quarta-feira, 3 de novembro de 2010

OAB processa jovem por racismo no Twitter

SÃO PAULO - A Ordem dos Advogados do Brasil de Pernambuco entrou com uma ação, na segunda-feira, contra uma estudante paulista acusada de publicar mensagens racistas no Twitter e no Facebook.


Segundo a OAB-PE, a estudante de direito Mayara Petruso teria iniciado uma série de ataques contra os nordestinos, no domingo, após a eleição da presidente Dilma Rousseff.

Em sua conta, Mayara publicou mensagens como: "Nordestino não é gente. Faça um favor a SP, mate um nordestino afogado!".


Após o anúncio do resultado das eleições, uma série de mensagens preconceituosas e difamatórias contra nordestinos foram publicadas no microblog.

O tumblr “Xenofobia Não” capturou e republicou algumas delas. O assunto apareceu entre os trending topics do Twitter na noite de domingo.

Mayara deverá responder por crime de racismo e incitação pública de prática de crime, com penas previstas de dois a cinco anos e de três a seis meses ou multa.

A jovem excluiu suas contas no Twitter e no Facebook, redes sociais onde ela fez os ataques.

Fonte: Info Abril

Dilma venceria sem o Nordeste

É inegável que os votos das regiões mais pobres do país – Norte e Nordeste – consolidaram a ampla vantagem de 12 milhões de votos que Dilma Rousseff (PT) teve sobre o seu adversário do segundo turno, José Serra (PSDB), na eleição presidencial deste domingo. Porém, mesmo se tivesse saído dessas duas regiões sem qualquer vantagem, a nova presidente do Brasil garantiria a vitória. Ou seja: a diferença que Dilma fez em Minas Gerais, Rio de Janeiro e no Distrito Federal já seria suficiente para anular as perdas que teve em todos os estados onde Serra ganhou.


Considerando apenas os votos do Centro-Oeste, Sul e Su­­deste, Dilma teria 33,2 milhões de votos contra 32,9 milhões de Serra – uma diferença de apenas 275 mil votos, mas que daria a Presidência à petista. Dilma venceu no Sudeste com um diferença de 1,6 milhão de eleitores e, por isso, neutralizou as vitórias de Serra nos estados do Sul, onde ele teve vantagem de 1,2 milhão de votos, e no Centro-Oeste, região em que a diferença pró-Serra foi de apenas 129 mil votos (veja mapa nesta página).

Dessa maneira, cai por terra o argumento de que foram apenas o Nordeste e o Norte que garantiram a eleição de Dilma. É o que diz o cientista político Ricardo Costa de Oliveira, da UFPR. “A interpretação de que Dilma teve uma vitória ‘geográfica’ é um pouco enganosa”, afirma.


A campanha de Dilma conseguiu dois trunfos para isso. O primeiro foi garantir a vitória em dois estados importantes do Sudeste: Minas Gerais e Rio de Janeiro. Juntos, os dois estados tiveram 18,8 milhões de votantes. E 11,1 milhões deles (59,3%) votaram em Dilma, contra outros 7,6 milhões (40,6%) que preferirar Serra. A segunda vantagem dela foi dividir o eleitorado nos demais estados. Exemplo mais claro disso é São Paulo. Apesar de ser o principal reduto político de Serra, o estado teve uma votação menos elástica do que poderiam prever os tucanos. Serra venceu no estado com 12,3 milhões de votos (54%) contra 10,4 milhões (45,9%) da petista.

Arranjos regionais

A professora e cientista política da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Maria do So­­corro Braga, acredita que este desempenho de Dilma nas regiões Centro-Oeste, Sul e Sudeste é reflexo dos arranjos políticos regionais. Para ela, a votação em São Paulo foi apertada como a eleição para governador, em que Geraldo Alckmin (PSDB) conseguiu a vitória depois de uma disputa forte com o candidato petista Aloizio Mercadante (PT).

Já em Minas, a vitória da petista se deveria ao pouco em­­penho de Aécio Neves (PSDB) – principal liderança estadual, ex-governador e senador eleito – na campanha de Serra. Para ela, a vitória do PSDB no Sul e Centro-Oeste deve-se a forte identificação do agronegócio com o candidato. “Ele enfatizou muito esse assunto de produção, do escoamento (da safra). Isso gerou uma linha do agronegócio (a favor de Serra), que começa em Roraima, passa pelo Centro-Oeste e vai até o Sul”.

