domingo, 22 de agosto de 2010

Nem o Lula consegue conter vaia aos tucanos


Goldman usa presença de Lula para conter vaias


‘Lula me conhece. É de 40 anos que me conhece e sabe quem eu sou. Sabe que isso não mexe comigo, não me abala’, disse

ANNE WARTH – Agência Estado

SOROCABA – A inauguração do campus de Sorocaba (SP) da Universidade Federal de São Carlos tornou-se palco de protestos de servidores do Poder Judiciário estadual, em greve há 116 dias, contra o governador de São Paulo, Alberto Goldman. Durante a cerimônia, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o governador enfrentou vaias durante os oito minutos e meio em que discursou. Apesar da manifestação, Goldman insistiu com seu discurso diante de um constrangido Lula que, em alguns momentos, ameaçou interferir, mas não o fez. No início, o governador usou a presença de Lula para tentar conter a manifestação.

“Lula me conhece. É de 40 anos que me conhece e sabe quem eu sou. Sabe que isso não mexe comigo, não me abala”, disse Goldman que prosseguiu citando dados sobre realizações do governo paulista na área de ensino técnico e superior. Depois dessa manifestação de Goldman, Lula aplaudiu o governador. Ao final de seu discurso, sem que os protestos tivessem diminuído, o governador se exaltou e gritou ao microfone: “Nada nem ninguém nunca na minha vida há de intimidar”.

O pequeno grupo, formado por cerca de 50 pessoas, que o fazia protesto vestia camisas vermelhas da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e segurava faixas com os dizeres “Judiciário parado há 116 dias”; “Queremos solução” e “Goldman, a culpa é sua”. A greve dos servidores do Judiciário paulista foi iniciada ainda quando José Serra (PSDB) ocupava o Palácio dos Bandeirantes.

O prefeito de Sorocaba, Victor Lippi (PSDB), também recebeu vaias dos integrantes do protesto, mas em volume menor. Já o presidente Lula foi ovacionado pela plateia, ao todo, de cerca de 200 pessoas, entre estudantes, convidados da prefeitura e políticos. Os manifestantes cantaram o jingle que ficou famoso na campanha presidencial de Lula em 1989 – “olé, olé, olá, Lula”.

Fonte: Paulo Henrique Amorim

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Mercado de trabalho terá o melhor desempenho da história em 2010

O mercado de trabalho no Brasil em 2010 deve ter o melhor resultado da história. Segundo a projeção de alguns economistas ouvidos pelo iG, a geração líquida de postos de trabalho (saldo total de admissões e dispensas de empregados, sob o regime da Consolidação das Leis do Trabalho) deve se aproximar de 2 milhões vagas no consolidado do ano.


O melhor resultado da série histórica, iniciada em 1992, do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged),foi registrado em 2007. Naquele ano, o saldo líquido de vagas no mercado de trabalho do País foi de 1.617.392.

Mas esse número pode ser superado hoje. Nesta quinta-feira, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) divulga os números do Caged referentes ao mês de julho. No acumulado do ano até junho, o saldo líquido do mercado de trabalho está em 1.473.320 vagas. Como as previsões dos especialistas no tema apontam que o resultado em julho deve ser de um saldo entre 180 mil e 200 mil vagas, o desempenho recorde acumulado em 2007 deve ser superado. Os setores de serviços e comércio devem seguir liderando a geração de postos de trabalho no País.
 
Confiança na economia


Segundo o economista Fábio Romão, da consultoria LCA, o desaquecimento da economia no segundo trimestre também terá reflexos no mercado de trabalho. O ritmo de contratações será menos pujante do que o verificado no início do ano, mas o desempenho deve continuar ainda em um nível elevado. No primeiro semestre, o saldo líquido de empregos em média foi de 235 mil postos por mês. “ Esse patamar poderá ficar um pouco abaixo das 200 mil vagas, mas ainda é um resultado forte e demonstra a confiança dos empresários na economia”, avalia Romão.

Para o economista da LCA, a evolução do mercado de trabalho segue na esteira do crescimento econômico verificado nos últimos anos. “Houve um aumento na formalização da mão de obra e crescimento da renda do trabalhador. Esse maior poder de consumo da população, aliado a uma certa estabilidade de preços, tornou mais fácil para os empresários prever o cenário econômico e planejar investimentos em projetos para expansão dos negócios, contribuindo para sustentar o ritmo elevado de contratações no País”, diz.

