacionária tacanha, dessas capitalistonas bem mesquinhas. Engoli minha revolta sem responder, o olhar fixo nos olhos dela, para ver se a constrangia. É que eu, enfraquecida, fiz uma inoportuna associação de idéias naquele momento, com um fato bizarro da história da minha vida: lembrei que no ônibus em que eu vim de Recife para São Paulo como retirante, nos idos de 1969, fizemos amizade com uma mulher paulistana e seus dois filhos meninos, que voltavam de férias nas praias do Nordeste – os filhos e a mulher eram lindos, pele boa, cabelo brilhoso, roupa rica, fala toda delicada, gente que a gente só via na TV. Meus irmãos e eu, crianças mirradas, paupérrimas e matutas ficamos encantados. Alguém perguntou o nome do bairro em que eles moravam em São Paulo e a mulher respondeu: “Perdizes.” Nunca me esqueci disso. Talvez porque tenha achado o nome também lindo. Nunca tinha ouvido falar. Hoje, quarenta anos depois, moro muito perto deste bairro e minha vida não faz o menor sentido – ou talvez fizesse se a mulher do parque fosse aquela mesma do ônibus, hoje caricatural e bruxa, aquela que, na minha consciência de classe, aprendi a odiar.

Marilene Felinto é escritora.

fonte:www.carosamigos.com

domingo, 23 de agosto de 2009

Grande imprensa, subtexto do Serrismo


Gilson Caroni Filho,

A mídia nacional é um subtexto do serrismo e seus métodos de mentira e truculência. Ao contrário da versão grega, as cassandras de redação não têm sensibilidade ou lucidez. Por elas, Tróia seria aniquilada sem problema.


Novamente, como costuma fazer em ano pré-eleitoral, a imprensa decreta que o Partido dos Trabalhadores está em crise, dividido irremediavelmente, com sua direção nacional politicamente aniquilada, envolvida em negociações ?não republicanas", colidindo frontalmente com os valores morais aceitos pela opinião pública. Os editoriais não deixam dúvida: o quadro escuro ficou mais negro e a crise mais ameaçadora. A Cassandra midiática implora a Príamo que destrua o cavalo de madeira para salvar Tróia.

Tal como em 2005, os jornalões repetem a ladainha: o partido está acabado, nele não resta mais nenhum espírito transformador, nenhum impulso vital, nenhum princípio a defender. Ao trocar a luta social pelo poder de Estado, fortaleceu um aparato de dominação que impediu o renascimento do político sob novas práticas. O poder, por si só, sem o pulsar dialético de fins e meios, levou ao pragmatismo fisiológico e ao bolchevismo patrimonialista. É a opinião de Serra transmutada em certeza editorial.

A expectativa nas redações, na quarta-feira, 19 de agosto, era de que os senadores petistas, cedendo à pressão do noticiário e de olho no eleitorado de classe média, votassem pela reabertura das representações contra o presidente da Casa, José Sarney. Mas as coisas não saíram conforme o script. Ideli Salvatti (SC), Delcídio Amaral (MS) e João Pedro (AM) votaram contra a admissibilidade das ações. Segundo O Globo, o PT foi decisivo para ?enterrar as investigações."

Foi o que bastou para Cassandra declarar que o partido, ?tendo rasgado a bandeira da ética, se transformou numa sublegenda do lulismo" Estava instalada uma nova "crise". O senador Flávio Arns (PR) abandonou a legenda e Aloísio Mercadante ameaçava renunciar ao cargo de líder. O novo fracasso da grande mídia corporativa não seria engolido a seco. Era fundamental mostrar as perdas do outro lado. Mesmo que elas não tivessem a dimensão desejada. A ação foi suficientemente pedagógica para ser ignorada.

Cabe à militância aproveitar o momento para fazer uma pequena reflexão. Talvez a palavra crise possa ser entendida, em referência ao petismo, com sentidos muito diversos. Pode ser compreendida de modo malévolo: o partido debilitado, apêndice de um projeto de poder que o desfigurou por completo. É a leitura da direita e de um tipo de esquerdismo sem qualquer compromisso com a governabilidade.

Mas a crise também pode ser assimilada com um sentido favorável: pode-se dizer que o PT se desenvolve em compasso com a dinâmica histórica, através de suas próprias contradições, e esta é a sua maneira de evoluir e amadurecer. Todo o problema se resume em caracterizá-la, saber o que dela dizer. Ou não foi assim que o partido travou os embates mais chegados à classe trabalhadora, obtendo avanços incontestáveis?

Lutando pela reforma agrária, pelo direito de greve, pelo salário-desemprego, por eleições diretas, o PT acumulou força e capital político. Aos que falam do abandono de antigas bandeiras cabe perguntar se alguém acredita que estamos diante dos mesmos desafios de 1980? Agimos politicamente ou reagimos por pura e simples denegação?

Qual a autoridade moral da imprensa para falar de uma crise entre teoria e prática em uma agremiação de esquerda? Que código ético lhe autoriza a cobrança? Onde foi que a divergência entre ambas não se estabeleceu no decurso do processo político? Onde estão as cláusulas dessa falsa fatura?

Qualquer ator do campo democrático-popular deve saber que a satisfação de permanecer fiel às mesmas posturas dos tempos de fundação é, além de ilusória, ridícula. Necessário é enfrentar as questões do Estado, deixando claro qual o significado concreto do que definimos como transformação da realidade social. Só assim avançamos e progredimos teoricamente.

Instituir uma luta contra o reacionarismo, no sentido de conhecer qual a força, o núcleo e o terreno de sua ação leva a um confronto inevitável com a grande imprensa. Esse é um ponto que se coloca como questão prática, isto é, como questão em torno do movimento, da luta e do futuro de uma esquerda viável.

O que se observa no Brasil há algum tempo, e mais caracterizadamente nos últimos anos, é que pouco a pouco a atuação do jornalismo partidarizado vai de encontro aos interesses de uma sociedade democrática. Um acompanhamento analítico da produção de notícias desvenda a engrenagem das redações. A unificação editorial não deixa dúvida: a mídia nacional é um subtexto do serrismo e seus métodos de mentira e truculência. Ao contrário da versão grega, as cassandras de redação não têm sensibilidade ou lucidez. Por elas, Tróia seria aniquilada sem problema.

PS: Após conversa com o presidente Lula, o senador Mercadante decidiu manter o cargo de líder. O site de O Globo não perdoou. Abaixo da chamada "Lula me deixa numa situação em que não posso dizer não", o editor formulou uma sugestiva pergunta :"Como fica a biografia de Mercadante agora?" Perda de tempo da família Marinho. Na esquerda, o que define a reputação de um homem público é sua combatividade. Enquetes nada significam

fonte:www.imprensaindependente.org

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Consumismo Infantil, um problema de todos!




Ninguém nasce consumista. O consumismo é uma ideologia, um hábito mental forjado que se tornou umas das características culturais mais marcantes da sociedade atual. Não importa o gênero, a faixa etária, a nacionalidade, a crença ou o poder aquisitivo. Hoje, todos que são impactados pelas mídias de massa são estimulados a consumir de modo inconseqüente. As crianças, ainda em pleno desenvolvimento e, portanto, mais vulneráveis que os adultos, não ficam fora dessa lógica e infelizmente sofrem cada vez mais cedo com as graves conseqüências relacionadas aos excessos do consumismo: obesidade infantil, erotização precoce, consumo precoce de tabaco e álcool, estresse familiar, banalização da agressividade e violência, entre outras. Nesse sentido, o consumismo infantil é uma questão urgente, de extrema importância e interesse geral.

De pais e educadores a agentes do mercado global, todos voltam os olhares para a infância − os primeiros preocupados com o futuro das crianças, já os últimos fazem crer que estão preocupados apenas com a ganância de seus negócios. Para o mercado, antes de tudo, a criança é um consumidor em formação e uma poderosa influência nos processos de escolha de produtos ou serviços. As crianças brasileiras influenciam 80% das decisões de compra de uma família (TNS/InterScience, outubro de 2003). Carros, roupas, alimentos, eletrodomésticos, quase tudo dentro de casa tem por trás o palpite de uma criança, salvo decisões relacionadas a planos de seguro, combustível e produtos de limpeza. A publicidade na TV é a principal ferramenta do mercado para a persuasão do público infantil, que cada vez mais cedo é chamado a participar do universo adulto quando é diretamente exposto às complexidades das relações de consumo sem que esteja efetivamente pronto para isso.