Já o cientista político da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO), Wilson Ferreira da Cunha, considera que o “uso da máquina”, ou seja, de funcionários e da estrutura do governo federal na eleição, explica o desempenho de Dilma nas três regiões. Outra explicação, no entendimento do especialista, é que Minas Gerais e Rio de Janeiro são estados que recebem muita transferência direta de renda com os programas sociais. “Existe muita pobreza (nos dois estados). Isso reflete na exploração pelo Bolsa-Família”, afirma o professor.




Fonte: Gazeta do Povo

Vitória do Povo Brasileiro

Dilma Rousseff é a nova presidente do Brasil. A primeira mulher a ocupar o cargo representa por si só um marco político na história do País. Se não bastasse, as origens de Dilma, sua história de luta pela democracia e justiça social e sua identidade com um projeto democrático e popular são razões de orgulho para todos os que sonham com um país justo e soberano.


A vitória de Dilma é, para a classe trabalhadora, motivo de grande orgulho e alegria. É a vitória da esperança de um país ainda melhor, para seguir o processo de transformação iniciado há oito anos com o governo de Lula, operário, sindicalista e fundador da CUT e do PT.

Durante o processo eleitoral, enfrentamos uma campanha truculenta do candidato da aliança PSDB/DEM recheada de mentiras, baixarias, demagogia e manipulações sórdidas – reproduzidas pela velha mídia conservadora, contra a candidata, e hoje presidente da república, Dilma Rousseff.

Mas o ódio das elites e da mídia não se dirigiu apenas à figura de Dilma e do presidente Lula. Buscaram atingir a democracia e os movimentos sociais, as mudanças e os avanços conquistados nestes últimos oito anos, sem aceitar o crescimento econômico com soberania e que o Brasil tenha se tornado menos desigual e injusto.

Mais uma vez, o povo brasileiro rejeitou nas urnas, como em 2002 e 2006, a campanha baseada nas mentiras, dizendo não ao entreguismo e privatizações, a retirada de direitos, ao desemprego e a criminalização dos movimentos sociais.

Uma fala do filósofo Leonardo Boff resume o sentimento desta conquista. “Se vitória de Lula representou a vitória da esperança contra o medo, a de Dilma representou a vitória da verdade contra a mentira, calúnia e tentativa de difamação.”

Agora após as apurações, é o momento de comemorarmos a vitória do povo brasileiro.

E também para reafirmar que as mudanças em curso devem ser aprofundadas. O SinPsi estará mobilizado juntamente com as outras entidades que representam a classe trabalhadora na agenda de lutas gerais, como a redução da jornada de trabalho para 40 horas, pelo fim do fator previdenciário e sem aumento na idade mínima da aposentadoria, pela utilização no desenvolvimento social dos recursos obtidos no pré-sal, pela valorização do salário mínimo, pelo fortalecimento da organização sindical e democratização das relações de trabalho, pela igualdade, distribuição de renda e inclusão social, por um Estado democrático com caráter público e participação ativa da sociedade.

Buscaremos também avanços nas condições de trabalho para os psicólogos e psicólogas tanto no serviço público como no privado. A luta pela redução da jornada de trabalho para 30 horas semanais sem redução de salários ganha um destaque especial no próximo período.

Contamos com apoio amplo da categoria. Exemplo disto é o número de assinaturas nos manifestos publicados em nosso site. Foram 6.654 assinaturas enviadas aos Deputados Federais e Senadores.

Isto deixa claro o quanto representa esta conquista para a categoria. É importante registrar que em diversos municípios e estados, por meio de processos de negociação coletiva, já conquistamos a redução da jornada para 30 horas semanais. Em nenhum desses casos há relato ou avaliação de que a redução trouxe prejuízos, pelo contrário, a jornada reduzida é frequentemente apontada como componente de melhoria das condições de trabalho, com reflexos positivos diretos na qualidade dos serviços.

Mas temos a certeza de que a aprovação de uma lei federal (no Congresso Nacional) é o caminho mais efetivo e por esta razão estaremos realizando uma grande mobilização no próximo período, cobrando dos candidatos eleitos compromisso com as nossas lutas.