Comércio e serviços

Na avaliação dos especialistas que acompanham a evolução do mercado de trabalho, os números do setor no ano representam um dos melhores desempenhos da história recente do País, talvez só comparável ao período de forte crescimento da economia na década de 1970, conhecido como “Milagre Brasileiro”.

A maior geração de empregos nos setores de serviços e no comércio, segundo os analistas, indica que o Brasil está evoluindo para um cenário já consolidado em economias desenvolvidas como a dos Estados Unidos e de alguns países da Europa, onde a participação da população no emprego industrial vem caindo. “Essa mudança no perfil do emprego não é negativa e indica que a economia brasileira está buscando outras formas de crescer”, afirma o economista da Gradual Investimentos, André Perfeito.

Fonte: IG

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Alckmin afirma que vai manter aprovação automática na rede pública de ensino

Rede Brasil Atual

São Paulo - Em debate realizado pelo portal Uol e jornal Folha de S. Paulo, o candidato do PSDB ao governo de São Paulo, Geraldo Alckmin voltou a defender a aprovação automática em escolas da rede pública de ensino. Entretanto, foi confrontado pelo candidato do PT, Aloizio Mercadante, que afirmou que o governo de São Paulo deve desculpas aos jovens, pois tiveram a educação comprometida pela deficiente formação e falta de oportunidades.

Pressionado pelos candidatos do PP e PT, o tucano limitou-se a desviar o foco das perguntas feitas, não respondendo à maioria das críticas direcionadas aos 16 anos do PSDB no governo paulista.

Celso Russomano (PP), o terceiro participante, questionou o governo do PSDB sobre a falta de segurança no estado. Ele também afirmou que os dados sobre o tema, divulgados pela Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, são maquiados. Russomano sustentou que houve crescimento dos índices de criminalidade e da insegurança. Para o candidato, a polícia de Sâo Paulo trabalha sem estrutura e muitas cidades não têm nem delegado de polícia.

Mais críticas

Questionado sobre o caos aéreo, principalmente em São Paulo, Alckmin afirmou que em seu governo houve a ampliação e reforma dos aeroportos, como o de Itanhaém , no litoral de SP, onde há uma base de exploração das reservas do Pré-Sal.

Alckmin também foi confrontado a respeito do descumprimento do edital de privatização de empresas do setor elétrico por parte das empresas compradoras. Alckmin limitou-se a dizer: "Vou verificar" e voltou a afirmar: "Estado provedor de tudo não existe. Temos de trazer a iniciativa privada para o país".

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Alckmin cortou recursos para Apaes em São Paulo

Instituições privadas sem fins lucrativos – como as Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apaes) – que oferecem atendimento educacional especializado para alunos tiveram recursos cortados durante a gestão do tucano Alckmin no governo de São Paulo (2003-2006).

Mais de R$ 12 milhões previstos, entre 2004 e 2006, não foram aplicados em educação a alunos com deficiência e foi descumprida a meta de ampliar o número de atendimentos em 18% - 42.863 crianças deixaram de obter benefício. Nos Orçamentos de 2003 a 2006 a previsão de atendimento era para 239.925 crianças. O governo estadual, no entanto, cumpriu apenas 197.062.

A gestão Alckmin caminhou no sentido contrário à política de inclusão do governo federal, que aumentou o repasse de recursos federais destinados a melhorar as condições das instituições especializadas em alunos com deficiência. O Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) passou a contar em dobro as matrículas das pessoas com deficiência que estudam em dois turnos, sendo um na escola regular e outro em instituições de atendimento educacional especializado.

Este ano, o valor total repassado por meio do Fundeb ao atendimento educacional especializado em instituições privadas será de R$ 293.241.435,86. Em 2009, foram encaminhados R$ 282.271.920,02. O número de matrículas atuais nessas unidades conveniadas é de 126.895.

Além disso, o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) envia recursos às instituições filantrópicas para merenda, livro e aqueles originários do Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE). Nos últimos três anos, foram repassados R$ 53.641.014,94 destinados a essas ações.
 
fonte: Contexto Livre

Oposição é enganosa e age contra o povo, afirma Dilma

A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, criticou o DEM, partido aliado do seu adversário José Serra (PSDB) que ajuizou ação contra o ProUni no STF (Supremo Tribunal Federal) e afirmou que a oposição demo-tucana é "enganosa".

