quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

2010, o ano de muitas lutas pela paz social.




O Blog BOCA QUE FALA, deseja a todos e a todas um próximo ano repleto de muita paz e harmonia.
Sabemos que tanto a paz, quanto a harmonia não vem pela sinergia universal espontaneamente e sim pelo esforço de cada ser humano construir uma sociedade onde todos e todas, tenham seus direitos e necessidades básicas garantidas.
2010 será um ano, onde poderemos continuar caminhando rumo a uma sociedade mais justa e igualitária ou podemos retroceder e tomar um outro rumo onde a maioria da população brasileira continue sendo o alicerce da piramide social e somente algumas pessoas tenham voz, vez e direitos garantidos.

Saudações a todos e a nossa luta continua.

Um feliz 2010.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

“Vamos abrir os arquivos, punição é com o Judiciário”



ENTREVISTA MINISTRO PAULO VANNUCHI

Participaram: Bárbara Mengardo, Cecília Figueira de Mello, Gabriela Moncau, Hamilton Octavio de Souza, Júlio Delmanto, Lúcia Rodrigues, Otávio Nagoya, Renato Pompeu, Tatiana Merlino. Fotos Jesus Carlos
Atual titular da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, o ministro Paulo de Tarso Vannuchi tem sob a sua responsabilidade assuntos delicados e fundamentais para o povo brasileiro, entre os quais a abertura dos arquivos da ditadura civil-militar (1964-1985), o esclarecimento das mortes praticadas por agentes do Estado, a constituição de uma Comissão de Verdade e Justiça, além de todas as outras violações dos direitos humanos que ocorrem cotidianamente pelo país afora, em especial as violências policiais contra os movimentos sociais e as populações pobres – jovens e negros – das favelas e das periferias das grandes cidades.

Nesta entrevista exclusiva para Caros Amigos, o ministro Vannuchi fala um pouco sobre a sua trajetória de vida e o que pensa das questões mais candentes da atual conjuntura dos direitos humanos no Brasil. Vale a pena conferir.

Hamilton Octavio de Souza - A gente começa com um pedido tradicional, que é você falar um pouco da sua trajetória, onde nasceu, estudou, qual a profissão, como chegou a ministro dos direitos humanos.Paulo Vannuchi - Bom, eu sou paulista de São Joaquim da Barra, cuja maior glória é Rolando Boldrim. É uma cidade da região de Ribeirão Preto. Sou filho de um professor de português muito erudito, com longos anos de seminário, e minha mãe era do lar. O meu pai era uma figura que, no tempo da missa em latim, ele transmitia, ia traduzindo a missa pela rádio local. Ele era muito querido, é nome de uma praça hoje lá. Vieram com ele os rudimentos de um humanismo cristão, e muito precocemente eu comecei a ter a preocupação com a questão política e social, muito precocemente.

Lúcia Rodrigues - Com quantos anos?
De um jeito confuso, mas eu chorei no dia da morte do Kennedy. Em seguida comecei a ver nas festas, tinha 12 ou 13 anos, o debate, o Brizola, o Grupo dos 11, e nas festas dos adultos, eu do lado, comecei a ter simpatia pela turma dos brizolistas. Eles eram muito exaltados, na cidade, muito poucos, mas eu percebia que eles eram uma novidade ali. Um ou outro professor da escola, ligado ao PSB da época, colocou algumas idéias, então veio esse despertar. Eu lembro que, quando eu voltava de bicicleta da 4ª série, um amigo me pára pra contar que o João Goulart tinha sido deposto, e eu fui pra casa, chorei, me tranquei no banheiro. Meses depois veio a notícia de que meu tio Aldo foi preso, padre, irmão do meu pai, 11 irmãos, o mais querido, bem mais novo do que meu pai, ficava na idade do meio, mas preso por quê? Preso como comunista, era da JOC (Juventude Operária Católica) de Sorocaba. Hoje ele é reitor da Uniso, não é mais padre, e então acho que aí nasceu a consciência política inicial minha, do meu irmão, do meu primo Alexandre, ele é de 1950, como eu, eu sou de maio e ele de outubro.

Tatiana Merlino - Quando você saiu de São Joaquim da Barra?
Em 1967 foi meu último ano de colegial, já querendo vir pra São Paulo, onde eu comecei a fazer o cursinho de medicina, o Cursinho do Grêmio, que pertencia ao grêmio da Faculdade de Filosofia. Era um bom cursinho para humanas, e que tinha acabado de sofrer o racha que gerou o Equipe. O Equipe sobreviveu e o do grêmio morreu. Eu fui o único aluno do cursinho do grêmio que entrei na medicina da USP. E logo me liguei ao Centro Acadêmico, que, coincidentemente, começava uma nova gestão afinada com a nova UEE, que tinha sido liderada pelo Zé Dirceu. A AP (Ação Popular) tinha a hegemonia nacional. E aí eu já entro logo pro Centro Acadêmico, na eleição daquele ano eu já vou ser eleito secretário. O presidente do centro foi preso antes de mim, o presidente seguinte foi morto. Na medicina nós fazíamos um trabalho muito interessante, não foi fazer só luta armada.

Tatiana Merlino - Você esteve um mês na clandestinidade?
É. Eu consegui escapar, vejo que estão atrás de mim, tento ir atrás para descobrir e descubro de um amigo que a organização tinha pedido um carro emprestado, um carro legal, a organização clandestina tinha carros ilegais. Dez dias depois eu devolvi o carro e ninguém me contou o que foi feito com ele, o meu amigo foi preso porque esse carro tinha sido visto na Belém-Brasília, em alguma região de trabalho rural, de campo, com alguma prisão ocorrendo por lá, e aí quando ele foi preso, logicamente, disse que tinha emprestado o carro para mim, e eu tava no período de conversar com a organização o que eu ia fazer, se eu ia me engajar na militância clandestina ou não, ou se eu ia sair do país, na época era uma alternativa clara, né?

Lúcia Rodrigues - Qual era sua função?
Minha função era pequena, de um militante de uma organização que, em novembro, o Marighella é morto. E começa um fluxo de prisões que rigorosamente não param mais. Em outubro de 70 o substituto dele, Câmara Ferreira, é localizado e morto, e o que aconteceu neste ano e sobretudo depois da morte dele, três meses meus de liberdade, é que havia uma aceleração muito clara do engajamento. Você ficava chamando pessoas que estavam há poucos meses na organização para assumir tarefas. Então nesse momento em que fui preso estava começando a participar dos primeiros treinamentos de operação armada, nenhuma operação de envergadura, nenhum cofre do Ademar, nenhum seqüestro, nada disso, coisinhas pequenas. Eu fui preso em 71, fiquei preso até 76.

Hamilton Octavio de Souza – Quando passou a atuar na campanha do PT?
No governo paralelo o Instituto Cidadania foi o espaço de começar a pensar concretamente a idéia de “vai ser governo”. Então, rigorosamente, o programa de 89 tinha sido um grande improviso que já está todo permeado do sentido de mudança, mas tem coisas do tipo “estatização do sistema financeiro”. Ou seja, a gente acreditava, ali em 89, que seria possível ter um banco só chamado Banco do Brasil, e não tinha Bradesco, não tinha Itaú, e tal. Não sei se seria possível, no caso de vitória, mas da campanha de 89 o Lula saiu com duas coisas: primeiro a idéia de que a gente podia ganhar a eleição. Que, depois de 94, ela caiu um pouco, eu participei muito de conversas se o Lula. Ele passou dois anos querendo que eu fizesse uma carta para ele, para explicar porque ele não iria ser candidato mais. Até 98 ele não era, na hora “agá” o partido o convenceu a ser, numa eleição que estava perdida e eu sabia, eu achei um erro cabal. Depois mudei, porque talvez ele não tivesse vencido a de 2002 se ele não tivesse sido candidato, tem esse fenômeno de recall. Mas aí, depois de 98, ele ficou atazanando e eu falei “Lula, você não devia ser candidato nessa agora, porque o Fernando Henrique ia ganhar, mas na próxima você tem de ser, porque não vai mais ter Fernando Henrique e tal”. E ele, de vez em quando, “e a carta? E a carta?” E em 2000, a eleição municipal deixou claro que – a imprensa escondeu e nós também não soubemos mostrar bem – foi a primeira eleição que o número absoluto de votos no PT ganhava a eleição se fosse federal, e era uma coisa claríssima, porque a eleição de um presidente é mais favorável ao PT do que uma eleição de prefeitos.

Hamilton Octavio de Souza - Como convencer as Forças Armadas a esclarecer o que aconteceu durante a ditadura?Eles fizeram a transição e tiveram a oportunidade de se meter em crises políticas no Brasil, mas não se meteram. No Collor, ficaram quietos e isso tem que ser levado em conta, não no sentido de querer festejar, mas mostrar a análise fria da sociedade que não
é um conjunto de Força Armada que esteja com atitudes de desafio à constitucionalidade, à tentativa de golpe de Estado. Bom, mas agora o que acontece? Quando chega nesse tema de apuração da verdade, é que provavelmente o sentimento corporativo se fecha. Provavelmente quem está no comando hoje não tem a mão suja de sangue, mas foi aluno de, foi subordinado de... Então, nesse sentido é que é preciso fazer essa transição, o esforço dos direitos humanos sem espírito revanchista e de trata-los como inimigos. Pelo contrário, quando eu posso, no meu discurso, eu digo, falo “nós temos que fazer essa transição, esse processamento para nos orgulhar de nossas Forças Armadas”.

Tatiana Merlino - A criação de uma Comissão de Verdade e Justiça não seria pra fazer isso?É a oportunidade e é o passo indispensável, é o sine qua non. Então, o centro da minha atividade, até do ponto de vista pessoal, íntimo, sem eu querer, porque eu sei da minha biografia. Porque eu sei que ao me dedicar a um tema desses haverá quem diga: “esse cara é um ressentido, ele tá preocupado com a tortura que ele sofreu”. Nesse sentido, a alegria que eu tenho quando eu estou nesse processo agora da 8ª Conferência Nacional de Criança e Adolescente, Direitos Humanos é isso. Quando eu estou na 1ª Conferência LGBT, Direitos Humanos é isso. Quando eu tô com as pessoas com deficiência, agora, o que eu tenho consciência é que esses temas todos, o Estado, na sua democratização, veio processando, e o outro não, ficou com bloqueio, ficou com recalque, que nós podemos conversar longamente sobre ele, o meu esforço é pra fazer isso e convencer as Forças Armadas de que se a Justiça mandar pra cadeia uma dúzia, duas dúzias de torturadores, como a Argentina, o Chile, o Uruguai fizeram, o Paraguai, talvez faça agora, mas muito longe, muito oposto de isso representar uma vergonha para as Forças Armadas. Representará para o Brasil a manifestação de que as Forças Armadas aprenderam a distinguir até porque, no período mais terrível do regime, que certamente o Alto Comando de Brasília sabia do que se passava e autorizava, cuidava de não botar nenhuma regra de acusação para tortura.