- Clique aqui e tenha maiores informações sobre a jornada de 30 horas

- Clique aqui para asssinar o Manifesto redigido pela FenaPsi e pelo CFP

Fonte: Sindicato dos Psicólogos do Estado de São Paulo

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Política econômica traçada por Dilma recebe primeira nota positiva

 As diretrizes da política econômica que Dilma Rousseff (PT) traçou em seu primeiro pronunciamento como presidente eleita, no qual prometeu continuidade e prudência fiscal, receberam nesta segunda-feira (1º) o primeiro aval de uma agência internacional de classificação de risco.

Em nota divulgada nesta segunda-feira, a agência Standard & Poor's indicou que a adoção de políticas de controle fiscal como as prometidas pela petista em um ambiente como o atual, de crescimento econômico e inflação sob controle, permitem prever uma elevação da classificação de risco do Brasil.

No discurso que pronunciou na noite de domingo após ser confirmada como primeira mulher presidente do Brasil com 56,05% dos votos válidos, Dilma garantiu que, em matéria econômica, pouco mudará com relação ao rumo já traçado pelo padrinho político, Luiz Inácio Lula da Silva, mas deu pistas sobre algumas medidas que poderia adotar.

A ex-ministra da Casa Civil, que será a primeira economista a assumir a Presidência, citou especificamente o controle dos gastos públicos, mas sem comprometer os programas sociais.

Nem o mercado nem os analistas esperam grandes reformas de uma líder que ajudou a definir o atual rumo econômico como ministra, e menos ainda em momentos quando o Brasil caminha a passos firmes para situar-se entre as cinco maiores economias do mundo num futuro próximo.

Segundo uma pesquisa divulgada nesta segunda-feira pelo Banco Central, os economistas dos bancos privados preveem que o PIB (Produto Interno Bruto) cresça 7,6% neste ano, seu maior nível em duas décadas, e que mantenha um crescimento superior a 5% a partir do ano que vem.

O próprio candidato derrotado no segundo turno, José Serra (PSDB), se absteve de prometer grandes reformas econômicas e, pelo contrário, elogiou as medidas com as quais Lula enfrentou a crise mundial, que permitiram ao Brasil se transformar em um dos primeiros países a superá-la.

O tucano também não podia criticar as bases da política econômica, inclusive porque Lula manteve as que tinham sido implantadas por seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso (1995-2003), de quem Serra foi ministro do Planejamento e da Saúde.

Tais bases, com as quais Dilma também se comprometeu, são: inflação controlada, gastos públicos controlados e regime cambial flutuante.
Em seu discurso de domingo, a presidente eleita reiterou seu compromisso com a redução dos gastos, que nos últimos meses cresceram e puseram em risco a meta do Governo de fechar o ano com um superávit fiscal primário de 3,3% do PIB.
"Faremos todos os esforços pela melhora da qualidade dos gastos públicos, pela simplificação e redução da tributação e pela qualificação dos serviços públicos", anunciou Dilma.

A presidente eleita esclareceu que os esforços fiscais não comprometerão os programas sociais e de distribuição de renda iniciados por Lula.
Para melhorar a despesa do Estado sem comprometer o ajuste fiscal nem pôr em risco a inflação e ao mesmo tempo estimular a economia, Dilma pretende impulsionar uma redução da taxa de juros, atualmente de 6% em termos reais, o que a situa entre as maiores do mundo.

A presidente eleita, uma economista qualificada como "desenvolvimentista", também anunciou que porá maior ênfase no mercado interno, que é justamente o que impulsionou o crescimento da economia nacional.
Com as exportações em baixa pela crise internacional e a forte apreciação do real, o consumo das famílias em um país de 180 milhões de habitantes, que cresce a um ritmo de quase 8% anual, se transformou na locomotiva da economia.

Dilma reconheceu que, com as grandes economias do mundo em crise, é necessário continuar apostando no mercado interno, para não depender muito das exportações. No entanto, ela esclareceu que o Brasil não fechará sua economia ao exterior, mas estabelecerá regras mais claras para reduzir a volatilidade das moedas e do mercado de capitais.
"Atuaremos firmemente nos fóruns internacionais com esse objetivo", assegurou a próxima governante, que já confirmou que viajará com Lula na semana que vem à Coreia do Sul para participar da Cúpula do Grupo dos 20 (G20, países ricos e emergentes).