"Eles falam, falam, e quando podem, fazem contra o povo. Eles são enganosos, mas o povo é inteligente e capaz. Não vai se deixar enganar", disse Dilma, durante visita à Cidade de Deus (zona oeste do Rio) na tarde deste sábado.

Contra os pobres

A petista afirmou que o partido aliado a Serra "entrou no Supremo para acabar com o ProUni. A alegação política era que nivelamos a educação por baixo ao abrirmos vagas para a população mais pobre. Aconteceu o contrário, os estudantes pobres se superaram e tiveram um desempenho extraordinário."

Ao atacar o DEM, que indicou o candidato a vice Indio da Costa, Dilma cutuca também o tucano como oposicionista do programa, que prossegue com propaganda enganosa durante a campanha dizendo que defende a extensão do ProUni para o ensino médio.

"Quando criamos o ProUni entraram com uma ação no Supremo. Quem entrou? O partido aliado da candidatura alternativa à minha, o DEM", disse ela, a uma plateia de cerca de cem pessoas no auditório da Cufa (Central Única das Favelas), na Cidade de Deus.

Defesa dos professores

A petista criticou também a relação de Serra com os professores, que foi marcada pela truculência, segundo os dirigentes da Apeoesp (sindicato da categoria). Ao defender a reivindicação da classe por melhores salários e condições de trabalho, afirmou que os trabalhadores não devem ser "tratados a cacetada".

Foi uma referência aos conflitos entre professores e a polícia da administração Serra na véspera da saída do tucano do governo estadual. Ela usou também se referiu ao Bolsa Família para atacar a oposição. "Não adianta dizer que vão dobrar o Bolsa Família porque quando estavam no governo reduziram os programas sociais que tinham", ou seja, trata-se de mais uma propaganda enganosa.

Com agências

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

PSDB sucateia mais um patrimônio público: TV Cultura vai cortar programas e demitir até 1.400

Ex-secretário de Cultura do Estado de São Paulo, João Sayad assumiu a presidência da TV Cultura em junho com a missão de reduzir a TV pública paulista a uma simples TV estatal. Com o aval do ex-governador José Serra e do atual governador, Alberto Goldman, Sayad pretende reduzir ao máximo a produção de programas e cortar o número de funcionários em quase 80%, dos atuais 1.800 para 400.

Sayad pensa até em vender o patrimônio da TV Cultura. Já encomendou aos advogados da emissora um estudo sobre a viabilidade de a Fundação Padre Anchieta, mantenedora da TV, se desfazer de seus estúdios e edifícios na Água Branca, em São Paulo.

Em reuniões com diretores da emissora, Sayad tem dito que a Cultura não precisa ter mais do que 400 funcionários, que ficariam, segundo ele, muito bem instalados em um andar de um prédio comercial. A postura evidencia que a TV Cultura deixou de ser uma questão de política pública. Passou a ser um "pepino", um problema a ser eliminado pelo governo do Estado.

Fontes ouvidas pelo blog informam que Sayad vive dizendo que irá transformar a Cultura, hoje produtora de programas, em uma coprodutora. Ou seja, ela deixará de produzir programas de entretenimento. Passará a encomendá-los a produtoras independentes e a comprá-los no mercado internacional. Atrações como o Metrópolis podem estar em seus últimos dias.

O jornalismo da Cultura deixará de investir no noticiário do dia a dia, caro e mais bem produzido pelas redes comerciais. A partir de setembro, o Jornal da Cultura, com Maria Cristina Poli, passará a ser um jornal mais de debates, de discussão sobre o noticiário, do que de notícias.

Corte de receitas

A TV Cultura tem hoje um orçamento de cerca R$ 230 milhões. Desse total, R$ 50 milhões vêm da venda de espaço nos intervalos dos programas para anunciantes privados. Outros R$ 60 milhões são oriundos da prestação de serviços, como é chamada na emissora a produção de programas e vídeos para instituições como o Tribunal Superior Eleitoral, a Procuradoria da República, a TV Assembleia (do Estado de S.Paulo) e a TV Justiça.

Pois a gestão de Sayad já iniciou o desmonte dessas duas fontes de recursos. Até o ano que vem, a TV Cultura não terá mais nenhuma publicidade comercial em seus intervalos nem produzirá mais programação para órgãos públicos (a publicidade institucional, irrisória, será mantida). Dessa forma, reduzirá uma boa parte do seu número de funcionários.