Lúcia Rodrigues - Quem mais no governo tem que ser convencido disso?
Eu acho que muita gente no governo precisa ser convencida, porque tem muita gente no governo Lula que tem essa característica, que talvez os próximos governos ainda tenham. Enquanto não houver uma profunda reforma política que viabilize isso, os governos serão de coalizão. Porque na aposta da via democrática parlamentar, em que o
parlamento não é visto, e daí eu volto a Norberto Bobbio e ao comecinho de Gramsci que, fala sobre o estado ampliado que se abre à disputa entre o interesse de classe no seu interior. Então, o Brasil de 2009 é um exemplo claríssimo do Estado ampliado, ampliadíssimo, o sujeito que veio de pau-de-arara, que foi preso e tal, virou presidente. Você precisa ter maioria no parlamento, a não ser que você queira romper com a regra e fazer outro tipo de enfrentamento.

Tatiana Merlino - É por isso que os arquivos não foram abertos?
Existe outra proposta de fazer o enfrentamento. Era legítima, eu já defendi isso quando eu tinha 19 anos. Tenho o maior respeito pelo jovem que eu fui. Eu tenho muita certeza de que em muitos aspectos ele foi um jovem melhor do que eu sou. E em outros aspectos eu acho que estou melhor. No fundo não acreditam que será possível qualquer transição com o parlamento, ele vai se aperfeiçoar, terá que ser visto, ele é uma tribuna de debate, de denúncia, para em algum momento criar uma alternativa da ruptura. Pode ser que só a história mostrará isso. Eu não acredito nisso, eu acho que nesse momento
a estratégia é de ir avançando à democracia. Para isso, precisa de ter maioria parlamentar. E o eleitor, nesse momento, racha o voto no meio. Ele dá metade para o Lula e metade para o anti-Lula. Em termos matemáticos, ele põe 100 deputados do Lula e 400 anti-Lula. Então obriga a ter um ministério em que o PMDB tem virado o fiel da balança, talvez saia de novo e que vai ter áreas como Comunicação, Hélio Costa, Agricultura, Stephannes, Defesa, Jobim, que são figuras que têm uma história de vida, um acúmulo inteiramente diferente do Lula, do PT etc. Então nesse sentido é presidencialismo de coalizão. E o presidente Lula, a quem cabe o papel de arbritrar, ele vai definir essa discussão? Ele tem sobre esse tema, em primeiro lugar, uma cabeça, uma visão, uma cultura muito diferente da minha. No meu longo período de assessor nunca tive confusão sobre isso. Até a cabeça do irmão dele Frei Chico, comunista, torturado. Eles sempre tiveram opiniões diferentes. Segundo, nesse momento o Lula é uma figura política que tem em suas preocupações centrais as ideias de moderação e intermediação. Às vezes eu brinco dizendo que, nesses 30 anos de trabalho com o Lula, posso ter ajudado ele em alguma coisa. Eu me sinto muito aluno, brinco muito. Já disse isso pra ele. O Lula quer mudar completamente o Brasil, profundamente, sem deixar nenhuma injustiça em pé. Só que ele gostaria muito de fazer isso sem desagradar ninguém.

Fonte: Revista Caros Amigos

Duas visões de mundo se confrontam em Copenhague



Tanto o aquecimento global quanto as perturbações da natureza e a injustiça social mundial são tidas como externalidades, vale dizer, realidades não intencionadas e que por isso não entram na contabilidade geral dos estados e das empresas. Finalmente o que conta mesmo é o lucro e um PIB positivo. Mas estas externalidades se tornaram tão ameaçadoras que estão desestabilizando o sistema-Terra, mostrando a falência do modelo econômico neoliberal e expondo em grave risco o futuro da espécie humana. O artigo é de Leonardo Boff.

Leonardo Boff

Em Copenhague nas discussões sobre as taxas de redução dos gases produtores de mudanças climáticas, duas visões de mundo se confrontam: a da maioria dos que estão fora da Assembléia, vindo de todas as partes do mundo e a dos poucos que estão dentro dela, representando os 192 estados. Estas visões diferentes são prenhes de conseqüências, significando, no seu termo, a garantia ou a destruição de um futuro comum.

Os que estão dentro, fundamentalmente, reafirmam o sistema atual de produção e de consumo mesmo sabendo que implica sacrificação da natureza e criação de desigualdades sociais. Crêem que com algumas regulações e controles a máquina pode continuar produzindo crescimento material e ganhos como ocorria antes da crise.

Mas importa denunciar que exatamente este sistema se constitui no principal causador do aquecimento global emitindo 40 bilhões de toneladas anuais de gases poluentes. Tanto o aquecimento global quanto as perturbações da natureza e a injustiça social mundial são tidas como externalidades, vale dizer, realidades não intencionadas e que por isso não entram na contabilidade geral dos estados e das empresas. Finalmente o que conta mesmo é o lucro e um PIB positivo.

Ocorre que estas externalidades se tornaram tão ameaçadoras que estão desestabilizando o sistema-Terra, mostrando a falência do modelo econômico neoliberal e expondo em grave risco o futuro da espécie humana.

Não passa pela cabeça dos representantes dos povos que a alternativa é a troca de modo de produção que implica uma relação de sinergia com a natureza. Reduzir apenas as emissões de carbono mas mantendo a mesma vontade de pilhagem dos recursos é como se colocássemos um pé no pescoço de alguém e lhe dissésemos: quero sua liberdade mas à condição de continuar com o meu pé em seu pescoço.

Precisamos impugnar a filosofia subjacente a esta cosmovisão. Ela desconhece os limites da Terra, afirma que o ser humano é essencialmente egoista e que por isso não pode ser mudado e que pode dispor da natureza como quiser, que a competição é natural e que pela seleção natural os fracos são engolidos pelos mais fortes e que o mercado é o regulador de toda a vida econômica e social.

Em contraposição reafirmamos que o ser humano é essencialmente cooperativo porque é um ser social. Mas faz-se egoísta quando rompe com sua própria essência. Dando centralidade ao egoísmo, como o faz o sistema do capital, torna impossível uma sociedade de rosto humano. Um fato recente o mostra: em 50 anos os pobres receberam de ajuda dois trilhões de dólares enquanto os bancos em um ano receberam 18 trilhões. Não é a competição que constitui a dinâmica central do universo e da vida mas a cooperação de todos com todos. Depois que se descobriram os genes, as bactérias e os vírus, como principais fatores da evolução, não se pode mais sustentar a seleção natural como se fazia antes. Esta serviu de base para o darwinismo social. O mercado entregue à sua lógica interna, opõe todos contra todos e assim dilacera o tecido social. Postulamos uma sociedade com mercado mas não de mercado.

A outra visão dos representantes da sociedade civil mundial sustenta: a situação da Terra e da humanidade é tão grave que somente o princípio de cooperação e uma nova relação de sinergia e de respeito para com a natureza nos poderão salvar. Sem isso vamos para o abismo que cavamos.

Essa cooperação não é uma virtude qualquer. É aquela que outrora nos permitiu deixar para trás o mundo animal e inaugurar o mundo humano. Somos essencialmente seres cooperativos e solidários sem o que nos entredevoramos. Por isso a economia deve dar lugar à ecologia. Ou fazemos esta virada ou Gaia poderá continuar sem nós.

A forma mais imediata de nos salvar é voltar à ética do cuidado, buscando o trabalho sem exploração, a produção sem contaminação, a competência sem arrogância e a solidariedade a partir dos mais fracos. Este é o grande salto que se impõe neste momento. A partir dele Terra e Humanidade podem entrar num acordo que salvará a ambos

Leonardo Boff é teólogo e escritor.

Fonte: Carta Maior

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Criança, a alma do negócio (Parte I)

Postado no Blog TERRA BRASILIS

CRIANÇA, A ALMA DO NEGÓCIO
Um documentário sobre publicidade, consumo e infância.

Este documentário está divido em 6 partes.

Produtora: Maria Farinha Produções
Direção: Estela Renner
Produção Executiva: Marcos Nisti




Assista às outras partes do documentário, clicando AQUI.

sábado, 26 de dezembro de 2009

Participe do manifesto "Publicidade Infantil Não"



O manifesto Publicidade Infantil Não, conta com o apoio de mais de 100 organizações e com mais de quatro mil assinaturas. O documento, lançado em 9 de dezembro de 2009, concretiza a urgência em discutir os problemas do consumismo na infância e a necessidade de uma regulamentação da publicidade dirigida às crianças até os doze anos no Brasil.

Apoie o Manifesto Publicidade Infantil Não.

www.publicidadeinfantilnao.org.br

fonte: Conselho Federal de Psicologia

UNICEF confirma: Cuba tem 0% de desnutrição infantil



Segundo a ONU, Cuba é o único país da América Latina e Caribe que eliminou a desnutrição infantil severa, graças aos esforços do governo para melhorar a alimentação da população, especialmente dos grupos mais vulneráveis. As duras realidades do mundo mostram que 852 milhões de pessoas padecem de fome e que 53 milhões delas vivem na América Latina. Só no México há 5,2 milhões de pessoas desnutridas. No Haiti, são 3,8 milhões, enquanto que, em todo o planeta, mais de cinco milhões de crianças morrem de fome todos os anos.

Cira Rodríguez César - Prensa Latina

A existência de cerca de 146 milhões de crianças menores de cinco anos abaixo do peso ideal no mundo em desenvolvimento contrasta com a realidade das crianças cubanas que estão livres desta enfermidade social. Essas preocupantes cifras apareceram em um recente relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), intitulado “Progresso para a Infância, um balanço sobre a nutrição”, divulgado na sede da ONU. Segundo o documento, os índices de crianças abaixo do peso são de 28% na África Subsaariana, 17% no Oriente Médio e África do Norte, 15% na Ásia Oriental e Pacífico, e 7% na América Latina e Caribe. Depois vem a Europa Central e do Leste, com 5%, e outros países em desenvolvimento, com 27%.

Cuba é o único país da América Latina e Caribe que eliminou a desnutrição infantil severa, graças aos esforços do governo para melhorar a alimentação da população, especialmente dos grupos mais vulneráveis. As duras realidades do mundo mostram que 852 milhões de pessoas padecem de fome e que 53 milhões delas vivem na América Latina. Só no México há 5,2 milhões de pessoas desnutridas. No Haiti, são 3,8 milhões, enquanto que, em todo o planeta, mais de cinco milhões de crianças morrem de fome todos os anos.

Segundo estimativas da ONU, não seria muito custoso garantir saúde e nutrição básica para todos os habitantes dos países em desenvolvimento. Para alcançar essa meta, bastariam 13 bilhões de dólares adicionais ao que se destina atualmente, uma cifra que nunca foi atingida e que é exígua se comparada com os bilhões de dólares destinados anualmente à publicidade comercial, os 400 bilhões gastos em medicamentos tranqüilizantes ou mesmo os 8 bilhões de dólares que são gastos em cosméticos nos Estados Unidos.