Tanto Lula quanto Dilma defendem um acordo no marco do G20 que detenha a atual "guerra cambial", que reduziu a competitividade dos produtos brasileiros no exterior.

Fonte: Folha de São Paulo

Leonardo Boff: Os desafios para a presidente Dilma

 Celebramos alegremente a vitória de Dilma Rousseff. E não deixamos de folgar também pela derrota de José Serra que não mereceu ganhar esta eleição dado o nivel indecente de sua campanha, embora os excessos tenham ocorrido nos dois lados. Os bispos conservadores que, à revelia da CNBB, se colocaram fora do jogo democrático e que manipularam a questão da descriminalização do aborto, mobilizando até o Papa em Roma, bem como os pastores evangélicos raivosamente partidizados, sairam desmoralizados.

Post festum, cabe uma reflexão distanciada do que poderá ser o governo de Dilma Rousseff. Esposamos a tese daqueles analistas que viram no governo Lula uma transição de paradigma: de um Estado privatizante, inspirado nos dogmas neoliberais para um Estado republicano que colocou o social em seu centro para atender as demandas da população mais destituída. Toda transição possui um lado de continuidade e outro de ruptura. A continuidade foi a manutenção do projeto macroeconômico para fornecer a base para a estabilidade política e exorcizar os fantasmas do sistema. E a ruptura foi a inauguração de substantivas políticas sociais destinadas à integração de milhões de brasileiros pobres, bem representadas pela Bolsa Familia entre outras.

Não se pode negar que, em parte, esta transição ocorreu pois, efetivamente, Lula incluiu socialmente uma França inteira dentro de uma situação de decência. Mas desde o começo, analistas apontavam a inadequação entre projeto econômico e o projeto social. Enquanto aquele recebe do Estado alguns bilhões de reais por ano, em forma de juros, este, o social, tem que se contentar com bem menos.
Não obtante esta disparidade, o fosso entre ricos e pobres diminuiu o que granjeou para Lula extraordinária aceitação.

Agora se coloca a questão: a Presidente aprofundará a transição, deslocando o acento em favor do social onde estão as maiorias ou manterá a equação que preserva o econômico, de viés monetarista, com as contradições denunciadas pelos movimentos sociais e pelo melhor da inteligentzia brasileira?

Estimo que, Dilma deu sinais de que vai se vergar para o lado do social-popular. Mas alguns problemas novos como aquecimento global devem ser impreterivelmente enfrentados. Vejo que a novel Presidente compreendeu a relevância da agenda ambiental, introduzida pela candidata Marina Silva. O PAC (Projeto de Aceleração do Crescimento) deve incorporar a nova consciência de que não seria responsável continuar as obras desconsiderando estes novos dados. E ainda no horizonte se anuncia nova crise econômica, pois os EUA resolveram exportar sua crise, desvalorizando o dólar e nos prejudicando sensivelmente.
Dilma Rousseff marcará seu governo com identidade própria se realizar mais fortemente a agenda que elegeu Lula: a ética e as reformas estruturais. A ética somente será resgatada se houver total transparência nas práticas políticas e não se repita a mercantilização das relações partidárias (“mensalão”).

As reformas estruturais é a dívida que o governo Lula nos deixou. Não teve condições, por falta de base parlamentar segura, de fazer nenhuma das reformas prometidas: a política, a fiscal e a agrária. Se quiser resgatar o perfil originário do PT, Dilma deverá implementar uma reforma política. Será dificil, devido os interesses corporativos dos partidos, em grande parte, vazios de ideologia e famintos de benefícios. A reforma fiscal deve estabelecer uma equidade mínima entre os contribuintes, pois até agora poupava os ricos e onerava pesadamente os assalariados. A reforma agrária não é satisfeita apenas com assentamentos. Deve ser integral e popular levando democracia para o campo e aliviando a favelização das cidades.