Se o plano for executado, a TV Cultura sobreviverá apenas dos R$ 70 milhões que o governo do Estado aporta diretamente todos os anos, além de outros R$ 50 milhões que ela recebe pela produção de conteúdo para as secretarias estadual e municipal de Educação.

Demissões em massa

O plano de demissões de Sayad é mais complexo. Por causa das eleições de outubro, ele não pode demitir funcionários contratados em regime de CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas) até dezembro. A Cultura tem entre 1.000 e 1.200 funcionários celetistas. Esses trabalhadores têm emprego garantido até janeiro. Depois, dependem da postura do novo governador do Estado. Para demitir funcionários celetistas, Sayad precisará do apoio do futuro governador, porque terá de contar com verbas extras para pagar as indenizações.

Já os profissionais contratados como pessoas jurídicas (os PJs, pessoas que têm microempresas) podem ser "demitidos" a qualquer momento. Eles seriam de 600 a 800. Os cortes devem ser feitos à medida que contratos de prestação de serviços, como o da TV Assembleia, forem vencendo e não renovados.

Outro lado

O blog tentou ouvir o presidente da Fundação Padre Anchieta, João Sayad, sobre as mudanças que ele pretende implantar na TV Cultura. Na última segunda-feira, por meio da assessoria de imprensa da emissora, pediu uma entrevista. Ontem à tarde, a TV Cultura informou que Sayad não falaria com o R7.

As informações aqui publicadas foram relatadas previamente à assessoria de imprensa da TV Cultura. Nada foi negado.

Fonte: Sindicato dos Psicólogos do Estado de São Paulo

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Berzoini: Folha está na campanha de Serra

Berzoini acusa Folha de estar em campanha para Serra

Acusação de envolvimento em dossiê apócrifo é tentativa de desqualificar sindicalistas e de mostrar PT como “partido que se dedica a manobras”

São Paulo – O deputado federal e ex-presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini, acusa a Folha de S.Paulo de estar em campanha por José Serra (PSDB), candidato na corrida ao Palácio do Planalto. A crítica é a resposta do parlamentar a reportagem publicada no jornal paulista no domingo (1º), que traz informações sobre um dossiê apócrifo e com informações falsas sobre o ministro da Fazenda Guido Mantega.

“A Folha de S.Paulo está na campanha do Serra, qualquer pessoa com um mínimo de bom senso vê isso”, acusa Berzoini, em entrevista à Rede Brasil Atual. “Então, tudo o que ela puder criar de matérias que passem a ideia de que o PT é um partido que se dedica a manobras, artimanhas, a fazer jogo baixo é interessante para eles”, completa.

A reportagem da Folha sustenta, com base em declarações de pessoas “da estrutura do governo” que falaram em condição de anonimato, que o dossiê falso é atribuído a lideranças ligadas ao PT e ao sindicalismo bancário. O material acusa a filha de Mantega, Marina, de reunir-se com Paulo Caffarelli, vice-presidente do Banco do Brasil, para fazer tráfico de influência. O imbróglio envolvia o fato de que o ministro da Fazenda defendia Caffarelli na presidência do fundo de previdência dos funcionários do Banco (Previ).

Na visão de Berzoini, entre membros do primeiro escalão do governo, não há nenhum crédito nem para a acusação contra as lideranças egressas do sindicalismo bancário nem para as informações falsas do dossiê. Ele critica ainda o uso de declarações “off the record”, em que o nome da fonte da informação é ocultado.

“O off é pior do que carta apócrifa, é o último reduto dos canalhas”, afirma. O jornal cita nove pessoas que teriam confirmado as suspeitas. “Em off, sempre tem um oportunista para falar. (O jornalista) pode ouvir pessoas do terceiro ou quarto escalão, pessoas de quem ele gosta e (que) tenha prazer de ouvir”, reclama.

O ex-presidente do PT também vê uma tentativa de desqualificar lideranças sindicais. “Como temos uma bancada sindical grande na Câmara e no Senado, temos um presidente da República, a governadora do Pará e da Bahia, e vários ministros com origem sindical, eles se sentem incomodados, acham errado”, critica.

“Para setores da mídia, sindicalista é um cidadão de segunda categoria. Até hoje, não se conformam de um sindicalista ter chegado à Presidência da República”, sustenta. “Sempre que podem, procuram desqualificar o sindicalismo; a matéria (de domingo) serve a isso também”, reitera.