Para satisfação de Cuba, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) também reconheceu que esta é a nação com os maiores avanços na luta contra a desnutrição na América Latina. O Estado cubano garante uma cesta básica alimentar que permite a alimentação de sua população ao menos em dois níveis básicos, mediante uma rede de distribuição de produtos alimentícios. Além disso, há instrumentos econômicos em outros mercados e serviços locais para melhorar a alimentação do povo cubano e atenuar o déficit alimentar. Especialmente, há uma constante vigilância sobre o sustento das crianças e adolescentes. A nutrição começa com a promoção de uma melhor e mais natural forma de alimentação.

Desde os primeiros dias de nascimento, os incalculáveis benefícios do aleitamento materno justificam todos os esforços realizados em Cuba em favor da saúde e do desenvolvimento de sua infância. Isso tem permitido elevar os índices de recém nascidos que recebem aleitamento materno até o quarto mês de vida e que seguem consumindo esse leite, complementado com outros alimentos, até os seis meses de idade. Atualmente, 99% dos recém nascidos saem das maternidades com aleitamento materno exclusivo, índice superior à meta proposta, que é de 95%, segundo dados oficiais, nos quais se indica que todas as províncias do país cumprem essa meta.

Apesar das difíceis condições econômicas enfrentadas pela ilha, o governo cuida da alimentação e da nutrição das crianças mediante a entrega diária de um litro de leite a todas as crianças até sete anos de idade. Soma-se a isso a entrega de outros alimentos que, dependendo das disponibilidades econômicas do país, são distribuídos eqüitativamente para as idades mais pequenas da infância. Até os 13 anos de idade se prioriza a distribuição subsidiada de produtos complementares como o iogurte de soja e, em situações de desastre, se protege a infância mediante a entrega gratuita de alimentos de primeira necessidade.

As crianças incorporadas aos Círculos Infantis e às escolas primárias com regime de semi-internato recebem, além disso, o benefício do contínuo esforço por melhorar sua alimentação quanto à presença de componentes dietéticos, lácteos e protéicos. Com o apoio da produção agrícola – ainda enfrentando condições de severa seca – e a importação de alimentos, alcança-se um consumo de nutrientes acima das normas estabelecidas pela FAO. Em Cuba, esse indicador não é a média fictícia entre o consumo alimentar dos ricos e dos que passam fome.

Adicionalmente, o consumo social inclui a merenda escolar que é distribuída gratuitamente a centenas de milhares de estudantes e trabalhadores da educação, com cotas especiais de alimentos para crianças até 15 anos e pessoas de mais de 60 anos nas províncias do leste da ilha. Nesta relação, estão contempladas as grávidas, mães lactantes, anciãos e incapacitados, crianças com baixo peso e altura e o fornecimento de alimentos aos municípios de Pinar del Rio e Havana e também para a Ilha da Juventude. Essas regiões foram atingidas no ano passado por furacões, enquanto que as províncias de Holguín, Las Tunas e cinco municípios de Camaguey sofrem atualmente com a seca.

Esse esforço conta com a colaboração do Programa Mundial de Alimentos (PMA), que contribui para a melhoria do estado nutricional da população mais vulnerável da região oriental, beneficiando mais de 631 mil pessoas. A cooperação do PMA com Cuba data de 1963, quando essa agência ofereceu assistência imediata às vítimas do furacão Flora. Até hoje, já foram concretizados no país cinco projetos de desenvolvimento e 14 operações de emergência. Recentemente, Cuba passou de ser um país receptor a um país doador de ajuda.

O tema da desnutrição tem grande importância na campanha da ONU para atingir, em 2015, as Metas de Desenvolvimento do Milênio, adotada em uma cúpula de chefes de Estado em 2000 e que tem entre seus objetivos eliminar a pobreza extrema e a fome. A ONU considera que Cuba está na vanguarda do cumprimento dessas metas em matéria de desenvolvimento humano. Mesmo enfrentando deficiências, dificuldades e sérias limitações pelo bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos EUA há mais de quatro décadas, Cuba não mostra índices alarmantes de desnutrição infatil como ocorre em outros países. Nenhuma das 146 milhões de crianças menores de cinco anos com problemas de baixo peso, que vivem hoje no mundo, é cubana.

Tradução: Marco Aurélio Weissheimer

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

''PSDB teria vendido a Petrobrás'' e estadunidenses confirmam que se Serra vencer ele vende



Meus irmãos dos EUA já sabem , se eu vencesse as eleições presidenciais de 2010 a Petrobras seria deles. Vou lutar ao máximo para que isso aconteça.

''PSDB teria vendido a Petrobrás''.
Presidente da estatal diz que o Lula salvou a estatal de ter partes vendidas, caso os tucanos vencessem a eleição
Roberval Angelo Schincariol e Tatiana Freitas
Seu orixá é Obaluaiê, o "dono da terra", como revelou à imprensa pela primeira vez nesta entrevista. Mas bem que o baiano José Sérgio Gabrielli poderia ser chamado de "príncipe do mar". Em seus quase quatro anos à frente da Petrobrás, ele anunciou a conquista da autossuficiência brasileira em petróleo (2006); a descoberta do pré-sal (2007-2008); e a consequente listagem da Petrobrás entre as maiores companhias de energia do mundo.
O que para muitos críticos não passa de um golpe de sorte, para Gabrielli, que assumiu a liderança da maior companhia brasileira no lugar de José Eduardo Dutra, em abril de 2006, o sucesso da Petrobrás é fruto de uma política de governo e só foi possível graças à eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2002 e à sua reeleição em 2006. "O presidente Lula fez a diferença", disse em entrevista exclusiva à Agência Estado.
Segundo Gabrielli, se o resultado das eleições tivesse sido outro, com a vitória de José Serra em 2002 ou de Geraldo Alckmin em 2006, a Petrobrás teria tomado outro rumo. "Partes da empresa poderiam ter sido privatizadas."
Mas Gabrielli também acredita no destino. Segundo ele, "há muita sorte em encontrar petróleo". Mas não apenas isso. "Você não perfura um poço a 300 quilômetros de distância da costa e a milhares de metros de profundidade apenas confiando que Deus é brasileiro." Afinal, de acordo com a crença, Obaluaiê foi adotado e criado por Iemanjá, a "rainha do mar".
A "Foreing Policy" publicou uma matéria recentemente questionando o novo marco regulatório do pré-sal, principalmente no que diz respeito à participação do Estado na Petrobrás. Citando os dois possíveis candidatos mais em evidência, a revista afirma que se o governador José Serra vencer as eleições presidenciais de 2010, ele vai tentar reverter isso. Já se a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, sair vencedora, as empresas internacionais terão de recorrer à Justiça. O que o sr. tem a dizer sobre isso?
Que a Foreing Policy, uma revista americana, é uma think-tank liberal que tenta influenciar a opinião pública.
Uma crítica sobre a presença do Estado em uma empresa vinda da Foreing Policy é normal. O contrário é que seria novidade.
Acredito que a proposta do governo para o pré-sal claramente aumenta o papel do Estado. E isso é necessário e importante porque essa é a tendência mundial. E sempre foi na área do petróleo, que é um produto essencialmente vital e estratégico para a vida moderna.Mas há exceções, como...Os Estados Unidos não estão ausentes da indústria do petróleo.
O Estado americano pode não estar diretamente produzindo, mas está atuando fortemente via estoque regulador, via estímulo às suas empresas, via regulações. No caso brasileiro, me parece que a nova regulação reflete uma realidade distinta da antiga regulação.
São diferenças importantes. A primeira é o acesso a capitais. Na década de 90, tínhamos um problema para termos acesso a capitais que hoje não existe. A outra é o acesso à tecnologia. Hoje a Petrobrás, em águas profundas, é a empresa que tem maior mobilização tecnológica e conhecimento, e opera 22% da produção de águas profundas no mundo.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Do canavial à universidade



Postado no blog do Anselmo Raposo.

Jonas da Silva cortou cana até os 15 anos, mas mudou a "sina massapê" ao conquistar uma vaga no curso de medicina na UPE


Ana Braga, no Diário de Pernambuco

Do jeito que a gente aprende no colégio, o solo massapê é aquele fertilíssimo, ideal para plantar cana de açúcar. A gente só não vê nos livros que esse mesmo plantio pode prender, aprisionar o homem à terra, explorando uma mão de obra que, muitas vezes, não vê outro horizonte que não o monte de terra roxa. Uma sina de muitos pernambucanos. Uma história repetida há séculos na Zona da Mata no estado. Mas Jonas Lopes da Silva, de 24 anos, nascido em Palmares e criado em Joaquim Nabuco, abandonou essa geografia de escravidão.

Deixou para trás essa herança de desesperança. Foi cortador de cana de açúcar ao lado dos pais até os 15 anos de idade. Hoje, aos 24, colhe uma riqueza de verdade: a aprovação no vestibular de medicina da Universidade de Pernambuco, um dos mais concorridos do estado (são 34,15 candidatos disputand o uma vaga).

Jonas iniciou e concluiu a educação na rede pública aos 20 anos de idade. Atrasou dois anos em relação à maioria das crianças porque desistiu de estudar. "Eu era briguento e brincalhão. Também um pouco revoltado", justifica Jonas. Deixou de ir à escola na quinta e sexta série do antigo primeiro grau. Tinha em torno de 12 anos. Nesse tempo, andava ao lado da mãe, pelo canavial.

De tanto vê-la derrubar e embolar cana, foi repetir a sina. Trabalhou em condições degradantes, um crime contra os direitos humanos previsto nos artigos 240 e 241 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). "O sol era escaldante e minhas costas doíam", lembra Jonas, tocando a cicatriz na mão direita.

"Nunca fui obrigado a nada. Mas as coisas eram muito difíceis", lembra. Jonas é o quinto filho de uma prole de sete do pedreiro José Lopes, de 56 anos, e da trabalhadora rural Edileusa Maria, de 50 anos.

Além de Jonas, apenas o caçula da família, Renato, de 20, completou o ensino médio. Outros quatro largaram os estudos para trabalhar. "Minha mãe foi acabada pela cana de açúcar. Foi massacrada pelo destino. Minha avó até hoje se arrepende de ter tirado o sonho dela, de ter tirado ela da escola", conta Jonas.

"Então, quando meu pai me disse que se eu não estudasse, eu iria cortar cana, fiquei danado. Daí para frente disparei. Fui aluno laureado no 1º, 2º e 3º ano", orgulha-se o rapaz, que salvou na memória afetiva, da pracinha de Joaquim Nabuco, os nomes dos professores da época. "Tive Alex, de matemática, e três professoras que foram mães. Dona Eulália, de história, dona Risonete, de português, e Elian, de geografia", recorda.

Foram quatro anos de tentativas, até a aprovação na UPE. Na primeira, em 2006, ainda morando em Joaquim Nabuco, levou ponto de corte. "Senti todas as carências do ensino público aí. Pensei em pedir emprego na prefeitura", afirma. Em 2007, recuperou o "prejuízo". Passou em um concurso do IBGE para ser agente do censo. Realizou o trabalho, mudou-se para Jaboatão (onde mora a irmã mais velha, Márcia) e pagou um curso pré-vestibular com o dinheiro que guardou.