Estimo que o mais importante é o salto de consciência que a Presidente deve dar, caso tomar a sério as consequências funestas e até letais da situação mudada da Terra em crise sócio-ecológica. O Brasil será chave na adaptação e no mitigamento pelo fato de deter os principais fatores ecológicos que podem equilibrar o sistema-Terra. Ele poderá ser a primeira potência mundial nos trópicos, não imperial mas cordial e corresponsável pelo destino comum. Esse pacote de questões constitui um desafio da maior gravidade, que a novel Presidente irá enfrentar. Ela possui competência e coragem para estar à altura destes reptos. Que não lhe falte a iluminação e a força do Espírito Criador. Escrito por

Leonardo Boff.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Até o papa apoiou Serra

Dilma Rousseff, a eleita, teve de enfrentar a campanha mais feroz contra um candidato à Presidência na história do Brasil
Temos uma mulher na Presidência da República, primeira na história do
Brasil. E que uma mulher chegue a tanto já é notícia extraordinária.
Levo em conta a preocupação do Datafolha a respeito da presença feminina no tablado eleitoral: refiro-me à pergunta específica contida na sua pesquisa, sempre aguardada com ansiedade pelo Jornal Nacional e até pelo Estadão. A julgar pelo resultado do pleito, Dilma Rousseff representa entre nós a vitória contra o velho preconceito pelo qual mulher só tem serventia por certos dotes que a natureza generosamente lhe conferiu.

Para CartaCapital a eleição de Dilma Rousseff representa coisas mais.
A maioria dos eleitores moveu-se pelas razões que nos levaram a apoiar a candidata de Lula desde o começo oficial da campanha. Em primeiro lugar, a continuidade venceu porque a nação consagra os oito anos de bom governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Inevitável foi o confronto com o governo anterior de Fernando Henrique Cardoso, cujo trunfo inicial, a estabilidade, ele próprio, príncipe dos sociólogos, conseguiu pôr em risco.

Depois de Getúlio Vargas, embora manchada a memória pelo seu tempo de ditador, Lula foi o único presidente que agiu guiado por um projeto de país.
Na opinião de CartaCapital, ele poderia ter sido às vezes mais ousado em política social, mesmo assim mereceu índices de popularidade nunca dantes navegados e seu governo passou a ser fator determinante do êxito da candidata.

A comparação com FHC envolve também a personalidade de cada qual. Por exemplo: o professor de sociologia é muito menos comunicativo do que o ex-metalúrgico, sem falar em carisma. Não se trata apenas de um dom natural, e sim da postura física e da qualidade da fala, capaz de
transmitir eficazmente ideias e emoções. Lembraremos inúmeros discursos de Lula, de FHC nenhum.

Outra diversidade chama em causa a mídia nativa. Fascinada, sempre
esteve ao lado de FHC, inclusive para lhe esconder as mazelas.
Vigorosa intérprete do ódio de classe em exclusivo proveito do privilégio, atravessou oito anos a alvejar o presidente mais amado da história pátria. Quando, ao dar as boas-vindas aos 900 convidados da festa da premiação das empresas e dos empresários mais admirados no Brasil, ousei dizer que o mensalão, como pagamento mensal a parlamentares, não foi provado para desconforto da mídia, certo setor da plateia esboçou um começo de vaia. Calou-se quando o colega Paulo Henrique Amorim ergueu-se ao grito de “Viva Mino!” Os fiéis da tucanagem não primam pela bravura.

Pois Dilma Rousseff teve de enfrentar esta mídia atucanada, a reeditar o udenismo de antanho em sintonia fina com seus heróis. Deram até para evocar o passado da jovem Dilma, “guerrilheira” e “terrorista”. Como de hábito, apelaram para a má-fé para explorar a ignorância de um povo que, infelizmente, ainda não conhece a sua história, e que não a conhece por obra e graça sinistra de uma minoria a sonhar com um país de 20 milhões de habitantes e uma democracia sem demos.

Nos porões do regime dos gendarmes da chamada elite, Dilma Rousseff­ foi encarcerada e brutalmente torturada. Poderia ter sofrido o mesmo fim de Vlado Herzog, que os jornalistas não se esquecem de recordar todo ano.
Mas a hipocrisia da mídia não tem limites, com a contribuição da
ferocidade que imperou na internet ao sabor da campanha de ódio nunca tão capilar e agressiva. E na moldura cabe à perfeição a questão do aborto, praticado à vontade pelas privilegiadas e, ao que se diz, pela própria esposa de José Serra, e negado às desvalidas.