As crianças são um alvo importante, não apenas porque escolhem o que seus pais compram e são tratadas como consumidores mirins, mas também porque impactadas desde muito jovens tendem a ser mais fiéis a marcas e ao próprio hábito consumista que lhes é praticamente imposto.

Nada, no meio publicitário, é deliberado sem um estudo detalhado. Em 2006, os investimentos publicitários destinados à categoria de produtos infantis foram de R$ 209.700.000,00 (IBOPE Monitor, 2005x2006, categorias infantis). No entanto, a publicidade não se dirige às crianças apenas para vender produtos infantis. Elas são assediadas pelo mercado como eficientes promotoras de vendas de produtos direcionados também aos adultos. Em março de 2007, o IBOPE Mídia divulgou os dados de investimento publicitário no Brasil. Segundo o levantamento, esse mercado movimentou cerca de R$ 39 bilhões em 2006. A televisão permanece a principal mídia utilizada pela publicidade. Ao cruzar essa informação com o fato da criança brasileira passar em média quatro horas 50 minutos e 11 segundos por dia assistindo à programação televisiva (Painel Nacional de Televisores, IBOPE 2007) é possível imaginar o impacto da publicidade na infância. No entanto, apesar de toda essa força, a publicidade veiculada na televisão é apenas um dos fatores que contribuem para o consumismo infantil. A TNS, instituto de pesquisa que atua em mais de 70 países, divulgou dados em setembro de 2007 que evidenciaram outros fatores que influenciam as crianças brasileiras nas práticas de consumo. Elas sentem-se mais atraídas por produtos e serviços que sejam associados a personagens famosos, brindes, jogos e embalagens chamativas. A opinião dos amigos também foi identificada como uma forte influência.

Não é por acaso que o consumismo está relacionado à idéia de devorar, destruir e extinguir. Se agora, tragédias naturais, como queimadas, furacões, inundações gigantescas, enchentes e períodos prolongados de seca, são muito mais comuns e freqüentes, foi porque a exploração irresponsável do meio ambiente prevaleceu ao longo de décadas.

Concentrar todos os esforços no consumo é contribuir, dia após dia, para o desequilíbrio global. O consumismo infantil, portanto, é um problema que não está ligado apenas à educação escolar e doméstica. Embora a questão seja tratada quase sempre como algo relacionado à esfera familiar, crianças que aprendem a consumir de forma inconseqüente e desenvolvem critérios e valores distorcidos são de fato um problema de ordem ética, econômica e social.

fonte: Instituto Alana.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Até mais, Marina



Osvaldo Russo,

Com todo o respeito e admiração que merece a senadora Marina Silva, mas falar em construção programática com um partido (Partido Verde) que se subordina a governos e interesses do PSDB e do DEM é de flagrante contradição política.

Se para ela não foi um processo fácil decidir sair do PT, para os que continuam é difícil entender a eficácia de sua opção ao reconhecer ela mesma que ajudou no PT “a construir o sonho de um Brasil democrático, com justiça e inclusão social, com indubitáveis avanços materializados na eleição do Presidente Lula, em 2002”.

Mas de que adiantam razões objetivas se ela tem o sentimento sincero de que faz uma “inflexão necessária à coerência com o que acredita ser necessário alcançar como novo patamar de conquistas para os brasileiros e para a humanidade”. Se com Lula e o PT há riscos, imagino como será com o PV e seus aliados hegemônicos de direita.

Tenho a firme convicção de que essa decisão está eivada de equívocos. Quem disse que o PT defende o desenvolvimento material a qualquer custo, em especial em detrimento dos mais pobres e vulneráveis socialmente? Quem disse que a plataforma programática do PT não inclui estrategicamente a sustentabilidade ambiental? As dificuldades internas no PT e, principalmente, no governo Lula, que não é só do PT ou da esquerda, deveriam encorajar Marina a continuar escrevendo a sua bela história de lutas no PT.

Ela reconhece que como ministra do Meio Ambiente do governo Lula participou de importantes conquistas, entre as quais citou a queda do desmatamento na Amazônia, a estruturação e fortalecimento do sistema de licenciamento ambiental, a criação de 24 milhões de hectares de unidades de conservação federal, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade e do Serviço Florestal Brasileiro. Ainda assim, acha que faltaram condições políticas para avançar no campo da visão estratégica de fazer a questão ambiental alojar-se no coração do governo e do conjunto das políticas públicas.

Se ela entende que o PT não mais constitui instrumento político para a construção de seus ideais, eu quero dizer que a recíproca não é verdadeira. O encontro, como ela deseja, com os diferentes setores da sociedade dispostos a se assumir, inteira e claramente, como agentes da luta por um Brasil justo e sustentável, a fazer prosperar a mudança de valores e paradigmas que sinalizará um novo padrão de desenvolvimento para o País nunca foi, não é e não será incompatível com o programa do PT. Ao contrário, da mesma forma que não foi, não é e não será no que diz respeito à defesa da democracia com participação popular, da justiça social e dos direitos humanos.

Recentemente, o Núcleo Agrário, a secretaria do Meio Ambiente e a direção do PT apoiaram a carta de Marina ao presidente da República solicitando vetos a artigos da lei de regularização fundiária na Amazônia. Lula vetou as aberrações da lei introduzidas pelos ruralistas no Congresso Nacional. Agora mesmo, depois de tantos desencontros com o governo sobre a questão agrária, o MST reconhece que obteve uma conquista histórica para a Reforma Agrária. O Núcleo Agrário e a direção do PT ajudaram nessa construção histórica e, desde o início, apoiaram o Acampamento Nacional em Brasília e as mobilizações nos estados. Em nenhum momento, o governo obstaculizou a nossa ação partidária. Ao contrário, aprofundou o diálogo com o movimento social e fez avançar as mudanças que são necessárias à Reforma Agrária no Brasil.

De qualquer modo, independentemente da forma-partido ou das formas de luta por ela escolhidas estaremos juntos não só no Acre, como Marina carinhosamente se referiu ao seu estado natal e aos companheiros de embates, mas em todo o País, porque as searas juntas cultivadas não morrerão, continuarão a frutificar pelo Brasil que queremos.

Osvaldo Russo é coordenador do Núcleo Agrário Nacional do PT

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Dados interessantes!




Uma estatística recém-divulgada pelo Ministério do Desenvolvimento Social derrubou outra tese defendida pelos críticos mais ferrenhos do Bolsa Família: a de que o programa alimenta a vadiagem do povo brasileiro. Desde a sua criação, há quatro anos, 60.165 famílias beneficiadas pediram voluntariamente o seu desligamento. “É a prova de que os pobres não estão se acomodando”, avaliou o ministro Patrus Ananias.

Nos últimos dias, trechos de cartas encaminhadas por ex-beneficiários, a solicitar o cancelamento dos pagamentos, ganharam as páginas dos jornais. Alguns trazem relatos comoventes, como o da ajudante de serviços gerais Sueli Miranda, de 47 anos, reproduzido pelo diário O Estado de S. Paulo: “Bom dia! Eu, Sueli Miranda de Carvalho Silva, venho, por meio destas linhas, agradecer os idealizadores do Bolsa Família, os anos que fui beneficiada. Ajudou-me na mesa, o pão de cada dia. Agora, empregada estou e quero que outro sinta o mesmo prazer que eu, de todo mês ser beneficiada. Obrigada”.

Mais da metade dos pedidos de desligamento (34.185) vieram de famílias residentes nas regiões Sul e Sudeste do Brasil. De acordo com Rosani Cunha, secretária nacional de Renda e Cidadania, a justificativa mais comum para o pedido de cancelamento do benefício é o aumento da renda familiar.

Atualmente, o programa Bolsa Família atende 11,2 milhões de beneficiários em todo o País. A secretária garante que o cadastro está em constante renovação. Desde junho de 2006, informa, quase 2,7 milhões de famílias deixaram o programa, seja por vontade própria, seja em razão de inadequações apresentadas por auditorias.

fonte: www.cartacapital.com.br

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

O Governo Municipal de Sodoma e Gomorra.




Sodoma e Gomorra são, de acordo com a Bíblia judaico-cristã, duas cidades que teriam sido destruídas por Deus com fogo e enxofre descido do céu.
Segundo relato bíblico as cidades e seus habitantes foram destruídos por Deus devido à prática de atos imorais.

Fazendo uma analogia com as duas cidades e os acontecimentos ocorridos aproximadamente 4000 anos atrás, nos dias de hoje, em pleno século XXI, podemos achar uma cidade, não com o nome muito parecido nem de Sodoma e nem de Gomorra, mas que tem uma gestão onde atos imorais, constantemente são evidenciados pelos meios de comunicação, através dos membros que foram escolhidos pelo povo para governar.