"Eu escutava falar muito de vestibular no rádio. Aí, já sabendo que para a minha condição social passar em medicina era difícil, decidi investir nesse curso, em um colégio famoso da capital", recorda o jovem, criado no bairro de São Miguel, que ele chama de "Coque de Joaquim Nabuco". "As pessoas diziam que eu nunca ia passar porque era pobre". Ele não acreditava nisso, mesmo reprovado pela segunda vez, no vestibular de 2007. "Aprendi a lutar com a dor da minha mãe e com a sabedoria do meu pai. São dois filósofos, apesar da dureza. Sempre ouvi deles que eu deveria me dar bem com Deus e o diabo", reproduz.

Sentindo-se cada dia mais desafiado, Jonas procurou em 2008 um curso de matérias isola das. "O nível de exigência do aluno era maior. Mas era o que eu precisava. Conheci o professor Vieira Filho, fiz teste para uma bolsa 100%, mas só consegui desconto. Eu pagava R$ 190, por cinco disciplinas, ainda com o que sobrou do IBGE", conta o rapaz, que nesse tempo mal se mantinha acordado nas aulas e nos ônibus (quatro por dia). "Sofri em silêncio", desabafa. Jonas ficou na lista de remanejamento, por 13 pontos. Bastaria que duas pessoas desistissem, o que não aconteceu.

Além de aprender biologia, física e química, Jonas teve que aprender a brincar. A exemplo de um dos seus "mestres", o poeta Fernando Pessoa, criou heterônimos. Personagens dele mesmo. Pequenas histórias autobiográficas. O mais conhecido é João, um menino que adora tirar fruta do pé. "Uma vez João me disse para eu não ficar triste. Falou que quando eu passasse, eu ia para casa, comer manga e chupar picolé", brinca Jonas.

"Eu fui fazer as provas este ano de mãos dadas com Deus e João", ressalta. Outra coisa: Jonas nunca brinca sozinho. "Converso com os meus mestres, Franz Kafka, Josué de Castro, Machado de Assis, Mozart, Bach e João Cabral de Melo Neto", cita alguns.

Para encurtar os gastos com as passagens de ônibus, as despesas na casa da irmã e o cansaço, Jonas conseguiu uma vaga na Casa de Estudantes de Pernambuco, no mês de abril deste ano. "O acolhimento foi imediato", declara. "Além disso, fui atrás novamente de uma bolsa integral e consegui, através do professor Fernandinho e companhia", fala Jonas, agradecido como se falasse de "deuses".

Era tudo ou nada este ano. Foi tudo. Jonas conseguiu a aprovação pelo sistema de cotas (que reserva 20% das vagas para alunos egressos da rede pública), com a pontuação 532,25. E foi também o começo. Jonas já faz planos para comprar os primeiros livros (Prometheus, Atlas de Anatomia e Harrison: Medicina Interna) com o dinheiro de um novo concurso do IBGE. Também já apren eu no corredor da UPE que "a arte na medicina às vezes cura, de vez em quando alivia, mas sempre consola".

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Ele acha que São Paulo está no rumo certo!


Da Agência Brasil



O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), lamentou hoje (21) a morte de Isaac de Sousa Lima, de 6 anos, ocorrida ontem por suspeita de leptospirose. O menino morava no bairro Jardim Pantanal, zona leste da cidade, uma das áreas mais atingidas pelas fortes chuvas e por alagamentos que causaram a doença infecciosa.

A remoção dos moradores que estão sendo transferidos para conjuntos habitacionais da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo começou no sábado. O prefeito ressaltou que a área do Jardim Pantanal vem sendo ocupada irregularmente há 30 anos. Ele também voltou a dizer que um parque será construído no local após a remoção dos moradores.

"No início da nossa gestão identificamos essa questão e tanto o governador José Serra como eu apresentamos o projeto de um parque linear ao longo da várzea do rio Tietê. Essa execução passa pela transferência das famílias que moram nessa região para moradias com dignidade."

Kassab disse ainda que apesar da morte do menino, as últimas chuvas mostraram que a prefeitura está agindo corretamente. "Evidente que é triste mas essa últimas chuvas mostraram que estamos no caminho correto, tanto é que estamos antecipando a transferência das famílias". Questionado sobre por que apenas agora a água começou a ser retirada do local, Kassab disse que isso só foi possível a partir de ontem, quando o nível do rio voltou ao normal.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Trabalho infantil cai quase 50% no Brasil



A quantidade de crianças e adolescentes inseridas no mercado de trabalho caiu cerca de 50% em 15 anos. De acordo com a pesquisa Perfil do Trabalho Decente no Brasil, publicada hoje (16) pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), em 1992, havia 8,42 milhões de trabalhadores com idade entre 5 e 17 anos. Um década e meia depois, em 2007, o número caiu para 4,85 milhões.

O relatório destacou o reconhecimento internacional da experiência brasileira de prevenção e eliminação do trabalho infantil. Segundo a pesquisa, os resultados alcançados são expressivos. Entre crianças de 10 e 14 anos, os índices cairam de 20,5% para 8,5% entre 1992 e 2007.

Mas os dados da última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) revelam uma desaceleração na trajetória de redução do trabalho infantil nos últimos anos. De acordo com o estudo, essa desaceleração se deve à manutenção no nível de ocupação de crianças entre 5 e 13 anos de idade (em torno de 4,5%), desde 2004, mas que o mesmo não ocorre com as demais faixas etárias (14 e 15 e 16 e 17 anos).

Os dados mostram ainda que o trabalho infantil no Brasil recruta mais meninos do que meninas - 66% contra 34%. As crianças estão mais expostas aos riscos no trabalho do que os adultos, uma vez que ainda estão em processo de formação e as condições em que as atividades laborais ocorrem são frequentemente insalubres.

As consequências, de acordo com o relatório, não se resumem a acidentes mas também a doenças osteomusculares, já que os instrumentos não foram dimensionados para crianças. Entre menores acidentados, o principal tipo de problema foi corte (50%), seguido pela fraturas ou torções (14%) e por dor muscular, cansaço, fadiga, insônia ou agitação (9,7%).

A OIT classifica o trabalho infantil como um grande obstáculo ao trabalho decente e ao desenvolvimento humano, não apenas pelos efeitos imediatos mas também pelos reflexos no futuro. Um estudo elaborado pela própria entidade em 2005 indica que a incidência do trabalho infantil resulta em menor renda na idade adulta.

Pessoas que começaram a trabalhar antes dos 14 anos têm uma probabilidade muito baixa de obter rendimentos superiores aos R$ 1 mil mensais ao longo da vida, enquanto a maioria das que entraram no mercado antes dos 9 anos tem baixa probabilidade de receber rendimentos superiores a R$ 500 mensais.

As possibilidades de obter rendimentos superiores ao longo da vida laboral são maiores para aqueles que começam depois dos 20 anos. Um dos fatores que, segundo o estudo, podem explicar essa relação é a probabilidade de que as pessoas tenham níveis superiores de escolaridade e qualificação.

Agência Brasil
Postado no site do Deputado Federal Ricardo Berzoini.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Confecom: Lula diz que compromisso com liberdade de imprensa é sagrado



O presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu na noite da segunda-feira (14), em Brasília, a 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom) agradecendo a participação dos empresários que não tiveram medo da Conferência e disse lamentar a ausência de outros. “Lamento que alguns atores da área da comunicação tenham preferido se ausentar desta conferência”.

Lula ressaltou durante o discurso a importância da liberdade de imprensa dizendo que seu compromisso com essa condição é sagrado. “Estou entre aqueles que acham que não há nada melhor para os abusos cometidos pela imprensa que a própria liberdade da imprensa”.
A convergência de mídia também foi destacada pelo presidente ao falar que esta “deve ser estímulo à pluralidade e à diversidade, nunca à uniformidade”. Além disso, Lula falou sobre inclusão digital. “A inclusão digital, da mesma forma que a social, deve ser encarada como prioridade nacional”.
Ao final do discurso, Lula destacou que o papel do governo na Confecom é extrair o que a sociedade tem acumulado.
O primeiro a discursar na sessão de abertura da Confecom foi Celso Schröder, coordenador-geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) e vice-presidente da Federação Nacional dos Jornalistas, que destacou a importância de Daniel Herz, jornalista falecido em 2006, para a democratização da comunicação. Herz é o homenageado da 1ª Confecom.
O ministro das comunicações, Hélio Costa, a secretária de comunicação da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Rosane Bertotti e o presidente do Grupo Bandeirantes, Johnny Saad também discursaram na sessão de abertura.

Psicologia

Os psicólogos estão presentes na Confecom com o lema “Mídia. Vamos desvelar os donos dessa voz”. A psicóloga Andréa Figueiredo do Conselho Regional de Psicologia BA/SE (CRP-03), que participa como observadora na Conferência ressaltou que a democratização da comunicação também é responsabilidade do psicólogo.
Para a conselheira do CRP-SP, Maria de Fátima Nassif, que participa como delegada, as propostas da Psicologia tiveram boa aceitação na sociedade civil. “Conseguimos sensibilizar”, avalia. “Acho fundamental a Psicologia estar dentro dessa discussão, nós podemos contribuir, como o próprio lema já diz ajudando a desvelar, por exemplo, quais os valores que estão por trás da mídia”, diz.

Fonte: Conselho Federal de Psicologia

Culpa da natureza?!

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

O controlado é você! Democratização e controle social da informação já!!









Ana Maria: A última Prestes militante


Na casa espaçosa e organizadíssima do bairro da Sagrada Família, em Belo Horizonte, um quadro se destaca na parede da sala. Trata-se da réplica de um retrato feito por Candido Portinari do líder comunista Luís Carlos Prestes (1898-1990), o legendário Cavaleiro da Esperança. Neta do antigo dirigente do Partido Comunista Brasileiro (PCB), Ana Maria Prestes Rabelo mostra o retrato com emoção contida.

Por Luiza Villaméa



“Tenho orgulho da história de Prestes, mas os tempos são outros e procuro seguir meu próprio caminho”, diz. Aos 32 anos, a cientista política acaba de ser eleita para o Comitê Central do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), criado nos anos 1960, a partir de uma dissidência do PCB. Filiada ao partido há 12 anos, Ana começou sua militância política na Juventude Socialista, de forma similar à de correligionários da linha de frente do PCdoB, como o ministro do Esporte, Orlando Silva.

Grávida de cinco meses, Ana embarcou na terça-feira 8 para a sua primeira missão no Exterior como integrante do Comitê Central. Na cidade de Polokwane, uma das sedes da Copa do Mundo de 2010, na África do Sul, ela participa de congresso do Partido Comunista local.

“Os comunistas sul-africanos ocupam três ministérios no governo do presidente Zuma”, comenta Ana, referindo-se a Jacob Zuma, do Congresso Nacional Africano, o partido que no passado lutou contra o apartheid. “Nesse encontro, eles vão discutir o que chamam de caminho sul-africano para o socialismo.” Não será sua primeira viagem internacional pelo PCdoB. Nos últimos anos, “sempre cumprindo tarefas”, como costuma frisar, ela viajou para lugares tão distintos como Argélia, Cuba, Hungria, Índia, Nigéria, Venezuela e Vietnã.