Do Blog de Luiz Carlos Azenha

Conflito campal entre polícias é marca da política de segurança de Serra, diz analista

Para especialistas, o conflito entre policiais civis e militares de São Paulo representa uma piora sensível da política de segurança pública do governo estadual. A condução convencional deu lugar a novos entraves. Em 16 de outubro de 2008, policiais civis, em greve havia 31 dias, realizavam um protesto em direção ao Palácio dos Bandeirantes, residência oficial do então governador paulista, José Serra, hoje candidato à Presidência da República pelo PSDB.

Mas o encontro com a Polícia Militar resultou em um enfrentamento transmitido para todo o Brasil e com repercussão internacional. Na ocasião, a batalha em campo aberto foi analisada pelo Times Online, da Grã Bretanha, em função do alerta das Nações Unidas de que deveria ser revertida a situação de baixos salários da polícia brasileira.

Serra preferiu não receber os policiais civis, dando mostras de inflexibilidade. A Polícia Militar, como fez ao longo da gestão do agora candidato à frente do estado, cumpriu a ordem de reprimir movimentos reivindicatórios. A diferença é que, desta vez, do outro lado estavam homens igualmente armados e que carregam, entre si, o peso de disputas por espaço. O resultado imediato foi de 24 feridos e manchas na imagem da política de segurança estadual.

A longo prazo, os efeitos são piores. Renato Sérgio de Lima, secretário-geral do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, lembra que foi prejudicado todo e qualquer esforço de integração das polícias. A divisão histórica é vista como um dos fatores para explicar os altos índices de criminalidade no estado, já que a comunicação entre policiamento ostensivo e investigativo fica prejudicada.

Lima lembra que, durante a gestão de Mário Covas, a primeira que o PSDB teve em São Paulo, foi feito um esforço grande na melhoria deste intercâmbio. “Se é que os governos posteriores não abandonaram isso, na prática deram menos ênfase, tiveram uma administração mais tradicional da polícia”, analisa. Ele refere-se aos seis anos de gestão de Geraldo Alckmin e três de José Serra.

O que vinha com problemas agravou-se. O especialista entende que os fatos de 2008 significam um enorme refluxo nos esforços empreendidos desde a década anterior. “É extremamente emblemático que, quando as reformas não ocorrem de uma maneira definitiva, ao menor sinal, podem retroceder muito. É uma quebra de confiança, uma fragilização da política de integração que vinha sendo conduzida há muitos anos.”

Luiz Flávio Sapori, ex-secretário de Segurança Pública de Minas Gerais e secretário-executivo do Instituto Minas pela Paz, entende que o setor de investigação vinha avançando na polícia paulista, com melhoria na resolutividade de casos. Mas, de 2008 para cá, a situação mudou. “Isso por conta do acirramento dos conflitos corporativos entre as duas polícias, que teve o ápice no enfrentamento em frente ao palácio de governo. Isso afeta a motivação policial na ponta, bem como aumenta a distância entre os trabalhos da polícia ostensiva e da polícia investigativa. À medida que esse trabalho é distante, antagônico, a eficiência na repressão ao crime diminui.”

Fonte: Sindicato dos Psicólogos do Estado de São Paulo

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Marina critica rótulo de ‘terrorista’ usado contra Dilma

A candidata do PV à Presidência da República, Marina Silva, defendeu ontem a atuação de Dilma Rousseff (PT) na luta armada contra a ditadura militar. Em entrevista ao portal Terra, Marina repeliu a classificação de Dilma como “terrorista”. Essa classificação é difundida na internet contra a candidata do PT e fazia parte de material apócrifo distribuído no primeiro semestre por funcionários do DEM na Câmara dos Deputados.


“Acho que ela lutou por democracia. Tinha um grupo de jovens que foi à luta por um direito sagrado. Não acho que seja correto ficar chamando de terrorista”, disse Marina.

A candidata do PV manifestou-se favorável à instalação de uma Comissão da Verdade para apurar crimes políticos.

”Temos que tirar esses cadáveres do armário”, afirmou.

Marina também se declarou favorável à manutenção do status de refugiado político concedido pelo Ministério da Justiça ao escritor e ex-ativista político italiano Cesare Battisti, condenado à prisão perpétua na Itália sob a acusação de que praticou quatro assassinatos.