Em menos de nove meses de sua segunda gestão, o governo municipal, gerenciado por um Médico da elite dominante de Sorocaba, não tem controle sobre os acontecimentos do grupo que ele próprio, (o prefeito), escolheu para ajudá-lo em sua gestão.

A troca de secretários, por acusações de atos imorais, já tornou desculpas rotineiras do prefeito, que em suas propagandas, divulga Sorocaba como a melhor cidade para se morar, praticamente uma cidade santa. Nos slogans Sorocaba é: a cidade da Educação, a cidade verde, a cidade cidadã, acidade não sei o que, a cidade não sei que lá..... Porém, o que presenciamos são justificativas, atrás de justificativas da administração, sobre suas nomeações de acordos políticos, onde todo mundo faz o que quer e depois o prefeito justifica.

No ultimo episodio da novela dos “Secretários to nem ai”, o prefeito reacionário, aparece através de uma nota na imprensa local, exonerando o Secretário de Administração, Januário Renna, depois de ter sido flagrado em um motel do município de ITU - SP, com duas adolescentes, uma de 14 e a outra de 15 anos.

A exoneração de Januário Renna, naturalmente aconteceria, porém, a moralização do governo atual, passa por uma reforma administrativa profunda e, o fim de acórdão político, para que a prefeitura possa, obviamente no futuro, ser chamada pelo prefeito de cidade exemplar para se viver.

Infelizmente o enxofre está caro e o maçarico também, mas podemos destruir esse modo Sodoma e Gomorra de governar, nas eleições que virão pela frente, dando um basta nessa pequena classe dominante que reina em Sorocaba e no Estado de São Paulo a mais de 30 anos.

Lucio Costa - Psicólogo

domingo, 16 de agosto de 2009

Doador de medula óssea já pode se cadastrar em Sorocaba.




Conquista é classificada como primeiro passo para avanços futuros.


Hamilton destacou que conquista é primeiro passo para criação de um Programa Permanente de Transplante de Medula Óssea no estado de SP.
A inauguração, na manhã desta sexta-feira (14/8), do serviço de cadastramento de doadores de medula óssea no Hemonúcleo de Sorocaba, foi apontada como histórica e um primeiro passo para avanços futuros. Para a presidente da ONG "Asa Morena", Edna Ferreira Firmino, o próximo passo é a criação de um centro de transplantes de medula óssea em Sorocaba, enquanto para o deputado estadual Hamilton Pereira (PT) o ideal é que o estado de São Paulo tenha um Programa Permanente de Transplante de Medula Óssea (Promedula).

Segundo Edna, a borboleta que estampa a logomarca da Asa Morena representa a metamorfose. "A nossa metamorfose nos levará à criação de uma área de Oncohematologia no Conjunto Hospitalar de Sorocaba", apontou Edna. José Augusto Barreto, superintendente da Colsan (Associação Beneficente para Coleta de Sangue), que gerencia o Hemonúcleo de Sorocaba, afirmou que a empresa já oferece suporte tecnológico na área de sangue para que o município tenha um centro de transplantes de medula.

A superação de barreiras ideológicas foi apontada por alguns participantes como fator primordial para a concretização do serviço. "Todos foram muito receptivos e nos deram apoio incondicional", destacou Nerli Peres, fundadora da ONG Asa Morena. "Essa ação de hoje deve ter na sua essência o exemplo de união e preocupação em atender a necessidade do próximo", observou o diretor regional de saúde, Dr. Antonio Carlos Nasi.

Hamilton Pereira destacou o trabalho da Asa Morena. "Vocês não sonham apenas; arregaçam as mangas e vão à luta", afirmou. Também classificou os envolvidos na luta para cadastramento de doadores em Sorocaba como "parceiros na luta pela vida". Segundo o parlamentar, o Projeto de Lei de sua autoria que cria o Promedula será readequado e reapresentado na Assembleia Legislativa de São Paulo.

A Colsan (Associação Beneficente para Coleta de Sangue), responsável pela administração do Hemonúcleo, fará a coleta, o armazenamento e o envio do sangue para a Unicamp, onde será feito o exame HLA (de Histocompatibilidade), para verificar a compatibilidade entre possíveis doadores e pacientes. O cadastramento dos doadores no REDOME (Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea) será realizado pela própria Unicamp.

Histórico

A conquista é resultado de uma articulação da ONG "Asa Morena" com o mandato do deputado estadual Hamilton Pereira (PT). A articulação para transformação do Hemonúcleo de Sorocaba num centro de cadastramento de doadores de medula óssea iniciou no mês de março, junto ao Secretário Estadual da Saúde, Luiz Roberto Barradas Barata, quando o mesmo determinou que o serviço fosse acionado "rapidamente".

A partir daí, as articulações passaram a ser feitas junto ao diretor regional de saúde, Antonio Carlos Nasi, o diretor do Conjunto Hospitalar de Sorocaba, Ricardo José Salim, o superintendente da Colsan, Dr. José Augusto Barreto, e os gerentes Médico e Administrativo do Hemonúcleo, Frederico Guimarães Brandão e Élide Corassini.

Fonte:www.hamiltonpereira.org.br

PL para inserção de psicólogos e assistentes sociais nas escolas deve ser votado na terça (18)




O Projeto de Lei (PLC 60/2007), que dispõe sobre a prestação de serviços de psicologia e de assistência social nas escolas públicas de educação básica, poderá ser apreciado pelo Plenário do Senado Federal na terça-feira, 18.

O PL recebe o apoio do Conselho Federal de Psicologia, de diversas entidades da Psicologia e do Conselho Federal de Serviço Social (CFESS) por abrir possibilidade efetiva de estes profissionais contribuírem para o sistema educacional do país.

As organizações estão mobilizadas pela aprovação do relatório do senador Mozarildo Cavalcanti, construída em parceria com o senador Flávio Arns, relator da proposição na Comissão de Assuntos Sociais, que compreendeu a relevância do psicólogo e do assistente social como profissionais parceiros dos gestores, professores, outros trabalhadores e membros da comunidade escolar, que trabalharão na implantação de projetos pedagógicos que promovam a inclusão social, a consolidação de escolas democráticas, bem como na melhoria da qualidade do processo de ensino-aprendizagem e na mediação das relações sociais e institucionais.

Assim, o CFP convoca todos os psicólogos, estudantes e demais cidadãos interessados a insistir com os senadores na aprovação do PLC na forma do substitutivo proposto pelos senadores Flávio Arns e Mozarildo Cavalcanti.

Manifestação defende campanha pela realização da Confecom



Manifestação defende campanha pela realização da Confecom

Nesta sexta-feira (14) cerca de 3 mil pessoas, entre integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), de entidades sindicais, populares e estudantis, fizeram manifestação na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, como parte da Jornada Nacional Unificada de Lutas, convocada pelas centrais sindicais e organizações do movimento social.


A campanha pela realização da 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom) foi uma das bandeiras do ato. Segundo a coordenadora de Comunicação da Federação Nacional dos Trabalhadores do Judiciário Federal e Ministério Público da União (Fenajufe), Sheila Tinoco a convocação da Confecom pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva é uma resposta aos movimentos sociais organizados que batalharam pela realização desta e atende uma dívida histórica.


Sheila discursou, em frente ao Ministério das Comunicações, em nome de todas as entidades presentes. A coordenadora de comunicação da Fenajufe disse que não pode haver restrição nem censuras de temas para o debate na Conferência e que esta tem que ser ampla e democrática com a participação de toda a sociedade civil.


“Temos que trabalhar na construção de uma política de Comunicação para o Brasil na perspectiva da inclusão social”, disse Sheila. Ela reivindicou também a publicação do regimento da Confecom, sem o qual não é possível realizar as etapas locais da Conferência porque as regras, como por exemplo, a eleição de delegados, não estão definidas.


Participaram da manifestação, além das organizações dos trabalhadores, estudantis, as entidades que compõem o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação e representante do Conselho Regional de Psicologia da 1ª Região.


Sheila destacou ainda o lema em apoio à Confecom que o MST levou ao ato: Ir às ruas pela Reforma Agrária no campo magnético e por um Brasil sem latifúndio na comunicação.


A Marcha Nacional da Classe Trabalhadora saiu da Torre de TV, em Brasília, e seguiu em direção à Esplanada do Ministério, onde passou pelos Ministérios do Planejamento, Fazenda e Comunicações.