Até o papa alemão a presidente recém-eleita teve de enfrentar. Ao se
encontrar já nos momentos finais da campanha com um grupo de bispos nordestinos, Ratzinger convidou-os a orientar os cidadãos contra quem não respeita a vida, clara referência à questão que, lamentavelmente, invadiu as primeiras páginas, as capas, os noticiários da tevê. Parece até que Bento XVI não sabe que o Vaticano fica na Itália, onde o aborto foi descriminalizado há 40 anos.

Fonte: Carta Capital

Eleita por mais de 55 milhões, Dilma promete “honrar a confiança” e “governar para todos”


Dilma vitória
Pela primeira vez na história do Brasil, a partir de 1º de janeiro de 2011 a Presidência da República será exercida por uma mulher. Dilma Vana Rousseff Linhares, mãe e avó com 62 anos de idade, natural de Belo Horizonte (MG); guerrilheira presa, torturada e mantida na cadeia durante três anos pela ditadura militar; economista; secretária municipal em Porto Alegre; secretária estadual no Rio Grande do Sul; ministra de Minas e Energia e da Casa Civil da Presidência; candidata indicada ao PT pelo presidente Lula e estreante em disputas eleitorais, foi eleita ontem por mais de 55,7 milhões de brasileiros e brasileiras para suceder o presidente Lula. Dilma venceu José Serra (PSDB), candidato das oposições ao atual governo, por diferença superior a 12 milhões de votos.
    A vitória da candidata do PT e de mais nove partidos, obtida contra um oponente que acumula experiências de prefeito, deputado, ministro, secretário estadual, senador, governador e, duas vezes, candidato derrotado à Presidência, foi anunciada oficialmente pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Ricardo Lewandowski, às 20h04min, quando a vantagem de Dilma já era superior ao número de votos que faltava apurar. Fechadas as contas ao fim da segunda hora de hoje, o resultado da eleição presidencial ficou assim:
Dilma Rousseff      55.751.918  (56.05%)
José Serra                 43.710.381  (43.95%)
Brancos                         2.452.588  (2,3%)
Nulos                              4.689.293  (4,4%)
Ausentes                   29.191.309  (21,5%)
    Dilma venceu a eleição no Distrito Federal e em 15 estados: Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí, Tocantins, Maranhão, Pará e Amapá. Seu adversário foi o candidato mais votado em São Paulo, Espírito Santo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás, Rondônia, Acre e Roraima.
    Ainda antes de votar, em Porto Alegre, a candidata do PT anunciou que vai governar para todos com a coligação que apoiou sua candidatura.
    “A minha coligação, que me trouxe até aqui, é a coligação com a qual vou governar. Vou governar para todos, conversarei com todos os brasileiros”.
    À noite, confirmada sua vitória, sua primeira declaração incluiu um agradecimento e uma promessa aos eleitores:
    “Prometo honrar a confiança que depositaram em mim”.

Fonte: Brasília Confidencial

Com a palavra: a mãe de Dilma


O telefone tocou por volta de 21h30. “Mãe, eu estou muito feliz. Como a senhora está?”, perguntava Dilma, a filha. “Eu estou muito bem, felicíssima˜, respondeu Dilma, a mãe. A rápida conversa no domingo à noite foi logo interrompida do outro lado, em Brasília, por alguém que chamava a recém-eleita para algum compromisso. “Mãe, te ligo mais tarde”, despediu-se a filha de dona Dilma Jane Silva Rousseff, pouco antes de fazer o primeiro pronunciamento à nação como presidente da República.

Do lado de cá da linha, dona Dilma, 86, também não parava de atender aos telefonemas de familiares cumprimentando pela vitória de sua filha nas urnas.

“Eu já estou acostumada. De repente, quando nós duas estamos almoçando, o telefone toca e ela nem termina de comer”, conta a mãe, em sua casa no bairro São Luís, região da Pampulha. Era lá que a nova presidente do Brasil costumava se reunir com seus aliados políticos mineiros quando vinha a Belo Horizonte, entre eles o ex-prefeito da capital Fernando Pimentel, candidato derrotado na disputa pelo senado.