Resistência

A atuação de Ana nas relações internacionais do partido se deve, entre outros fatores, à facilidade que tem com línguas estrangeiras, em especial o inglês e o espanhol. Do russo ela perdeu a fluência, embora tenha nascido em Moscou, quando a cidade era a capital da extinta União Soviética.

Até os 7 anos, Ana viveu com os pais nas proximidades da Praça Vermelha, na rua Gorki, que, depois do desmoronamento da União Soviética, voltou a ter o nome de origem, rua Tverskaia. À época, depois de quase sete anos na clandestinidade no Brasil, Prestes estava exilado em Moscou.

No apartamento, ele morava com a segunda mulher, Maria Ribeiro Prestes, e nove filhos, além dos agregados. Antes, Prestes fora casado com Olga Benário, morta em um campo de concentração nazista, com quem teve a filha Anita Leocádia. “O apartamento da rua Gorki estava sempre movimentado”, lembra Ana. “Além de abrigar toda a família, era uma referência por causa de Prestes, que atraía visitantes o tempo todo.”

Nos anos 1970, quando chegou a Moscou para estudar física, o goiano José Rabelo também cumpriu o ritual de visitar o homem que meio século antes comandara a Coluna Prestes. Rabelo conheceu o líder e se apaixonou por uma de suas filhas, Ermelinda, com quem é casado até hoje. Ana nasceu em 1977 e estava perto da idade de começar o ensino fundamental quando o pai entrou na reta final do doutorado em física.

Com medo de que a garota atrasasse a entrada na escola, os pais a mandaram antes para o Brasil. “Só que a conclusão do doutorado demorou e eu fiquei morando um ano com a minha avó paterna, em Goiás”, lembra Ana.

Hoje quem faz doutorado é Ana, em ciências políticas da Universidade Federal de Minas Gerais, sobre a globalização e a internacionalização das tomadas de decisões. Casada com o jornalista Kerison Lopes, ex-presidente da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas, é mãe de Helena, três anos, espera o segundo filho e ainda concilia a atuação partidária com uma consultoria ao sindicato dos professores de Minas Gerais.

Não pensa, por enquanto, em disputar nenhuma eleição fora do partido. “Ela é uma militante muito dedicada, com preparo intelectual e grande senso de responsabilidade”, afirma o deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP).

Quanto à possibilidade de a ascendência de Ana ter pesado em sua escolha para o Comitê Central, o parlamentar lembra que, quando o partido foi criado, houve um distanciamento da figura de Prestes. “O que pode ter acontecido, mudando o raciocínio, é que talvez tenha pesado para ela.”

Ana conta que, no começo, parte da família “não via com bons olhos” sua filiação ao PCdoB, justamente porque a agremiação nasceu de um racha com o partido de Prestes. “Quem esteve desde o começo do meu lado foi a minha avó”, diz, referindo-se à viúva de Prestes. “Ela é a que tem a cabeça mais aberta.”

Aos 79 anos, 23 netos e sete bisnetos, Maria vive no Rio de Janeiro e já participou de eventos do PCdoB ao lado da neta militante. “Eu tenho a ideia de que os filhos e netos não têm tendência hereditária para a política”, comenta Maria. “Mas Ana é uma garota muito inteligente e escolheu o caminho dela.”

Maria, por sua vez, também construiu uma trajetória singular. Trinta e dois anos mais jovem do que Prestes, ainda mocinha, foi um dos elos da corrente que fez a segurança do Cavaleiro da Esperança em um comício no Recife (PE).

Só falou com ele anos depois, quando foi encarregada pelo PCB de manter Prestes em segurança, durante período de clandestinidade. Quando abriu a porta do “aparelho”, levou um susto: “Na minha imaginação, ele era um homem forte, parecido com Hércules.” Era a força do mito, que ainda hoje influencia a geração de Ana.

Fonte: Revista Isto É

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

"Um bom médico não precisa de lei regulamentando seu papel: ele o conhece"



Claudia Meirelles opina sobre atos médicos

Ao tentar buscar opiniões sobre o ato médico, achei situações interessantes: de um lado, os médicos, de outro, todo o resto! Isso não é legitimar profissão de ninguém, sinto muito.

Esse projeto do ato médico, na verdade, está tentando, de forma tola e incisiva, garantir o que os médicos, na prática estão perdendo há muito tempo: espaço.

Sim, eu sou médica. Minha família tem médicos, minha filha quer ser médica. Mas sou contra esse projeto de lei e não me envergonho em declarar que hoje, o papel do médico, na prática beira muitas vezes apenas um monopólio de mercado, cerceado pelo poder.

O médico é uma figura impar na vida das pessoas: rejeição quase zero, entra na casa das pessoas, dita regras, tira a roupa, muda hábitos, desconstrói vilões, alimenta segurança velada e branca. Um bom médico não precisa de lei regulamentando seu papel: ele o conhece. E não tem medo de dividir esse conhecimento para promover, prevenir, curar doenças.

O papel de outras profissões, igualmente legitimas na área da saúde, só melhora essa integralidade de cuidados, de troca de conhecimentos, de relação sustentada. Não se constrói um sistema eficiente de saúde (pública ou privada) somente monopolizando o poder do médico. Ao contrário.

O médico que quiser fazer TUDO o que esse projeto de lei regulamenta como ato médico deve voltar à universidade e estudar mais meio século. Do mesmo modo como a medicina evoluiu, incorporou tecnologia e conhecimento, outras profissões correram em paralelo, seguindo o mesmo fluxo.

O problema da medicina hoje são os médicos prostituídos em plantões exaustivos, que não gastam tempo suficiente pra exercer seu papel. Ontem mesmo atendi, como gestora, um senhor que já tinha passado 4 (quatro!!!!!) vezes no pronto socorro com dores de estomago fortíssimas, com prescrições semelhantes, terminadas em uma endoscopia de urgência e ao tentar entender o que estava acontecendo, cheguei numa prescrição anterior de anti-inflamatório e antibiótico para dor de garganta que havia provocado essa dor (e nenhum médico do pronto socorro abordou isso). Esse paciente gastou dinheiro comprando o mesmo remédio pra dor de estomago com nomes diferentes e não melhorava. Ele quase chorava de tanta dor. Isso é ato médico?

Como gestora, ainda testemunho uma eterna dificuldade de fazer médico cumprir horário. Antes, era por conta da baixa remuneração. Ajustado esse parâmetro, não consigo da mesma forma. Ou seja, o sistema de saúde que atende milhões de pessoas no país tem a figura do médico por curtos espaços de tempo, em consultas vapt-vupt, sem integralidade, compromisso, vínculo e resolutividade.

Atenção básica de saúde? Fórum permanente, “carne de pescoço”, problema sem fim. Temos milhares de médicos “au-au”. Atendem o paciente e encaminham pra um especialista: ao “dermatologista” (para tratar micose), ao “endocrinologista” (para tratar acne) e ao “ginecologista” (para pegar pílula).

Porque nosso legislativo, tão imponente não gasta seu tempo tentando de verdade resolver o problema médico do pais? É preciso ainda garantir que SÓ o médico tem direitos “nosológicos”?

Na prática, vemos enfermeiros, psicólogos, fisioterapeutas, nutricionistas, assistentes sociais e muitos outros profissionais que remendam o sistema, dando “colo” aos pacientes e resolvendo MESMO grandes problemas.

Porque o movimento não pode ser inverso? Regulamente os bons profissionais (de qualquer área), regulamente o compromisso, melhore o financiamento da saúde, dê a cara pra bater.

Esse projeto de “ato médico” não beneficia os médicos. E se beneficiar, desafio publicamente alguém dizer aqui, nesta coluna qual é o beneficio! Desafio também alguém a me esclarecer se bater 1 bilhão de consultas ao ano, no SUS é meta cumprida de assistência à saúde; se fazer mais de meio milhão de exames ao ano é esclarecer e ampliar indicadores de modo efetivo. Estamos mesmo construindo resolutividade no sistema?

Isso me cansa, confesso. É um desabafo. Sou médica. Quero de verdade, ser mais remédio do que doença na vida das pessoas. Sou contra qualquer “canetada” monopolizadora para a Medicina. Isso vai desde “cotas por cor de pele” para vagas no vestibular até o ato medico dessa forma.

Mas não pensem que enlouqueci. Apenas exerço a medicina de forma mais descentralizada e integrativa.

No caminho das pedras, encontrei grandes e inesquecíveis parceiros médicos, mas também aprendi muito, muito mesmo com outros profissionais, que não merecem neste instante um retrocesso e uma desqualificação do lugar que conquistaram no universo da Saúde - com muito sangue, suor & lágrimas...

ENTRE AQUI E VOTE CONTRA, na enquete do Senado sobre o Ato Medí(co)ocre

Claudia Meirelles é Mestranda em Políticas de Saúde Pública, ex-gestora de Itu, Cabeúva e Gestora de Saúde de Porto Feliz.

Por que o Prefeito de São Paulo não realiza concurso público para a contratação de médicos, será que ele quer privatizar a saúde em SP?



Depois culpa o médico, enfermeiro, fornecedores de medicamentos.
E assim já aconteceu com as escolas, guarda civil metropolitana etc.
Sempre culpabiliza (ou responsabiliza) os servidores e os departamentos públicos pela sua incompetência administrativa na cidade de São Paulo.

Faltam 103 médicos em hospital de Itaquera

Adriana Ferraz - Agora - 27.10.09

Faltam 103 médicos no quadro de funcionários do hospital municipal de Itaquera (zona leste de SP), segundo relatório interno da própria prefeitura. O deficit atinge 16 especialidades --com destaque para as áreas de ortopedia e traumatologia, pediatria, psiquiatria e clínica médica --e representa 42% do total de profissionais indicados para o local. A unidade também precisa contratar 41 auxiliares de enfermagem e 25 técnicos administrativos, além de quatro enfermeiros.
Com a falta de médicos, os casos de emergência, de acordo com o estado do paciente, são encaminhados para a AMA (Assistência Médica Ambulatorial) que fica ao lado. "As pessoas já estão até acostumadas. Os funcionários mesmo falam, logo na entrada, para a gente voltar depois de quatro ou cinco horas ou ir direto à AMA. Não dá para entender o motivo, mas lá [na AMA] o atendimento é melhor", diz a desempregada Gleice Aparecida Martim, 30.
Segundo representantes do conselho gestor do hospital, o atendimento está prejudicado há mais de um ano. "O número de médicos vem caindo constantemente e agora atingiu o ponto mais crítico, com 103 médicos a menos. Está sobrecarregado", diz o conselheiro Paulo Roberto Belinelo, 56 anos. Ele diz que o hospital é referência em tratamento psiquiátrico na região. "Só que sempre falta psiquiatra. Os pacientes ficam misturados aos demais, nos corredores.
O maior problema, no entanto, está no tratamento oferecido a vítimas de traumas. Segundo levantamento detalhado produzido pela própria prefeitura, em julho deste ano, o hospital deveria ter 19 médicos ortopedistas, mas conta com somente três. A diferença é de 84%. A situação encontrada por quem procura atendimento infantil também é complicada. A mesma lista mostra que faltam 18 pediatras para medicar as crianças.
A reportagem conseguiu dados informando que o deficit aumentou de 91 em julho para 103 atualmente --os dados sobre a falta de profissionais em cada uma das especialidades não foram atualizados (veja quadro).
Muitos pacientes também não conseguem atendimento por falta de informação. A unidade não atende, por exemplo, casos de neurocirurgia ou cirurgia plástica.
Presidente da Comissão de Saúde da Câmara Municipal, a vereadora Juliana Cardoso (PT) afirmou ontem que vai entrar com representação no Ministério Público Estadual para cobrar, na Justiça, uma solução. A denúncia deverá ser feita nos próximos dias.
"A comissão visitou o hospital em junho, mas nenhum dos encaminhamentos que fizemos à prefeitura foi atendido. A falta de médicos é extremamente grave e atinge toda a zona leste", afirma.