Sistema Conselhos de Psicologia


O Conselho Federal de Psicologia e os Conselhos Regionais vêm continuamente lutando pela promoção de uma comunicação democrática no Brasil. Por entender que os meios de comunicação interferem e até pautam o diálogo no relacionamento das pessoas, o Sistema Conselhos de Psicologia julga necessário um controle rigoroso desses veículos por parte da sociedade.


Algumas das ações voltadas para esse fim foram a mobilização para realização da I Confecom, agendada para dezembro de 2009 e o Seminário Preparatório para a I Conferência Nacional de Comunicação: Contribuições da Psicologia, promovido pelo CFP, com o objetivo de preparar psicólogas e psicólogos para atuarem como delegados nas etapas da Conferência e também fortalecer e embasar as discussões de conteúdo na mesma.


O Seminário aprofundou a discussão sobre as relações entre o projeto de conferências públicas e a implementação das políticas de governo, abordando também as contribuições do movimento social e da Psicologia. Discutiu ainda as teses propostas pelo Sistema Conselhos de Psicologia para a Conferência (Pelo fim da Publicidade Dirigida às Crianças; Pelo Fim da Publicidade de Bebidas Alcoólicas; Exploração da Imagem da Mulher, do Homem, das Crianças e Adolescente na Mídia; Controle Social da Mídia; Mídia e Trânsito) e as estratégias de participação, mobilização e articulação com as demais entidades historicamente comprometidas com a democratização da comunicação.

Fonte: www.pol.org.br

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Mais uma da Folha de SP.



Carta pública de Antonio Roberto Espinosa

Jornalista, professor de Política Internacional, doutorando em Ciência Política pela USP, autor de "Abraços que sufocam" E outros ensaios sobre a liberdade e editor da Enciclopédia Contemporânea da América Latina e do Caribe.

Caros amigos,

A Folha de São Paulo preparou uma "armadilha" para a Dilma usando uma entrevista que concedi a uma das suas repóteres da sucursal de Brasília. Encaminhei a carta abaixo à redação. E peço que todos os amigos que a façam chegar a quem acharem necessário: redações de jornais, revistas, emissoras de TV e pessoas que talvez possam ser afetadas ou se sintam indignadas pela má fé dos editores do jornal. Como sabem, sou favorável à transparência, por achar que a verdade é sempre o melhor caminho e, no fundo, revolucionária.
Á coluna painel do leitor

Seguem cópias para o Ombudsman e para a redação. Vou enviar cópias também a toda a imprensa nacional. Peço que esta carta seja publicada na próxima edição. Segue abaixo:

Prezados senhores,

Chocado com a matéria publicada na edição de hoje (domingo, 5), páginas A8 a A10 deste jornal, a partir da chamada de capa "Grupo de Dilma planejou seqüestro de Delfim Neto", e da repercussão da mesma nos blogs de vários de seus articulistas e no jornal Agora, do mesmo grupo, solicito a publicação desta carta na íntegra, sem edições ou cortes, na edição de amanhã, segunda-feira, 6 de abril, no "Painel do Leitor" (ou em espaço equivalente e com chamada de capa), para o restabelecimento da verdade, e sem prejuízo de outras medidas que vier a tomar. Esclareço preliminarmente que:

1) Não conheço pessoalmente a repórter Fernanda Odilla, pois fui entrevistado por ela somente por telefone. A propósito, estranho que um jornal do porte da Folha publique matérias dessa relevância com base somente em "investigações" telefônicas;

2) Nossa primeira conversa durou cerca de 3 horas e espero que tenha sido gravada. Desafio o jornal a publicar a entrevista na íntegra, para que o leitor a compare com o conteúdo da matéria editada. Esclareço que concedi a entrevista porque defendo a transparência e a clareza histórica, inclusive com a abertura dos arquivos da ditadura. Já concedi dezenas de entrevistas semelhantes a historiadores, jornalistas, estudantes e simples curiosos, e estou sempre disponível a todos os interessados;

3) Quem informou à Folha que o Superior Tribunal Militar (STM) guarda um precioso arquivo dos tempos da ditadura fui eu. A repórter, porém, não conseguiu acessar o arquivo, recorrendo novamente a mim, para que lhe fornecesse autorização pessoal por escrito, para investigar fatos relativos à minha participação na luta armada, não da ministra Dilma Rousseff. Posteriormente, por e-mail, fui novamente procurado pela repórter, que me enviou o croquis do trajeto para o sítio Gramadão, em Jundiaí, supostamente apreendido no aparelho em que eu residia, no bairro do Lins de Vasconcelos, Rio de Janeiro. Ela indagou se eu reconhecia o desenho como parte do levantamento para o seqüestro do então ministro da Fazenda Delfim Neto. Na oportunidade disse-lhe que era a primeira vez que via o croquis e, como jornalista que também sou, lhe sugeri que mostrasse o desenho ao próprio Delfim (co-signatário do Ato Institucional número 5, principal quadro civil do governo ditatorial e cúmplice das ilegalidades, assassinatos e torturas).
Afirmo publicamente que os editores da Folha transformaram um não-fato de 40 anos atrás (o seqüestro que não houve de Delfim) num factóide do presente (iniciando uma forma sórdida de anticampanha contra a Ministra). A direção do jornal (ou a sua repórter, pouco importa) tomou como provas conclusivas somente o suposto croquis e a distorção grosseria de uma longa entrevista que concedi sobre a história da VAR-Palmares. Ou seja, praticou o pior tipo de jornalismo sensacionalista, algo que envergonha a profissão que também exerço há mais de 35 anos, entre os quais por dois meses na Última Hora, sob a direção de Samuel Wayner (demitido que fui pela intolerância do falecido Octávio Frias a pessoas com um passado político de lutas democráticas). A respeito da natureza tendenciosa da edição da referida matéria faço questão de esclarecer:

a) A VAR-Palmares não era o "grupo da Dilma", mas uma organização política de resistência à infame ditadura que se alastrava sobre nosso país, que só era branda para os que se beneficiavam dela. Em virtude de sua defesa da democracia, da igualdade social e do socialismo, teve dezenas de seus militantes covardemente assassinados nos porões do regime, como Chael Charles Shreier, Yara Iavelberg, Carlos Roberto Zanirato, João Domingues da Silva, Fernando Ruivo e Carlos Alberto Soares de Freitas. O mais importante, hoje, não é saber se a estratégia e as táticas da organização estavam corretas ou não, mas que ela integrava a ampla resistência contra um regime ilegítimo, instaurado pela força bruta de um golpe militar;

b) Dilma Rousseff era militante da VAR-Palmares, sim, como é de conhecimento público, mas sempre teve uma militância somente política, ou seja, jamais participou de ações ou do planejamento de ações militares. O responsável nacional pelo setor militar da organização naquele período era eu, Antonio Roberto Espinosa. E assumo a responsabilidade moral e política por nossas iniciativas, denunciando como sórdidas as insinuações contra Dilma;

c) Dilma sequer teria como conhecer a idéia da ação, a menos que fosse informada por mim, o que, se ocorreu, foi para o conjunto do Comando Nacional e em termos rápidos e vagos. Isto porque a VAR-Palmares era uma organização clandestina e se preocupava com a segurança de seus quadros e planos, sem contar que "informação política" é algo completamente distinto de "informação factual". Jamais eu diria a qualquer pessoa, mesmo do comando nacional, algo tão ingênuo, inútil e contraproducente como "vamos seqüestrar o Delfim, você concorda?". O que disse à repórter é que informei politicamente ao nacional, que ficava no Rio de Janeiro, que o Regional de São Paulo estava fazendo um levantamento de um quadro importante do governo, talvez para seqüestro e resgate de companheiros então em precárias condições de saúde e em risco de morte pelas torturados sofridas. A esse propósito, convém lembrar que o próprio companheiro Carlos Marighela, comandante nacional da ALN, não ficou sabendo do seqüestro do embaixador americano Charles Burke Elbrick. Por que, então, a Dilma deveria ser informada da ação contra o Delfim? É perfeitamente compreensível que ela não tivesse essa informação e totalmente crível que o próprio Carlos Araújo, seu então companheiro, diga hoje não se lembrar de nada;

d) A Folha, que errou a grafia de meu nome e uma de minhas ocupações atuais (não sou "doutorando em Relações Internacionais", mas em Ciência Política), também informou na capa que havia um plano detalhado e que "a ação chegou a ter data e local definidos". Se foi assim, qual era o local definido, o dia e a hora? Desafio que os editores mostrem a gravação em que eu teria informado isso à repórter;