Muito bonita, produzida e, acima de tudo, feliz, dona Dilma não se cansava de dizer a O TEMPO como estava satisfeita com vitória da filha, “depois de tudo que ela passou”. “O que fizeram com minha filha nessas eleições, eles acabaram com ela. Foi uma campanha muito dura”, desabafou.

Na entrevista, a mãe da primeira presidente mulher do Brasil falou de tudo: a infância da filha, a prisão pela ditadura e de política. Relembrou a paixão da nova presidente pela leitura. "Ela sempre gostou muito de ler. Como o ensino naquela época era muito diferente de hoje, ela foi aprender mesmo a ler com 7 anos”, contou. Dilma estudou no Instituto Izabela Hendrix.

“Dilminha sempre foi muito rápida. Ela tem o raciocínio muito rápido, puxou o pai (o engenheiro e poeta búlgaro Pétar Russév, naturalizado brasileiro como Pedro Rousseff, morto na década de 70). Não que eu seja burra”, brincou a professora aposentada, cercada pelos cinco cachorrinhos que vivem com ela e a irmã, Arilda Terezinha Silva. Até para cozinhar, a presidente eleita é ágil, garante a mãe. “Acho que é porque ela não tem muito tempo, então ela tempera tudo muito rápido”.

Questionada sobre o prato favorito da filha ilustre, dona Dilma diz que ela come de tudo, "desde que seja bem temperadinho”. E se lembrou de quando ela estudava no bairro Sion, no colegial, e tinha uma colega que adorava almoçar em sua casa porque sempre tinha sardinha. “Ela sempre gostou muito de peixe. Tinha que fazer sardinha lá em casa pelo menos duas vezes por semana”, contou.

Por ironia do destino, a mãe de Dilma não pôde dar a ela seu voto no segundo turno. Ela havia se cadastrado para votar em trânsito, e, como havia desistido de viajar, não conseguiu votar na sua seção, em Belo Horizonte.

CONFIRA TRECHOS DA ENTREVISTA COM A MÃE DA PRESIDENTE ELEITA:

A senhora está preparada para ser a mãe da presidente do Brasil? Quantas entrevistas a senhora já deu hoje?

Esta é a quarta. Estou preparada, sim. Estou achando muito gostosa essa situação, até porque acho que não deve durar muito (o assédio da imprensa). Acho que não deve chegar a um mês.

Olha, dona Dilma, acredito que será por um tempo bem maior...

Não tem problema, devo viajar também, ficar algum tempo fora...

A senhora imaginava, quando Dilma era pequena, que teria uma filha tão importante um dia?

Não, não imaginava. Até para você ver, o Serra planejou tantos anos para ser presidente do Brasil e não conseguiu, e de repente a minha filha é que é eleita. Foi tudo muito rápido. É uma emoção muito grande.

Como a sua filha está agora, depois de uma maratona tão intensa de compromisso, viagens, denúncias?

Ela está muito bem. Cansada, apenas, mas a vitória revigora as forças. E digo com certeza que ela está preparada para governar o Brasil e tem total condições de fazer um bom governo, ao contrário do que muitos dizem.

No final do primeiro turno, a candidata parecia mais inchada, e surgiram rumores de que ela teria retomado o tratamento contra o câncer...

Não, de jeito nenhum. Gorda, ela estava muito gorda mesmo, mas é por causa daquele remédio que ela teve que tomar para a garganta, corticóide. No final, ela já estava quase sem voz. Dilminha fez recentemente exames de controle e está tudo bem.

O que a senhora achou da campanha? Foram muitas denúncias envolvendo aliados da sua filha...

Eles acabaram com ela, a turma do PSDB. Foi tudo muito duro. Todos nós sofremos muito. Chegaram até a falar que ela não era brasileira. Imagine só. Era só procurar nos arquivos das escolas onde ela estudou aqui em Belo Horizonte. Só porque o pai dela era búlgaro. Não é demais? E olha bem, para você ver, nós não podemos imaginar o que as pessoas que a gente tanto confia são capazes de fazer, como essa Erenice, que colocou os filhos lá.