As primeiras vitórias da Confecom



A 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), que deve agitar Brasília de 14 a 17 de dezembro, já representa uma histórica vitória dos movimentos sociais que há muito lutam contra a ditadura midiática instalada no país. Ela só foi convocada, durante o Fórum Social Mundial em janeiro, em Belém, por pressão destes setores. E, apesar das sabotagens das principais entidades empresariais, ela só vingou graças à habilidade dos mesmos movimentos sociais, que não caíram nas armadilhas dos barões da mídia que pretendiam inviabilizar a conferência.

A partir do decreto presidencial convocando a Confecom, em abril, o debate sobre o papel dos meios de comunicação se avolumou em todo o território nacional. Como afirma o presidente Lula, nunca antes na história deste país se discutiu tanto este tema estratégico. Concluída suas etapas municipais e estaduais, já pode se afirmar que a Confecom obteve uma vitória pedagógica, caminha para consolidar um saldo organizativo e pode, ainda, conquistar vitórias concretas no pós-conferência. Estes três avanços já são motivos de comemoração dos movimentos sociais.

O saldo pedagógico

Antes da convocação da Confecom, o direito humano à comunicação era entendido por restritos núcleos de “especialistas” no tema, que tiveram o mérito de erguer a bandeira da democratização do setor há mais de duas décadas. Apesar de duramente criminalizados pela mídia, o grosso dos movimentos sociais ainda não encarava esta frente como prioritária. A preparação da conferência começou a alterar este cenário, num esforço pedagógico sem precedentes na nossa história.

Em curto espaço de tempo, centenas de encontros ocorreram no país – entre conferências livres, seminários e as etapas municipais e estaduais da Confecom. Ainda não foi contabilizado o total de participantes deste processo, mas estima-se em mais de 30 mil ativistas envolvidos. Além da crítica à mídia hegemônica, concentrada e manipuladora, os participantes formularam propostas concretas para o setor. No total, 6.101 sugestões foram apresentadas. O saldo, bastante positivo, é que milhares de ativistas passaram a militar na luta pela democratização da comunicação.

O saldo organizativo

Como festejou Laurindo Lalo Leal Filho, ouvidor da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), na abertura da etapa paulista da Confecom, não há mais retorno neste rico processo de mobilização. “Botamos o pé na porta”. A partir desta primeira conferência, a tendência é que cresça a pressão e a organização da sociedade na luta pela democratização do setor. Vários estados já discutem a manutenção das comissões da “sociedade civil” que organizaram a conferência, como forma de se ampliar e dar maior organicidade a este movimento democratizante.

O saldo organizativo já se reflete em vários setores. As rádios comunitárias, historicamente tão criminalizadas, conquistaram novo patamar de legitimidade. Os blogueiros, antes tão dispersos, também debatem novas formas de organização. O Fórum de Mídia Livre (FML), que realizou o seu segundo encontro no início de dezembro, firma-se como um pólo aglutinador dos fazedores independentes de mídia. Até entre os “empresários progressistas”, que cavaram sua participação peitando os barões da mídia, já se discute uma forma própria de organização do setor.

Os avanços concretos

Mas as vitórias da Confecom não são apenas políticas – pedagógicas e organizativas. Elas podem se refletir também em avanços concretos, práticos, no processo de democratização dos meios de comunicação. Algumas propostas já poderão se tornar exeqüíveis a partir de iniciativas diretas do Poder Executivo, sem depender do Poder Legislativo num ano de campanha eleitoral. Na semana passada, por exemplo, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da Republica (Secom) anunciou que incluirá em seu plano de mídia as TVs comunitárias, bancando publicidade oficial, o que representa uma conquista dos cerca de 60 canais comunitários de sinal fechado do país.

A exemplo das outras 61 conferências realizadas pelo governo Lula, a Confecom não tem poder deliberativo. Ela sugere políticas públicas e regulamentações para os poderes constituídos. Neste sentido, as sinalizações também são positivas. As 59 propostas apresentadas pelo governo visam democratizar o setor, assimilando históricas reivindicações dos movimentos sociais. Para Beto Almeida, presidente da TV Cidade Livre de Brasília e integrante da Junta Diretiva da Telesur, “elas indicam um importante grau de sintonia entre governo, amplas parcelas do movimento sindical-social e segmentos anti-monopolistas do empresariado”.

Uma estratégia para avançar

Como se constata, a Confecom tem tudo para representar uma expressiva vitória dos movimentos sociais. Segundo Jonas Valente, membro do Coletivo Intervozes, “a etapa nacional, depois de um difícil desenrolar, pode colocar a Confecom como ponto de virada na história das comunicações brasileiras”. No mesmo rumo, Beto Almeida observa que a Confecom “não fará o ajuste final de contas com a ditadura midiática... Mas ela é uma etapa mais elevada desta longa caminhada, que deve ser aproveitada para alinhavar a sustentação e implementação de várias mudanças”.

Para fazer vingar as mudanças neste setor, o desafio agora é definir uma estratégica certeira. De forma resumida, ela deve priorizar as propostas essenciais, evitando-se a dispersão em mais de 6 mil sugestões; precisa unificar o campo popular e democrático, já que os barões da mídia farão de tudo para bancar seus interesses mercadológicos; precisa estabelecer uma aliança prioritária com os setores progressistas do governo Lula, já que a aprovação de qualquer proposta necessita de 60% dos votos; e deve explorar todas as contradições do meio empresarial, sem se submeter ao falso “nacionalismo” dos radiodifusores ou ao falso “pluralismo” das teles estrangeiras.

Por, Altamiro Borges

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Mais um intelectual de aluguel a favor da direita brasileira.



O PHA deu uma perfeita descrição desse pateta: "nihilista-hermético que esconde o pós-fascismo". O Contardo Calligaris é um cara que vive do dinheiro de madames endinheiradas que pagam para ele uma fortuna para vomitar nos ouvidos dele suas angústias de shopping center e academia de ginástica.

Acha que o mundo se resume a relação do "eu-consigo mesmo" e se sente orgulhoso em dizer que abandonou a política partidária por causa de uma única piada que não lhe caiu bem. É um tremendo boçal incapaz de ver um centímetro fora de si! Como se alguém participasse de um partido político para escutar piadas legais.

O cara vê o mundo pela ótica do Theodor Adorno. Precisa dizer mais alguma coisa? Um cara que se dizia revolucionário e que chamou a polícia em 68 para reprimir algumas garotas que, numa brincadeira, ficaram seminuas na sala de aula. Um cara que no auge do estado de bem-estar social europeu, não via nada além da sociedade administrada. Um crítico de música que só gostava de música classica germânica e achava que a música de Stravinsky e o Jazz representavam a regressão e a barbárie. Um cara incapaz de ver a complexidade do mundo e que taxava cada coisa por aquilo que julgava ser sua "essência", de preferência, uma essência bem ruim.

Copiando Adorno, Calligaris sai por aí vendo "a essência do nazismo" em tudo quanto é lugar. De preferência de modo a ajudar os tucanos. Em 2006, disse que a Marta era nazista só porque perguntou se o NunKassab era casado. Curiosamente, o boçal nunca viu um traço sequer de nazismo nas rampas anti-mendigo do Zé Pedágio, assim como Adorno, que vivia repetindo que a tarefa mais importante da humanidade era não permitir que Auschwitz se repetisse, mas silenciava enquanto ele se repetia na Palestina.

O pessimismo de Adorno, a gente até compreende. O sujeito era um alemão-judeu-marxista que teve que fugir da Alemanha nazista. Mas daí um pateta tupiniquim ficar repetindo essa lenga-lenga retrógrada, esse essencialismo retórico, elitista e autista, que acha que todas as relações do mundo podem ser entendidas por meio da simples transposição da relação dual do psicanalista com seu paciente, daí não dá! E esse paspalho ainda ganha dinheiro para isso. Mais boçal que ele é quem dá dinheiro para essa anta. Cancelem a Folha!

Fonte: Vendedor de Bananas.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Filme: Só Deus poderia evitar as enchentes. - Com os atores, Pelego Kassab e José ditador.

Lula:Agradeço a Deus pelo 2º turno em 2006 e pela crise econômica


Na última reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES) em 2009, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que sua reeleição no segundo turno em 2006 provou que o Brasil tem maturidade política e que a crise econômica demonstrou fundamentos sólidos do país apesar de a oposição atribuir bons resultados do seu governo ao acaso e à conjuntura internacional.

Lula afirmou também que o último ano do seu segundo mandato terá de ser de mais trabalho porque "quando chegar 31 de dezembro de 2010 vamos comemorar um ciclo e nos preparar para um novo ciclo". O presidente já apontou a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, presente na reunião do CDES, como sua favorita para sucedê-lo no Palácio do Planalto.

"Tem duas coisas que agradeço a Deus. Primeiro o segundo turno na eleição de 2006, porque se ganhasse no primeiro turno as pessoas ficariam remoendo. E outra é que foi preciso ter uma crise econômica para alguns perceberem que não era questão de sorte (a recuperação do Brasil). Era porque o país estava arrumado", disse Lula em discurso.

O presidente recomendou cautela em meio à euforia de gastos de fim de ano. "É só não ficar rasgando dinheiro, aplicando errado que tudo dá certo", comentou. Mas em seguida exaltou a perspectiva de empregos no Brasil no ano que vem. "O presidente Obama está comemorando a diminuição da queda do emprego nos Estados Unidos. Nós comemoramos aumento do emprego. E com viés de alta", afirmou.

Lula afirmou que 2010 será um ano mais difícil para a administração pública porque "antes o Brasil não tinha nada e não tinha muito com que se preocupar". "Agora temos poder de veto no FMI (Fundo Monetário Internacional). Agora nós temos um patrimônio. Por isso, passem bem o Natal, comprem todos panetones que quiserem comprar, mas no ano que vem se preparem. Vamos ter que trabalhar um pouco mais."

Em tom de brincadeira, o presidente criticou companheiros de governo que deixarão os cargos até março para disputar as eleições de 2010. "Não sei porque porcaria as pessoas querem se candidatar", disse ele, que antes de vencer as eleições presidenciais de 2002 perdeu três vezes consecutivas.