e) Uma coisa elementar para quem viveu a época: qualquer plano de ação envolvia aspectos técnicos (ou seja, mais de caráter militar) e políticos. O levantamento (que é efetivamente o que estava sendo feito, não nego) seria apenas o começo do começo. Essa parte poderia ficar pronta em mais duas ou três semanas. Reiterando: o Comando Regional de São Paulo ainda não sabia com certeza sequer a freqüência e regularidade das visitas de Delfim a seu amigo no sítio. Depois disso seria preciso fazer o plano militar, ou seja, como a ação poderia ocorrer tecnicamente: planejamento logístico, armas, locais de esconderijo etc. Somente após o plano militar seria elaborado o plano político, a parte mais complicada e delicada de uma operação dessa natureza, que envolveria a estratégia de negociações, a definição das exigências para troca, a lista de companheiros a serem libertados, o manifesto ou declaração pública à nação etc. O comando nacional só participaria do planejamento , portanto, mais tarde, na sua fase política. Até pode ser que, no momento oportuno, viesse a delegar essa função a seus quadros mais experientes, possivelmente eu, o Carlos Araújo ou o Carlos Alberto, dificilmente a Dilma ou Mariano José da Silva, o Loiola, que haviam acabado de ser eleitos para a direção; no caso dela, sequer tinha vivência militar;

f) Chocou-me, portanto, a seleção arbitrária e edição de má-fé da entrevista, pois, em alguns dias e sem recursos sequer para uma entrevista pessoal apelando para telefonemas e e-mails, e dependendo das orientações de um jornalista mais experiente, no caso o próprio entrevistado -, a repórter chegou a conclusões mais peremptórias do que a própria polícia da ditadura, amparada em torturas e num absurdo poder discricionário. Prova disso é que nenhum de nós foi incriminado por isso na época pelos oficiais militares e delegados dos famigerados Doi-Codi e Deops e eu não fui denunciado por qualquer um dos três promotores militares das auditorias onde respondi a processos, a Primeira e a Segunda auditorias de Guerra, de São Paulo, e a Segunda Auditoria da Marinha, do Rio de Janeiro.
Osasco, 5 de abril de 2009

Antonio Roberto Espinosa

Jornalista, professor de Política Internacional, doutorando em Ciência Política pela USP, autor de "Abraços que sufocam" E outros ensaios sobre a liberdade e editor da Enciclopédia Contemporânea da América Latina e do Caribe.

Fonte - www.carosamigos.com.br

Quem morre?

Morre lentamente

quem se transforma em escravo do hábito,

repetindo todos os dias os mesmos trajetos, quem não muda de marca

Não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente

quem faz da televisão o seu guru.

Morre lentamente

quem evita uma paixão,

quem prefere o preto no branco

e os pingos sobre os "is" em detrimento de um redemoinho de emoções,

justamente as que resgatam o brilho dos olhos,

sorrisos dos bocejos,

corações aos tropeços e sentimentos.

Morre lentamente

quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho,

quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho,

quem não se permite pelo menos uma vez na vida,

fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente

quem não viaja,

quem não lê,

quem não ouve música,

quem não encontra graça em si mesmo.

Morre lentamente

quem destrói o seu amor-próprio,

quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente,

quem passa os dias queixando-se da sua má sorte

ou da chuva incessante.

Morre lentamente,

quem abandona um projeto antes de iniciá-lo,

não pergunta sobre um assunto que desconhece

ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.


Evitemos a morte em doses suaves,

recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior

que o simples fato de respirar. Somente a perseverança fará com que conquistemos

um estágio esplêndido de felicidade.

(Pablo Neruda)

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

O SUJO FALANDO DO MAL LAVADO.



Nesses últimos dias, podemos observar a verdadeira guerra declarada entre duas, das mais ricas emissoras de televisão, Rede Globo e a Rede Record.

Com as denuncias apresentadas pelo Ministério Publico de São Paulo contra a Igreja Universal do Reino de Deus e alguns de seus membros, a poderosa Rede Globo de Televisão, inicia os primeiros capítulos de sua mais nova novela, “Os ataques contra a Record”.

Edir Macedo (pastor e fundador da Igreja Universal) e, um dos proprietários da Record é o protagonista dessa novela que tem por objetivo desqualificar, não somente as supostas ações que estão sendo investigadas pelo Ministério Publico, como também, execrar a Record, uma vez que o líder religioso e um dos empresários mais ricos do país, é dono da emissora.

Todos nós sabemos que fazer novela com acontecimentos sociais, a Globo é muito bem qualificada, como por exemplo: a novela Isabela Nardoni; a novela da menina morta pelo namorado Eloá - (e que ao mesmo tempo deu pouca repercussão no conflito em SP, entre os policias militares e os policias civis) - e como tantas outras novelas criadas ao longo de sua existência, seja para direcionar a atenção da população para assuntos que não são de interesse publico, ocultando acontecimentos como uma forma de alienação ou apenas para garantir seu ibope com noticias pontuais e embaladas.

Na outra face, temos a realidade da Record, não muito experiente em teledramaturgia, questiona a idoneidade da Globo e ao mesmo tempo evidencia toda a historia de apoio a ditadura militar e todas as denuncias que constam no passado da emissora rival.

Esse conflito é muito positivo para nós cidadãos, pois as duas maiores fabricas de alienados, produtoras de modelos, de comportamentos, de irrelevância social na maioria de seus programas, evidenciam a maior causa de suas divergências, o ibope do telespectador.

Nós (sociedade), não podemos ficar reféns da disputa desleal, entre emissoras que muito contribuem para que a sociedade permaneça como está, pois o significado da existência da maioria dos meios tele - comunicativos, é o retorno financeiro que eles ampliam com a nossa audiência e muito longe passa pelo significado de contribuir com a discussão social, para que nós cidadãos, possamos um dia ter uma sociedade mais justa, mais igualitária e mais humana.

Por isso, libertem-se!!! Leiam, consumam cultura diversifica do tradicional programa televisivo!!

Lucio Costa - Psicologo

Capitalistas, exploradores da inocência!

video


“Será que essas crianças nasceram preconceituosas, ou foram exploradas por informações que as condicionaram a serem excludentes”?!

Lucio Costa – Psicólogo

quarta-feira, 12 de agosto de 2009


Oakland, Califórnia, 1967. Huey Newton (Marcus Chong) e Bobby Seale (Courtney B. Vance) são amigos, que formam um novo partido dedicado em proteger os negros das violentas arbitrariedades dos policiais brancos. O Partido dos Panteras Negras de Autodefesa dá almoço grátis para as crianças, educa a comunidade afro-americana em se conscientizar dos seus direitos, faz o que pode para tirar das ruas os traficantes de drogas e enfrenta a polícia de Oakland (que é extremamente racista) quando desrespeita os direitos civis dos negros. O partido faz tudo isto sem transgredir alguma lei. Logo brancos conservadores começam se sentir incomodados e planejam se livrar desta "ameaça", mesmo que tenham de desrespeitar a lei.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Vitimas produtoras da indiferença.


A violência tem nos imposto decisões cruéis: estamos entre o medo e a necessidade de existir; entre a indignação e a indiferença no conviver. A causa maior da brutalidade dos atos, principalmente, entre e dos jovens tem raiz no fracassado processo educacional (e não digo apenas em relação às escolas) e no descaso das instituições e dos indivíduos do verdadeiro papel social e político aos quais todos, de maneira direta ou indiretamente, somos responsáveis.

De um lado, temos comunidades carentes de alimento, de cultura, de trabalho, de educação, de lazer, de amor e, de outro, uma sociedade insatisfeita, insegura, omissa, egoísta, que se julga vítima e acuada, sitiada em um mundo que se esgueira à margem da ebulição da “massa” que a qualquer momento parece explodir. Se as escolas públicas e seus professores e os pais se veem perdidos com o que fazer para “atrair” a atenção dos jovens, se sentem desestimulados em passar conceitos e valores que os tornarão homens de bem, nas escolas particulares esses parecem conseguir, até certo ponto, realizarem essa proeza com pertinaz eficácia.

Eficientemente?! Talvez. Afinal, há uma consciência quase que coletiva e porque não dizer histórica (faz parte do discurso das elites) da importância em se tornarem profissionais elitizados, todos querem ser sujeitos de sucesso (isso significa fama e dinheiro): médicos, advogados, fisioterapeutas, físicos, engenheiros, arquitetos, psicólogos, biólogos (nessas instituições particulares praticamente ninguém fala em ser professor!).