Ela chegou a desabafar com a senhora sobre as denúncias envolvendo a sucessora dela na Casa Civil, Erenice Silva?

Dilma não me conta nada, ela costuma dizer que eu sou muito faladeira. Aliás, ela nunca foi de desabafar, ela acha que eu sou mais frágil que ela. Nem quando ficou presa e foi torturada ela me contou como foi.

Como foi quando a senhora descobriu que sua filha tinha sido presa?

Ela tinha fugido daqui na época do golpe militar. Eu fiquei um tempo sem procurar por ela. Não podia procurar, para não despertar a atenção. E aí veio a notícia de que ela tinha sido presa. Só pude visitar um mês depois.

E como foi a visita?

Muito rápida, muito vigiada. Depois que eu vi minha filha magrinha daquele jeito, chorei por duas horas sem parar. Eles queriam até me levar para a enfermaria, mas eu disse que enfermeiro nenhum poderia curar a dor de uma mãe ver a filha presa e torturada.

A senhora sabia que ela fazia parte de movimentos de esquerda?

Sabia, mas só fui cair em mim quando houve o golpe militar. E eu dizia para ela e as colegas: “vocês deviam estudar em vez de ficar fazendo revolução”. Mas não posso reclamar, ela sempre estudou muito.

Como é a Dilma como mãe e como filha?

Nossa, eu acho que ela mima demais a filha dela. Nunca vi dar tanta atenção. Chega até a ser um luxo. Eu já sou mais livre, deixou meus filhos voarem... Ela é uma filha muito preocupada, sempre presente.

Desde que ela entrou para o governo, a senhora se encontra sempre com sua filha?

Nestes oito anos em que ela esteve no governo do Lula, nos encontrávamos mais no início. Ela vinha aqui, nós íamos lá em Brasília. Mas os compromissos iam só aumentando. Mas sempre ela aparece por aqui.

A senhora já conhece o bisnetinho?

Já, fui lá no Rio Grande do Sul quando ele nasceu. Vai fazer dois meses daqui a sete ou oito dias.
 

sábado, 30 de outubro de 2010

ESSA É A NOSSA PRESIDENTA DO BRASIL

 
 
 
500 anos esta noite

De onde vem essa mulher
que bate à nossa porta 500 anos depois?
Reconheço esse rosto estampado
...em pano e bandeiras e lhes digo:
vem da madrugada que acendemos
no coração da noite.

De onde vem essa mulher
que bate às portas do país dos patriarcas
em nome dos que estavam famintos
e agora têm pão e trabalho?
Reconheço esse rosto e lhes digo:
vem dos rios subterrâneos da esperança,
que fecundaram o trigo e fermentaram o pão.

De onde vem essa mulher
que apedrejam, mas não se detém,
protegida pelas mãos aflitas dos pobres
que invadiram os espaços de mando?
Reconheço esse rosto e lhes digo:
vem do lado esquerdo do peito.

Por minha boca de clamores e silêncios
ecoe a voz da geração insubmissa
para contar sob sol da praça
aos que nasceram e aos que nascerão
de onde vem essa mulher.
Que rosto tem, que sonhos traz?

Não me falte agora a palavra que retive
ou que iludiu a fúria dos carrascos
durante o tempo sombrio
que nos coube combater.
Filha do espanto e da indignação,
filha da liberdade e da coragem,
recortado o rosto e o riso como centelha:
metal e flor, madeira e memória.

No continente de esporas de prata
e rebenque,
o sonho dissolve a treva espessa,
recolhe os cambaus, a brutalidade, o pelourinho,
afasta a força que sufoca e silencia
séculos de alcova, estupro e tirania
e lança luz sobre o rosto dessa mulher
que bate às portas do nosso coração.

As mãos do metalúrgico,
as mãos da multidão inumerável
moldaram na doçura do barro
e no metal oculto dos sonhos
a vontade e a têmpera
para disputar o país.

Dilma se aparta da luz
que esculpiu seu rosto
ante os olhos da multidão
para disputar o país,
para governar o país.

(Pedro Tierra)
Brasília, 31 de outubro de 2010.
 
Indicação da Companheira Juceria Zibell

Ainda bem que é ele dentro do navio né?! Pior se ele vira presidente e faz isso com o Brasil!