“O Brasil tem tradição de dar abrigo, já deu até para ditadores. Por que seria diferente em dar abrigo a ele?”, questionou.

No ano passado, o Supremo Tribunal Federal considerou legal o pedido de extradição de Battisti apresentado pelo governo italiano, mas deixou para o presidente da República a decisão final. Lula ainda não decidiu o que fará.

Dilma supera, com Minas e Rio, a vantagem de Serra em São Paulo

Pesquisa não é eleição e intenção de voto não é voto, sabe-se há longo tempo. Contudo, a mais recente pesquisa feita pelo Ibope para a Rede Globo e o jornal O Estado de S. Paulo indica que o avanço da candidatura da petista Dilma Rousseff, no Rio de Janeiro e em Minas Gerais, superou a vantagem que seu principal adversário, José Serra, detém em São Paulo. Traduzidos para números absolutos os índices apurados pelo instituto nos três maiores colégios eleitorais do país, Dilma obteve vantagem equivalente a quase quatro milhões de votos entre os eleitores de Minas e do Rio, enquanto a vantagem de Serra em São Paulo é de aproximadamente 3,4 milhões.


De acordo com a pesquisa do Ibope, realizada entre 26 e 29 de julho, Dilma obteve 44% das intenções de voto entre os eleitores de Minas Gerais – segundo maior colégio eleitoral – enquanto Serra obteve 32%. Em números absolutos, o índice de Dilma equivale a quase 6,4 milhões de eleitores, enquanto o de Serra corresponde a 4,6 milhões. Assim, a vantagem da candidata petista é superior a 1,7 milhão.

No Rio, o Ibope apontou 46% para Dilma e 27% para Serra. Os índices equivalem a pouco menos de 5,3 milhões para a petista e a 3,1 milhões para Serra. A diferença, em favor de Dilma, é de quase 2,2 milhões.

Em São Paulo, de acordo com o Ibope, o presidenciável tucano obteve 44% das intenções de voto contra 33% obtidos pela presidenciável do PT. A diferença em favor de Serra, de 11 pontos percentuais, equivale a 3,3 milhões de votos.

Pesquisa Ibope nos três maiores colégios eleitorais

São Paulo

Dilma …….. 33% (9,99 milhões)



Serra …….. 44%  (13,33 milhões)

Diferença: 11 pontos (3,33 milhões)

Minas Gerais

Dilma …….. 44% (6,38 milhões)

Serra …….. 32% (4,64 milhões)

Diferença: 12 pontos (1,74 milhão)

Rio de Janeiro

Dilma ……. 46% (5,29 milhões)

Serra ……. 27% (3,10 milhões)

Diferença: 19 pontos (2,18 milhões)

Fonte: Brasilia Confidencial

SERRA PERDE ONDE ALCKMIN PERDEU; E NÃO IGUALA A VANTAGEM ONDE ELE GANHOU

2010 X 2006



As pesquisas divulgadas pelo Ibope revelam uma aproximação do cenário eleitoral deste ano com o resultado das urnas no primeiro turno de 2006, vencido pelo presidente Lula...Alguns dos maiores colégios eleitorais, como Minas, Rio e SP, que somam 41,5% dos votos, mostram uma distância entre Dilma e Serra semelhante à diferença entre Lula e Alckmin em 2006. No Rio, a diferença de 20,3 pontos a favor de Lula em 2006 (49,1% a 28,8%), ficou em 19 pontos pró-Dilma (46% a 27%). Em Minas, Lula venceu Alckmin no primeiro turno de 2006 por 10,2 pontos (50,8% a 40,6%). Agora, sua candidata derrotaria Serra por 44% a 32% - 12 pontos. Em São Paulo, em contrapartida, Serra ainda não conseguiu o mesmo apoio de seu antecessor (17,4 de vantagem em 2006 contra uma diferença de 11 pontos hoje). Em outros regiões e estados importantes, exceto no Espírito Santo --onde Lula levou a dianteira em 15,8 pontos e Dilma ainda está dois pontos abaixo de Serra-- quando há diferença frente ao padrão de 2006, a tendência é essa: derrota de Serra, como no Distrito Federal --onde Alckmin teve vantagem de 7 pontos e hoje Dilma tem 11 de supremacia--, ou o estreitamento da liderança tucana em relação ao que obteve Alckmin há quatro anos.

Emir Sader