Isso é ótimo! (não o fato de não quererem ser professores!) Afinal, são as elites que tem acesso a um ensino de qualidade, podem competir entre si para conquistar as mais disputadas vagas, podem ocupar as mais desejadas cadeiras das universidades e, a partir de então, formados, e exercendo brilhantemente suas profissões, os médicos poderão atender nos grandes hospitais os feridos, vítimas da guerra urbana que atinge caoticamente por meio da violência os indivíduos de bem (ou não); os advogados estarão às portas das cadeias para tentar discriminar ora os bandidos impiedosos do tráfico e das ruas que acuam e assaltam e ferem e torturam e matam, ora os grandes chefões disfarçados de políticos que roubam e desviam e corrompem e exploram a população ignorante ou passiva; os engenheiros e arquitetos trabalharão para elaborar moradias que são verdadeiras fortalezas de proteção, refúgio seguro para seus filhos, sua família, para aqueles que podem pagar; os fisioterapeutas, os psicólogos terão muito trabalho perante uma sociedade doente, deprimida, amedrontada, muito pânico para ser superado; os biólogos e químicos trabalharão exaustivamente para produzir remédios cada vez mais eficazes para curar a alma e o corpo dos adoecidos; enfim, cada qual estará muito ocupado para olhar para as mazelas que envolvem a humanidade, para responsabilizar-se por quem e o que quer que seja. Isso tudo porque foram “treinados”, direcionados a introspectivamente observarem somente o mundo paralelo para o qual foram condicionados e que faz parte de sua realidade.

Infelizmente, na maioria das escolas particulares, os futuros homens aprendem a cuidar apenas daquilo que poderá causar ou gerar prazer, bem estar pessoal, conforto para si e para os seus. O resto, bem o resto, não é responsabilidade deles, são apenas culpados pela própria sorte.
Parece também não ser responsabilidade do professor (muitos nos demonstram isso) fazer com que essa cultura permaneça. Não parece ser da responsabilidade do professor contribuir para humanização de seus alunos, o que importa são os números, o bom professor é aquele que propicia a entrada nas faculdades e este tem sido seu maior desafio. Não importa se os futuros médicos se preocupem com os míseros adoentados que amontoados nos corredores agonizam a espera da sorte; que os futuros advogados não sejam ativistas que lutam, não para defender os grandes mandantes, mas para incriminá-los e exigir que exerçam com honestidade seus mandatos; que os arquitetos e engenheiros não busquem soluções para uma morada digna e uma vida saudável; e que os laboratórios por meio dos seus brilhantes químicos e biólogos não encontrem soluções para a cura de doenças e hábitos saudáveis de vida; e, que os psicólogos tratem apenas da alma daqueles que padecem transtornos e pagam caro por uma sessão.

Talvez, isso tudo seja consequência do simples fato de que o professor tenha deixado de ser o Mestre e de que o aluno deixou de ser Discípulo. O Mestre é aquele que ensina algo a mais do que conhecimento, ele é espelho, portanto, desperta o desejo em “tornar-se igual a”; já, o professor parece despertar pena, tão insignificante tornou sua presença na sala de aula, principalmente, com a chegada dos sites de busca que diferente do professor domina todas as matérias e tudo sabe, sempre tem não uma, mas muitas respostas e com uma rapidez impressionante!

É preciso que as universidades formem Mestres e que estes sejam preparados para falar, discutir, apontar, orientar e aconselhar sobre questões que envolvem o valor da vida, o respeito ao próximo, a preocupação com o outro...que as matérias mais discutidas sejam as causas dos problemas, a falta de solidariedade, o desamor, o mal... e, que num futuro próximo, o grande problema a ser resolvido seja o excesso de amor e não a indiferença a ele.

Maria Ilza Zirondi

Professora e Doutoranda em Estudo da Linguagem
Site:www.carosamigos.com.br

Jornalismo lambe-botas

Tem gente que acha que é conto da carochinha. Ou que a gente exagera. Pois na noite desta quarta-feira, dia 5 de agosto de 2009, a TV Globo e William Waack mostraram que não. Poucas vezes vi uma matéria tão subserviente ao imperialismo. Poucas vezes um jornalista se curvou tanto. Se é que se pode usar o termo; jornalista, pra mim, é outra coisa. Na verdade, faltou pouco pro WW pedir um autógrafo ao general estadunidense. É realmente lamentável a cena. O apresentador (este sim, um termo mais apropriado) que enche a boca para esculhambar trabalhadores e favelados brasileiros, se derrete todinho para o assessor de Obama. Olheiras, talvez de quem não tenha dormido pensando na entrevista, perguntinhas vagabundas e, no final, um sorriso emocionado, agradecendo a oportunidade pelo momento. E tudo falado em inglês, claro, a língua do dominador.

A matéria propriamente dita (leia/assista aqui) faz parecer um grandissíssimo negócio permitir que os EUA explorem o pré-sal brasileiro, avaliado na ordem de trilhões de dólares. Em troca, receberíamos ajuda militar. Que grande bênção! Waack, por exemplo, descreve os marines como “a tropa mais aguerrida dos EUA”. Que o digam os civis iraquianos mutilados de hoje, ou os vietnamitas de ontem…

O WW ainda arruma espaço para atacar Hugo Chávez, fingindo esquecer que não foi um país chamado Venezuela quem apoiou uma ditadura sangrenta que sequestrou, torturou e matou milhares de brasileiros.

Só mesmo num país controlado por uma ditadura midiática matérias como essa vão ao ar impunemente. Um verdadeiro atentado à memória das vítimas dos anos de chumbo. Uma agressão à inteligência do telespectador. Um desserviço à sociedade.

Não é possível que o Brasil, país com 191 milhões de habitantes, continue sendo controlado pela SS, a Sociedade Sinistra que congrega Globo, RedeTV, Band, Gazeta, SBT e Record. Não é possível que apenas uma delas detenha metade da audiência e 70% das verbas publicitárias. E que justamente essa faça propaganda deliberada do imperialismo, da exploração das riquezas do país.

Estas emissoras precisam ser destruídas. Não têm nenhum compromisso com o povo brasileiro, esse, sim, único e legítimo dono das concessões públicas de radiodifusão. O modelo de sociedade defendido pelas corporações de mídia é perverso, como explica o geógrafo Milton Santos, fundado na tirania da informação e do dinheiro, na competitividade, na confusão dos espíritos e na violência estrutural, acarretando o desfalecimento da política feita pelo Estado e a imposição de uma política comandada pelas empresas. Este sistema precisa ser destruído!

Em seu lugar devemos construir uma outra comunicação, que promova a elevação cultural, que eduque, que respeite os seres humanos e que esteja ao lado do povo na defesa de suas riquezas, de seu trabalho, de sua vida. E que jamais se curve frente aos generais do Império!

Por Marcelo Salles, 06.08.2009 - http://www.fazendomedia.com/?p=442

O Conselho Tutelar precisa de tutela.

Há mais de uma década o conselho tutelar de Sorocaba passa por uma série de irregularidades e, mais que isso, sofre de total abandono por parte do poder publico local, que há mais de 12 anos é gerenciado pelo mesmo grupo político na cidade, liderado pelo PSDB.

O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) rompe com o atendimento do Código de Menores, que tratava as crianças e os adolescentes como adultos-mirins, não sendo reconhecidas as peculiaridades do desenvolvimento inafato-juvenil, não garantindo a assistência plena, rotulando o menor infrator e o menor abandonado como sendo a mesma coisa, encaminhando-os para o mesmo local, as chamadas Casas de Custódia, dentre outras agressões contra o desenvolvimento que o código permitia que acontecesse.

Os conselhos tutelares nascem no ECA, com a intenção de aproximar o poder público e as políticas públicas de atenção à infância e à juventude, colocando como representante da garantia dos direitos da criança e do adolescente, conselheiros comunitários, escolhidos pela comunidade através de eleição.

A Resolução 75 do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (CONANDA) preconiza que a cada 200 mil habitantes, exista um conselho tutelar para garantir melhor atendimento à população.

O ECA preconiza que cada conselho tutelar tenha 5 conselheiros, não podendo ter mais, nem menos, uma vez que qualquer quantidade maior ou a menor de conselheiros torna-se inconstitucional. Além disso, o Estatuto atribui ao poder público municipal a responsabilidade de garantir estrutura integral, assim como assumir as despesas do conselho tutelar decorrentes de seu trabalho.

Sorocaba caminha na contra mão da história.