Fonte: UOL

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

O verdadeiro Geraldo Alckimim e o jeito tucano de governar





Fazendas de tucanos são flagradas com escravos



Fiscalizações nas propriedades do deputado federal Urzeni Rocha (PSDB-RR) e do prefeito de Toledo (MG), Vicente Pereira De Souza Neto (PSDB), libertaram 47 de trabalho escravo. Quatro vítimas eram jovens com menos de 18 anos

Por Bianca Pyl

O deputado federal Urzeni Rocha (PSDB-RR) e o prefeito de Toledo (MG), Vicente Pereira De Souza Neto (PSDB), não têm em comum apenas o partido político tucano. Ambos foram flagrados explorando mão-de-obra escrava em Góias e Roraima, respectivamente. Ao todo, 47 pessoas foram libertadas de condições análogas à escravidão das propriedades dos políticos.

A primeira fiscalização aconteceu na Fazenda Santana, propriedade do prefeito do município mineiro localizada em Vianópolis (GO), região sudeste do Estado. A operação teve início no dia 13 de novembro e libertou 21 trabalhadores, incluindo dois adolescentes de 16 e 17 anos de idade.
Os trabalhadores foram aliciados no Maranhão pelos "gatos" (intermediários de mão-de-obra) Ésio de Jesus Rocha e Walter Moreira da Silva, há cerca de um mês. Os gatos recebiam 4% de toda a produção realizada pelos trabalhadores. Os empregados colhiam batatas.

Segundo as vítimas, um outro grupo de 20 trabalhadores também foi contratado irregularmente e transportado clandestinamente do município de Colinas (MA) para trabalhar na mesma fazenda. "As despesas de transporte foram pagas pelo "gato", que depois descontou R$ 180 do pagamento dos trabalhadores", conta Roberto Mendes, auditor fiscal da SRTE/GO que coordenou a ação. Desse grupo, só seis continuaram no local suportando as más condições de trabalho e alojamento. O restante retornou ao Maranhão.

O empregador não assinou a Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) dos trabalhadores e nem tirou a Certidão Declaratória de Transporte de Trabalhadores no Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), que deve ser registrada na área de saída dos contratados. O documento é obrigatório para transportar empregados de um Estado para outro. A jornada de trabalho era exaustiva e os empregados não tinham descanso semanal. A colheita não era suspensa nem nos domingos e feriados. "A pausa para as refeições durava alguns minutos porque, após colhidas, as batatas não podem ficar expostas ao sol por muito tempo", detalha Roberto Mendes.

Os trabalhadores afirmaram que dormiam no chão e tinham que dividir as despesas com alimentação. Eles declararam ter passado fome. O alojamento era uma casa velha sem camas, colchões ou roupas de cama. Os trabalhadores dormiam em redes ou colchonetes velhos e sujos. A cozinha tinha apenas um fogão de duas chamas e uma mesa improvisada, sendo que os alimentos e panelas eram colocados no chão. Havia apenas um banheiro e um chuveiro para todos os trabalhadores.

Durante o dia, os empregados consumiam a água captada das torneiras do alojamento. Nas frentes de trabalho, Não havia água potável nem instalações sanitárias. O mato era usado como banheiro.

O empregador não fornecia equipamentos de proteção individual (EPIs) e a maioria trabalhava descalço ou de chinelos, sem luvas ou chapéus. O ônibus que transportava os trabalhadores não possuía certificado de inspeção e não tinha sequer carteira de habilitação para dirigir.

Após a fiscalização, foram emitidas Guias de Seguro-Desemprego do Trabalhador Resgatado para as vítimas. O pagamento das verbas da rescisão do contrato de trabalho foi efetuado. A Repórter Brasil não conseguiu localizar o prefeito Vicente Pereira De Souza Neto (PSDB-MG).

Roraima


A fiscalização na Fazenda Paraíso, do deputado federal Urzeni Rocha (PSDB-RR), no município de Cantá (RR), foi motivada por uma denúncia de um trabalhador à Polícia Federal (PF). A operação ocorreu em 23 de novembro e contou com a participação da Superintendência Regional do Trabalho de Roraima (SRTE/RR), Ministéiro Público do Trabalho (MPT) e agentes da PF. Foram libertados 26 trabalhadores, incluindo quatro adolescentes, com idades entre 16 e 18 anos. A propriedade tem mais de 3,5 mil cabeças de gado.

Os empregados dividiam a água de um igarapé com os animais. "A mesma água era utilizada para beber, preparar as refeições e tomar banho", explica Gilberto Souza dos Santos, procurador do trabalho. De acordo com Mário Rocha, da SRTE/RR, a comida fornecida era de péssima qualidade e quando a fiscalização chegou ao local estava quase acabando.

Os trabalhadores eram responsáveis pelo roço de juquira - limpeza de terreno para a formação de pastagem para pecuária. "A maioria dos trabalhadores estava há pouco mais de um mês no local, sendo que o vaqueiro foi contratado há aproximadamente dois anos", relata Mário.

As vítimas moravam no município Iracema (RR), próximo a propriedade. Até a data da fiscalização, os empregados não tinham recebido nenhum pagamento. "O acordo com os empregados era o pagamento semanal, de acordo com a produção. Os trabalhadores estavam com medo de não receber, por isso decidiram aguentar a situação", relata o procurador Gilberto.

O empregador assinou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) em que se compromete a pagar R$ 100 mil por danos morais coletivos. "O valor será revertido para programas de alfabetização na região, já que os trabalhadores eram analfabetos. Foi o maior acordo realizado pela nossa Procuradoria [Regional do Trabalho da 11ª Região (PRT-11)] e tem um cunho pedagógico para o fazendeiro", explica Gilberto, do MPT.

A Repórter Brasil entrou em contato com a assessoria de imprensa do deputado na Câmara e foi informada que ele ficará fora até terça-feira (8) e não havia possibilidades de entrevistá-lo. Detalhe: o deputado federal votou a favor da chamada "Emenda 3", incluída no projeto de lei da "Super Receita", que impedia que auditores fiscais do trabalho apontassem vínculos entre patrões e empregados quando de irregularidades. Graças ao veto à emenda, a fiscalização realizou com plenitude a sua atribuição na fazenda do político.

Repórter Brasil

Psicólogos internam o pitbul da Veja



Na sua edição de 18 de novembro, a revista Veja acionou o seu pitbul para atacar a 1ª Conferência Nacional de Comunicação, que ocorrerá de 14 a 17 de dezembro. O panfleto da famíglia Civita nem sequer se dignou a informar aos seus leitores sobre o significado desta iniciativa. O silêncio da mídia sobre a Confecom é repugnante. Ao invés de informar, a revista preferiu rosnar e ninguém melhor (ou pior) do que o pitbul amestrado para isto. Basta lhe dar um osso!

No artigo “Porky’s contra a liberdade”, o colunista cometeu novamente seus exageros raivosos. “Um das propostas encaminhadas à Confecom pelo Conselho Federal de Psicologia é proibir a propaganda com pessoas de cabelos alisados”, ironizou. Ventríloquo de FHC, ele repetiu a besteira reacionária do “subperonismo lulista” para atacar a conferência, que só teria o apoio da “CUT, Abragay [haja preconceito!] e do Conselho Federal de Psicologia”. Ele também destila o seu ódio tacanho contra Franklin Martins e Dilma Rousseff.

“Interpretação desonesta”

As asneiras preconceituosas e reacionárias do pitbul da Veja desta vez, porém, não ficaram sem resposta. O Conselho Federal de Psicologia divulgou nota criticando o texto. Só faltou solicitar a imediata internação deste sujeito patético. Reproduzo abaixo a nota:

Apesar de lamentável, não causa surpresa a interpretação de Diogo Mainardi sobre os temas apresentados pelo Conselho Federal de Psicologia para debate na 1ª Conferência Nacional de Comunicação, publicada na coluna de Mainardi na edição 2139 da revista Veja.

O CFP reafirma suas propostas, que têm como eixo a necessidade de controle público sobre os meios de comunicação, entendido não como censura, como sugere Mainardi, mas como a existência de mecanismos para que a sociedade tenha incidência sobre como a mídia, importante elemento na formação das subjetividades das pessoas na contemporaneidade, produz e reproduz idéias, comportamentos e visões de mundo.

No texto que recebe a interpretação distorcida de Mainardi, o CFP aponta o papel dos meios de comunicação no reforço de um padrão estético único, que busca anular as variedades de formas de ser, de parecer, delimitando as características físicas reconhecidas como legítimas. Padrões de beleza inalcançáveis geram conflitos, sofrimentos, baixa auto-estima, transtornos de toda ordem.

No que se refere à proposta do CFP para a discussão das relações entre mídia e trânsito, de fato o CFP questiona a ode da publicidade à velocidade, comprovadamente relacionada ao problema dos acidentes e mortes no trânsito. Também propõe que se debata o papel da mídia na construção social do predomínio do transporte individual sobre o coletivo – mais ambientalmente sustentável, mais viável para as grandes cidades, como é amplamente sabido. Infelizmente, o recorte escolhido pelo colunista apenas ironiza esta importante discussão, que ao cabo questiona o fato de a publicidade no Brasil ser auto-regulada, sem que haja qualquer mecanismo de participação da sociedade neste tema que a concerne.

Não fosse a conhecida má vontade do colunista com qualquer movimento social, seria possível achar que houve dificuldades de interpretação. Mas não nos iludiremos a este ponto. Críticas às propostas podem ser feitas e são bem vindas. Interpretações desonestas que visam a confundir os leitores só refletem a qualidade do jornalismo da grande mídia brasileira. Não era de se esperar outra reação de Mainardi e de Veja à Confecom.




Fonte:Blog do Miro

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Separação milionária



Mariane Vicentini diz que o governador usa o dinheiro da corrupção para construir patrimônio não declarado à Receita

No acordo extrajudicial, ela ficou com R$ 15 milhões. Depois se aliou a Roriz e agora diz que há mais a ser investigado


A atriz Mariane Vicentini, ex-mulher do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, não se surpreendeu com as denúncias e as imagens de corrupção que colocam seu ex-marido como o chefe da quadrilha do Mensalão do Demo.

“Ele se aliou a pessoas que são sujas e perigosas, e há muito mais para ser investigado” disse Mariane à ISTOÉ, referindo-se a Durval Barbosa (ex-secretário de Relações Institucionais), Marcelo Toledo (braço direito de Durval) e Fábio Simão (ex-chefe de gabinete).

Segundo a ex-mulher de Arruda, além do dinheiro entregue em espécie, o governador teria gastos pessoais pagos com dinheiro ilegal através de cartões de crédito usados por seus principais auxiliares. Ela se recorda, por exemplo, de uma viagem para Aruba e depois Paris, no final de 2006. “A viagem foi feita pouco antes da posse dele como governador.

Em Paris, nos hospedamos no hotel Plaza Athénée e todas as despesas foram pagas no cartão de Simão”, afirma. “O dinheiro tinha sido arrecadado junto a empresários que têm interesses no governo do DF.”