Por concentrar uma fortíssima economia, Sorocaba cresce em ritmo acelerado, atraindo novos investimentos empresariais e caminhando para ser uma região metropolitana. Em paralelo, por falta de políticas públicas municipais na distribuição de renda, Sorocaba cresce em suas problemáticas sociais, tendo um agravamento dos problemas familiares, que diretamente estão ligados aos problemas do abando à infância e juventude.

Face a essa realidade, Sorocaba não consegue garantir um atendimento mínimo do que preconiza o ECA, uma vez que descumpre os parâmetros constitucionais, apresentando à juventude sorocabana, uma segunda forma de abando, o abando estatal.

Sorocaba contava com 2 conselhos tutelares, com 5 conselheiros cada: Conselho Norte e Conselho Sul. Esses dois conselhos já eram em número insuficiente para atender a demanda da cidade, sendo necessário a construção de mais um conselho.

Por decisão do prefeito e, sob os olhos da Vara da Infância e Juventude e do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA), há mais de um ano, arbitrariamente, Sorocaba desfez um conselho tutelar e deixou em funcionamento apenas um conselho tutelar, com 8 conselheiros, rasgando o Estatuto da Criança e do Adolescente.

A impressão que se dá é que o prefeito é, ao mesmo tempo, Promotor de Justiça, Juiz de Direito, Conselheiro Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, Secretário de Cidadania e, ainda tenta ser prefeito.

Lucio Costa - Psicólogo

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Somos da Raça Humana e a luta é nossa!

A nossa sociedade é oriunda em sua essência, de marcas cruéis contra a espécie humana registradas desde sua colonização pelos portugueses. A história nos traz informações e situações de exploração contra um povo chamado de sem alma, mas que habitavam em terras ricas e de belezas jamais vistas pelos europeus. Com a catequização dos índios, a oligarquia do cristianismo, escravizou aquele povo para servirem de homens “maquinas” aos senhores feudais que sugavam e extraiam de maneira injusta, todo ouro e pedras preciosas encontradas em solo brasileiro. Depois de certo tempo, a mão de obra indígena, não dará mais conta de ostentar os desejos e as explorações direcionadas por nossos descobridores. A imigração de negros, trazidos pelos portugueses em navios negreiros, em sua grande maioria da África, veio somar para que nosso país fosse concretamente violentado. A lei do ventre livre e logo depois a abolição da escravatura em 1888, registra uma época de inicio ao fim da escravidão de um povo que nunca foi visto como ser humano. A história registrada nos livros do ensino fundamental e alguns do ensino médio, não revelam as reais condições com que essas pessoas que a vida inteira se dedicaram à construção do nosso país foram “libertadas”. Em 1988 a libertação estava em um papel, porém, não na consciência da sociedade da época. Sem acesso as condições básicas de emprego, de saúde e moradia, os nossos irmãos foram submetidos a construir uma forma de sobrevivência, longe daquela sociedade racista que ainda negava qualquer condição de ser humano para os guerreiros de nossas senzalas. Construindo uma ponte de 1988, para nossa sociedade dita civilizada e moderna, mais precisamente século XXI, façamos uma analise sobre os avanços, no que tange o respeito ao ser humano. Segundo estudos publicados no dia 15/10/2008 pelo Laboratório de Análises Econômicas, Históricas, Sociais e Estatísticas das Relações Raciais, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, portanto 120 anos após a abolição no Brasil, os brancos ganham 93,3% a mais que o homem negro. No caso das mulheres negras, em comparação com as mulheres brancas, as negras ganham 91,9% a menos que as mulheres brancas. Diante de um sistema neoliberal massacrador e a ditadura do ter em detrimento do ser, a sociedade é condenada e se torna refém, dos empresários que ainda concentram a riqueza da nossa nação. Em um país onde a garantia das necessidades básicas não é respaldada pelo Estado, o ser humano encontra-se obrigado a escravizar-se a elite brasileira, como no passado, para manter a sua seguridade social e as necessidades básicas de sua família.Somos historicamente escravizados por uma elite, onde o ser humano é visto como uma ferramenta para fazer a manutenção da riqueza de poucos e da pobreza de muitos. O racismo a nossa negritude, não é por biologicamente os negros serem diferentes dos brancos. O racismo camuflado, nos tempos atuais, é julgado pelo estereotipo da pessoa humana. Ser negro é uma questão de honra para qualquer cidadão brasileiro. Ser negro significa contrapor-se ao sistema neoliberal e a toda injustiça cometida contra a espécie humana. Ser negro representa ser a favor da garantia de direito a todos os cidadãos. Mesmo sendo rotulado “branco” tenho a mais plena certeza, que sou negro.

Lucio Costa - Psicólogo

A verdade como um valor

“Não se aprende Filosofia, mas a filosofar”, já disse Kant. A Filosofia não é um conjunto de idéias e de sistemas que possamos apreender automaticamente, não é um passeio turístico pelas paisagens intelectuais, mas uma decisão ou deliberação orientada por um valor: a verdade. É o desejo do verdadeiro que move a Filosofia e suscita filosofias.
Afirmar que a verdade é um valor significa: o verdadeiro confere às coisas, aos seres humanos, ao mundo um sentido que não teriam se fossem considerados indiferentes à verdade e à falsidade.
Ignorância, incerteza e insegurança
Ignorar é não saber alguma coisa. A ignorância pode ser tão profunda que sequer a percebemos ou a sentimos, isto é, não sabemos que não sabemos, não sabemos que ignoramos. Em geral, o estado de ignorância se mantém em nós enquanto as crenças e opiniões que possuímos para viver e agir no mundo se conservam como eficazes e úteis, de modo que não temos nenhum motivo para duvidar delas, nenhum motivo para desconfiar delas e, conseqüentemente, achamos que sabemos tudo o que há para saber.
A incerteza é diferente da ignorância porque, na incerteza, descobrimos que somos ignorantes, que nossas crenças e opiniões parecem não dar conta da realidade, que há falhas naquilo em que acreditamos e que, durante muito tempo, nos serviu como referência para pensar e agir. Na incerteza não sabemos o que pensar, o que dizer ou o que fazer em certas situações ou diante de certas coisas, pessoas, fatos, etc. Temos dúvidas, ficamos cheios de perplexidade e somos tomados pela insegurança.
Outras vezes, estamos confiantes e seguros e, de repente, vemos ou ouvimos alguma coisa que nos enche de espanto e de admiração, não sabemos o que pensar ou o que fazer com a novidade do que vimos ou ouvimos porque as crenças, opiniões e idéias que possuímos não dão conta do novo. O espanto e a admiração, assim como antes a dúvida e a perplexidade, nos fazem querer saber o que não sabemos, nos fazem querer sair do estado de insegurança ou de encantamento, nos fazem perceber nossa ignorância e criam o desejo de superar a incerteza.
Quando isso acontece, estamos na disposição de espírito chamada busca da verdade.
O desejo da verdade aparece muito cedo nos seres humanos como desejo de confiar nas coisas e nas pessoas, isto é, de acreditar que as coisas são exatamente tais como as percebemos e o que as pessoas nos dizem é digno de confiança e crédito. Ao mesmo tempo, nossa vida cotidiana é feita de pequenas e grandes decepções e, por isso, desde cedo, vemos as crianças perguntarem aos adultos se tal ou qual coisa “é de verdade ou é de mentira”.
Quando uma criança ouve uma história, inventa uma brincadeira ou um brinquedo, quando joga, vê um filme ou uma peça teatral, está sempre atenta para saber se “é de verdade ou de mentira”, está sempre atenta para a diferença entre o “de mentira” e a mentira propriamente dita, isto é, para a diferença entre brincar, jogar, fingir e faltar à confiança.
Quando uma criança brinca, joga e finge, está criando um outro mundo, mais rico e mais belo, mais cheio de possibilidades e invenções do que o mundo onde, de fato, vive. Mas sabe, mesmo que não formule explicitamente tal saber, que há uma diferença entre imaginação e percepção, ainda que, no caso infantil, essa diferença seja muito tênue, muito leve, quase imperceptível – tanto assim, que a criança acredita em mundos e seres maravilhosos como parte do mundo real de sua vida.
Por isso mesmo, a criança é muito sensível à mentira dos adultos, pois a mentira é diferente do “de mentira”, isto é, a mentira é diferente da imaginação e a criança se sente ferida, magoada, angustiada quando o adulto lhe diz uma mentira, porque, ao fazê-lo, quebra a relação de confiança e a segurança infantis.
Quando crianças, estamos sujeitos a duas decepções: a de que os seres, as coisas, os mundos maravilhosos não existem “de verdade” e a de que os adultos podem dizer-nos falsidades e nos enganar. Essa dupla decepção pode acarretar dois resultados opostos: ou a criança se recusa a sair do mundo imaginário e sofre com a realidade como alguma coisa ruim e hostil a ela; ou, dolorosamente, aceita a distinção, mas também se torna muito atenta e desconfiada diante da palavra dos adultos. Nesse segundo caso, a criança também se coloca na disposição da busca da verdade.
Nessa busca, a criança pode desejar um mundo melhor e mais belo que aquele em que vive e encontrar a verdade nas obras de arte, desejando ser artista também. Ou pode desejar saber como e por que o mundo em que vive é tal como é e se ele poderia ser diferente ou melhor do que é. Nesse caso, é despertado nela o desejo de conhecimento intelectual e o da ação transformadora.
A criança não se decepciona nem se desilude com o “faz-de-conta” porque sabe que é um “faz-de-conta”. Ela se decepciona ou se desilude quando descobre que querem que acredite como sendo “de verdade” alguma coisa que ela sabe ou que ela supunha que fosse “de faz-de-conta”, isto é, decepciona-se e desilude-se quando descobre a mentira. Os jovens se decepcionam e se desiludem quando descobrem que o que lhes foi ensinado e lhes foi exigido oculta a realidade, reprime sua liberdade, diminui sua capacidade de compreensão e de ação. Os adultos se desiludem ou se decepcionam quando enfrentam situações para as quais o saber adquirido, as opiniões estabelecidas e as crenças enraizadas em suas consciências não são suficientes para que compreendam o que se passa nem para que possam agir ou fazer alguma coisa.
Assim, seja na criança, seja nos jovens ou nos adultos, a busca da verdade está sempre ligada a uma decepção, a uma desilusão, a uma dúvida, a uma perplexidade, a uma insegurança ou, então, a um espanto e uma admiração diante de algo novo e insólito.
Dificuldades para a busca da verdade
Em nossa sociedade, é muito difícil despertar nas pessoas o desejo de buscar a verdade. Pode parecer paradoxal que assim seja, pois parecemos viver numa sociedade que acredita nas ciências, que luta por escolas, que recebe durante 24 horas diárias informações vindas de jornais, rádios e televisões, que possui editoras, livrarias, bibliotecas, museus, salas de cinema e de teatro, vídeos, fotografias e computadores.
Ora, é justamente essa enorme quantidade de veículos e formas de informação que acaba tornando tão difícil a busca da verdade, pois todo mundo acredita que está recebendo, de modos variados e diferentes, informações científicas, filosóficas, políticas, artísticas e que tais informações são verdadeiras, sobretudo porque tal quantidade informativa ultrapassa a experiência vivida pelas pessoas, que, por isso, não têm meios para avaliar o que recebem.
Bastaria, no entanto, que uma mesma pessoa, durante uma semana, lesse de manhã quatro jornais diferentes e ouvisse três noticiários de rádio diferentes; à tarde, freqüentasse duas escolas diferentes, onde os mesmos cursos estariam sendo ministrados; e, à noite, visse os noticiários de quatro canais diferentes de televisão, para que, comparando todas as informações recebidas, descobrisse que elas “não batem” umas com as outras, que há vários “mundos” e várias “sociedades” diferentes, dependendo da fonte de informação.
Uma experiência como essa criaria perplexidade, dúvida e incerteza. Mas as pessoas não fazem ou não podem fazer tal experiência e por isso não percebem que, em lugar de receber informações, estão sendo desinformadas. E, sobretudo, como há outras pessoas (o jornalista, o radialista, o professor, o médico, o policial, o repórter) dizendo a elas o que devem saber, o que podem saber, o que podem e devem fazer ou sentir, confiando na palavra desses “emissores de mensagens”, as pessoas se sentem seguras e confiantes, e não há incerteza porque há ignorância.
Uma outra dificuldade para fazer surgir o desejo da busca da verdade, em nossa sociedade, vem da propaganda.
A propaganda trata todas as pessoas – crianças, jovens, adultos, idosos – como crianças extremamente ingênuas e crédulas. O mundo é sempre um mundo “de faz-de-conta”: nele a margarina fresca faz a família bonita, alegre, unida e feliz; o automóvel faz o homem confiante, inteligente, belo, sedutor, bem-sucedido nos negócios, cheio de namoradas lindas; o desodorante faz a moça bonita, atraente, bem empregada, bem vestida, com um belo apartamento e lindos namorados; o cigarro leva as pessoas para belíssimas paisagens exóticas, cheias de aventura e de negócios coroados de sucesso que terminam com lindos jantares à luz de velas.
A propaganda nunca vende um produto dizendo o que ele é e para que serve. Ela vende o produto rodeando-o de magias, belezas, dando-lhe qualidades que são de outras coisas (a criança saudável, o jovem bonito, o adulto inteligente, o idoso feliz, a casa agradável, etc.), produzindo um eterno “faz-de-conta”.
Uma outra dificuldade para o desejo da busca da verdade vem da atitude dos políticos nos quais as pessoas confiam, ouvindo seus programas, suas propostas, seus projetos enfim, dando-lhes o voto e vendo-se, depois, ludibriadas, não só porque não são cumpridas as promessas, mas também porque há corrupção, mau uso do dinheiro público, crescimento das desigualdades e das injustiças, da miséria e da violência.
Em vista disso, a tendência das pessoas é julgar que é impossível a verdade na política, passando a desconfiar do valor e da necessidade da democracia e aceitando “vender” seu voto por alguma vantagem imediata e pessoal, ou caem na descrença e no ceticismo.
No entanto, essas dificuldades podem ter o efeito oposto, isto é, suscitar em muitas pessoas dúvidas, incertezas, desconfianças e desilusões que as façam desejar conhecer a realidade, a sociedade, a ciência, as artes, a política. Muitos começam a não aceitar o que lhes é dito. Muitos começam a não acreditar no que lhes é mostrado. E, como Sócrates em Atenas, começam a fazer perguntas, a indagar sobre fatos e pessoas, coisas e situações, a exigir explicações, a exigir liberdade de pensamento e de conhecimento.
Para essas pessoas, surge o desejo e a necessidade da busca da verdade. Essa busca nasce não só da dúvida e da incerteza, nasce também da ação deliberada contra os preconceitos, contra as idéias e as opiniões estabelecidas, contra crenças que paralisam a capacidade de pensar e de agir livremente.
Podemos, dessa maneira, distinguir dois tipos de busca da verdade. O primeiro é o que nasce da decepção, da incerteza e da insegurança e, por si mesmo, exige que saiamos de tal situação readquirindo certezas. O segundo é o que nasce da deliberação ou decisão de não aceitar as certezas e crenças estabelecidas, de ir além delas e de encontrar explicações, interpretações e significados para a realidade que nos cerca. Esse segundo tipo é a busca da verdade na atitude filosófica.
Podemos oferecer dois exemplos célebres dessa busca filosófica. Já falamos do primeiro: Sócrates andando pelas ruas e praças de Atenas indagando aos atenienses o que eram as coisas e idéias em que acreditavam. O segundo exemplo é o do filósofo Descartes.
Descartes começa sua obra filosófica fazendo um balanço de tudo o que sabia: o que lhe fora ensinado pelos preceptores e professores, pelos livros, pelas viagens, pelo convívio com outras pessoas. Ao final, conclui que tudo quanto aprendera, tudo quanto sabia e tudo quanto conhecera pela experiência era duvidoso e incerto. Decide, então, não aceitar nenhum desses conhecimentos, a menos que pudesse provar racionalmente que eram certos e dignos de confiança. Para isso, submete todos os conhecimentos existentes em suas época e os seus próprios a um exame crítico conhecido como dúvida metódica, declarando que só aceitará um conhecimento, uma idéia, um fato ou uma opinião se, passados pelo crivo da dúvida, revelarem-se indubitáveis para o pensamento puro. Ele os submete à análise, à dedução, à indução, ao raciocínio e conclui que, até o momento, há uma única verdade indubitável que poderá ser aceita e que deverá ser o ponto de partida para a reconstrução do edifício do saber.
Essa única verdade é: “Penso, logo existo”, pois, se eu duvidar de que estou pensando, ainda estou pensando, visto que duvidar é uma maneira de pensar. A consciência do pensamento aparece, assim, como a primeira verdade indubitável que será o alicerce para todos os conhecimentos futuros.

Convite à Filosofia - Marilena Chaui - Ed. Ática, São Paulo, 2000.