A ex-mulher acusa Arruda e seu grupo de estarem usando o dinheiro arrecadado na compra de propriedades e citou um haras nos arredores de Brasília. “Não sabia que Arruda gostava tanto de cavalos, mas soube que ele comprou um haras e recentemente deu de presente para nosso filho de quatro anos um cavalo puro-sangue”, lembra. De acordo com ela, nem todas as propriedades do governador estão em seu nome.

O casal se conheceu em 1990. Três anos depois, Arruda deu para Mariane um apartamento em Ipanema, no Rio de Janeiro, e em 2000 os dois passaram a viver juntos em Brasília. No mesmo ano, ISTOÉ revelou que Arruda e ACM fraudaram o painel do Senado e ambos renunciaram.

Na ocasião, Mariane foi uma das poucas pessoas que ficaram ao lado de Arruda. A separação veio no início de 2007, meses depois da posse de Arruda como governador. No acordo da separação extrajudicial, Mariane recebeu cerca de R$ 15 milhões. Faz parte da pequena fortuna uma casa avaliada em R$ 2,8 milhões.

“A casa estava no nome de um construtor que tem contratos com o governo do Distrito Federal, foi transferida para os filhos mais velhos de Arruda e depois para mim”, conta Mariane. Em 2006, quando se candidatou ao governo, Arruda declarou à Justiça Eleitoral possuir um patrimônio de R$ 598 mil, composto de um apartamento em Brasília, um apartamento, uma casa e dois terrenos em Itajubá (MG), um OMEGA 2009, uma Ranger 2001 e um Gol 2001. “Muitas propriedades dele ficam em nome de laranjas e até de pequenos construtores”, diz a ex-mulher. “É só investigar que muita coisa pode vir à tona.”

Segundo Mariane, o esquema do governo de Arruda não difere do que funcionou em governos anteriores. Ela diz que, já durante a campanha, Durval, Simão e outros começaram a gravar Arruda e empresários para que depois de eleito o governador fosse obrigado a abrigar a quadrilha.

“Lembro que deixava os comícios para correr para casa e amamentar o nosso filho; enquanto isso, esse grupo alimentava a discórdia para provocar a minha separação, pois nunca o recebi em minha casa. Fui saber depois que, enquanto eu amamentava nosso filho, Arruda se encontrava com mulheres apresentadas por esses assessores que o gravavam e filmavam para chantageá-lo depois”, afirma. “Até o carro usado por Arruda na campanha foi todo grampeado pelo Simão.”

Mariane quer ser candidata a deputada federal e hoje está aliada ao ex-governador Joaquim Roriz, adversário de Arruda. Ela assegura, no entanto, que não tem nenhuma relação com o grupo de Durval e teme pelo futuro do ex-marido. “Ele pode até se suicidar. Não duvido disso. Na crise do painel do Senado, esteve próximo do suicídio. Seu comportamento é variável: ora eufórico, ora depressivo. Toma remédios controlados e pode acontecer uma tragédia”, conclui.

Na tarde da quinta-feira 3, Arruda lamentou as declarações feitas pela ex. Disse que não tem contato com ela há mais de três anos e entende que as afirmações feitas por ela são uma tentativa de politizar questões pessoais.


Fonte: Istoé
By: blog do Júlio Falcão

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Secretaria de Pesquisa e Opinião Pública do Senado realiza enquete sobre PL do Ato Médico




A Secretaria de Pesquisa e Opinião Pública (Sepop) do Senado Federal realiza enquete sobre o PL do Ato Médico.

O Conselho Federal de Psicologia (CFP) reafirma sua posição sobre o PL do Ato Médico (nº. 7703/06), questionando-o por manter, no texto aprovado pela Câmara dos Deputados em 21 de outubro, seu vício de origem, que é colocar em risco o cuidado integral à saúde preconizado pela Constituição Federal para o SUS, uma das grandes conquistas do povo brasileiro após a redemocratização do país.

A atenção à saúde deve continuar sendo realizada pelo conjunto de profissões da saúde, garantindo ao usuário do SUS a atenção multiprofissional e interdisciplinar e o direito a uma atenção à saúde que leve em conta as diversas determinantes dos processos de saúde e doença.

O Conselho Federal de Psicologia apoia a iniciativa de regulamentação profissional da medicina. Contudo, não se pode ferir a autonomia de outras profissões.

Participe e vote contra o engessamento do trabalho multiprofissional e interdisciplinar na saúde!

Para participar, clique aqui.

Fonte: Conselho Federal de Psicologia

sábado, 5 de dezembro de 2009

Intelectuais de aluguel



Acadêmicos amestrados


Por Idelber Avelar


Se um marciano aterrissasse hoje no Brasil e se informasse pela Rede Globo e pelos três jornalões, seria difícil que nosso extra-terrestre escapasse da conclusão de que o maior filósofo brasileiro se chama Roberto Romano; que nosso grande cientista político é Bolívar Lamounier; que Marco Antonio Villa é o cume da historiografia nacional; que nossa maior antropóloga é Yvonne Maggie, e que o maior especialista em relações raciais é Demétrio Magnoli. Trata-se de outro monólogo que a mídia nos impõe com graus inauditos de desfaçatez: a mitologia do especialista convocado para validar as posições da própria mídia. Curiosamente, são sempre os mesmos.


Se você for acadêmico e quiser espaço na mídia brasileira, o processo é simples. Basta lançar-se numa cruzada contra as cotas raciais, escrever platitudes demonstrando que o racismo no Brasil não existe, construir sofismas que concluam que a política externa do Itamaraty é um desastre, armar gráficos pseudocientíficos provando que o Bolsa Família inibe a geração de empregos. Estará garantido o espaço, ainda que, como acadêmico, o seu histórico na disciplina seja bastante modesto.


Mesmo pessoas bem informadas pensaram, durante os anos 90, que o elogio ao neoliberalismo, à contenção do gasto público e à sanha privatizadora era uma unanimidade entre os economistas. Na economia, ao contrário das outras disciplinas, a mídia possuía um leque mais amplo de especialistas para avalizar sua ideologia. A força da voz dos especialistas foi considerável e criou um efeito de manada. Eles falavam em nome da racionalidade, da verdade científica, da inexorável matemática. A verdade, evidentemente, é que essa unanimidade jamais existiu. De Maria da Conceição Tavares a Joseph Stiglitz, uma série de economistas com obra reconhecida no mundo apontou o beco sem saída das políticas de liquidação do patrimônio público. Chris Harman, economista britânico de formação marxista, previu o atual colapso do mercado financeiro na época em que os especialistas da mídia repetiam a mesma fórmula neoliberal e pontificavam sobre a “morte de Marx”. Foi ridicularizado como dinossauro e até hoje não ouviu qualquer pedido de desculpas dos papagaios da cantilena do FMI.


Há uma razão pela qual não uso aspas na palavra especialistas ou nos títulos dos acadêmicos amestrados da mídia. Villa é historiador mesmo, Maggie é antropóloga de verdade, o título de filósofo de Roberto Romano foi conquistado com méritos. Não acho válido usar com eles a desqualificação que eles usam com os demais. No entanto, o fato indiscutível é que eles não são, nem de longe, os cumes das suas respectivas disciplinas no Brasil. Sua visibilidade foi conquistada a partir da própria mídia. Não é um reflexo de reconhecimento conquistado antes na universidade, a partir do qual os meios de comunicação os teriam buscado para opinar como autoridades. É um uso desonesto, feito pela mídia, da autoridade do diploma, convocado para validar uma opinião definida a priori. É lamentável que um acadêmico, cujo primeiro compromisso deveria ser com a busca da verdade, se preste a esse jogo. O prêmio é a visibilidade que a mídia pode emprestar – cada vez menor, diga-se de passagem. O preço é altíssimo: a perda da credibilidade.


O Brasil possui filósofos reconhecidos mundialmente, mas Roberto Romano não é um deles. Visite, em qualquer país, um colóquio sobre a obra de Espinosa, pensador singular do século XVII. É impensável que alguém ali não conheça Marilena Chauí, saudada nos quatro cantos do planeta pelo seu A Nervura do Real, obra de 941 páginas, acompanhada de outras 240 páginas de notas, que revoluciona a compreensão de Espinosa como filósofo da potência e da liberdade. Uma vez, num congresso, apresentei a um filósofo holandês uma seleção das coisas ditas sobre Marilena na mídia brasileira, especialmente na revista Veja. Tive que mostrar arquivos pdf para que o colega não me acusasse de mentiroso. Ele não conseguia entender como uma especialista desse quilate, admirada em todo o mundo, pudesse ser chamada de “vagabunda” pela revista semanal de maior circulação no seu próprio país.


Enquanto isso, Roberto Romano é apresentado como “o filósofo” pelo jornal O Globo, ao qual dá entrevistas em que acusa o blog da Petrobras de “terrorismo de Estado”. Terrorismo de Estado! Um blog! Está lá: O Globo, 10 de junho de 2009. Na época, matutei cá com meus botões: o que pensará uma vítima de terrorismo de Estado real – por exemplo, uma família palestina expulsa de seu lar, com o filho espancado por soldados israelenses – se lhe disséssemos que um filósofo qualifica como “terrorismo de Estado” a inauguração de um blog em que uma empresa pública reproduz as entrevistas com ela feitas pela mídia? É a esse triste papel que se prestam os acadêmicos amestrados, em troca de algumas migalhas de visibilidade.


A lambança mais patética aconteceu recentemente. Em artigo na Folha de São Paulo, Marco Antonio Villa qualificava a política externa do Itamaraty de “trapalhadas” e chamava Celso Amorim de “líder estudantil” e “cavalo de troia de bufões latino-americanos”. Poucos dias depois, a respeitadíssima revista Foreign Policy – que não tem nada de esquerdista – apresentava o que era, segundo ela, a chave do sucesso da política externa do governo Lula: Celso Amorim, o “melhor chanceler do mundo”, nas palavras da própria revista. Nenhum contraponto a Villa jamais foi publicado pela Folha.


Poucos países possuem um acervo acadêmico tão qualificado sobre relações raciais como o Brasil. Na mídia, os “especialistas” sobre isso – agora sim, com aspas – são Yvonne Maggie, antropóloga que depois de um único livro decidiu fazer uma carreira baseada exclusivamente no combate às cotas, e Demétrio Magnoli, o inacreditável geógrafo que, a partir da inexistência biológica das raças, conclui que o racismo deve ser algum tipo de miragem que só existe na cabeça dos negros e dos petistas.


Por isso, caro leitor, ao ver algum veículo de mídia apresentar um especialista, não deixe de fazer as perguntas indispensáveis: quem é ele? Qual é o seu cacife na disciplina? Por que está ali? Quais serão os outros pontos de vista existentes na mesma disciplina? Quantas vezes esses pontos de vista foram contemplados pelo mesmo veículo? No caso da mídia brasileira, as respostas a essas perguntas são verdadeiras vergonhas nacionais.


Essa matéria é parte integrante da edição impressa da Fórum de novembro. Nas bancas.


Idelber Avelar